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Avião com mais de 600 kg de cocaína não decolou da fazenda de ministro, diz PF

Detalhe da aeronave que transportava mais de 600 kg de droga, interceptada pela FAB - Divulgação/PM-GO
Detalhe da aeronave que transportava mais de 600 kg de droga, interceptada pela FAB Imagem: Divulgação/PM-GO

Do UOL*, em São Paulo

27/06/2017 18h54

A Polícia Federal em Goiânia informou no final da tarde desta terça-feira (27) que o GPS da aeronave interceptada no domingo (25) pela FAB (Força Aérea Brasileira), com mais de 600 Kg de cocaína, apresentou um plano falso de voo durante a aplicação das medidas de policiamento do espaço aéreo. Segundo a PF, o avião decolou da Bolívia, e não de Campo Novo do Parecis (MT).

De acordo com a FAB, o piloto Apoena Índio do Brasil havia informado que a aeronave matrícula PT-IIJ decolara da fazenda Itamarati Norte com destino a Santo Antônio do Leverger (MT). A fazenda pertence à família do ministro da Agricultura Blairo Maggi.

"O GPS da aeronave indicou que ela efetivamente partiu da Bolívia. As investigações continuam no sentido de localizar e ser ouvido o proprietário da aeronave e demais pessoas envolvidas", disse a PF em Goiás, por nota.

Segundo a PF, mais cedo, tanto o piloto quanto o copiloto, Fabiano Júnior da Silva, presos na noite dessa segunda-feira (26) em Itapirapuã (GO), disseram em depoimento que elaboraram um plano de voo falso “para ludibriar a fiscalização, em caso de alguma parada”. Ainda segundo a PF, “há indícios” de que a droga tenha sido embarcada na Bolívia, mas isso só será elucidado no curso das investigações, “que estão só começando”.

Ministro Blairo Maggi (PR-MT)  - Sergio Lima - 23.mai.13/Folhapress - Sergio Lima - 23.mai.13/Folhapress
Ministro Blairo Maggi (PR-MT)
Imagem: Sergio Lima - 23.mai.13/Folhapress

Também no depoimento, o piloto teria afirmado que o pouso seria em uma fazenda de Jussara, distante cerca de 30 quilômetros do local em que efetivamente houve o pouso, e que o transporte da carga renderia a ele R$ 90 mil. O copiloto teria confessado que era o dono da droga, avaliada pela PF em mais de R$ 20 milhões. Tanto a origem da aeronave quanto a propriedade real da droga também são alvo do inquérito.

A PF não informou quem já foi ouvido e quem ainda será chamado a depor, nem se representantes da fazenda citada pelo piloto à FAB também serão chamados.

Voo

Os dois homens foram identificados por pessoas que suspeitaram quando eles deram entrada em um hotel de Jussara. Eles sobreviveram ao pouso forçado que destruiu o bimotor PT IIJ após interceptação de um Super Tucano da FAB, durante a Operação Ostium, que combate voos que alimentam as redes de narcotráfico.

Assim que foi noticiado o local indicado da decolagem no mapa de voo, a empresa que arrenda a fazenda citada nele, o Grupo Amaggi, e o ministro Blairo Maggi, dono da propriedade, manifestaram-se e negaram conhecimento do caso.

Além da identificação real do plano de voo completo, a PF tenta apurar quem é o proprietário do bimotor e da droga.

Aeronáutica

Em nota, o Cecomsaer (Centro de Comunicação Social da Aeronáutica) informou que um avião A-29 Super Tucano da FAB interceptou o avião bimotor matrícula PT-IIJ na região de Aragarças (GO). A ação integrou a Operação Ostium, que visa a coibir voos irregulares que possam estar ligados a crimes como o narcotráfico.

Veja trecho de nota da Aeronáutica:

"A interceptação, feita pela aeronave de defesa aérea A-29 Super Tucano da FAB, iniciou-se às 13h17 da tarde deste domingo. O piloto de defesa aérea seguiu o protocolo das medidas de policiamento do espaço aéreo, conforme estabelece a Lei 7565/1986 e o Decreto 5.144/2004, interrogando o piloto do bimotor e comandando, na sequência, a mudança de rota e o pouso obrigatório no aeródromo de Aragarças (GO).

Inicialmente, a aeronave interceptada seguiu as instruções da defesa aérea, mas ao invés de pousar no aeródromo indicado, arremeteu. O piloto da FAB novamente comandou a mudança de rota e solicitou o pouso, porém o avião não respondeu. A partir desse momento, foi classificado como hostil. O A-29 da FAB executou o tiro de aviso - uma medida de persuasão para forçar o piloto da aeronave interceptada a cumprir as determinações da defesa aérea - e voltou a comandar o pouso obrigatório.

O avião interceptado novamente não respondeu e pousou na zona rural do município de Jussara, interior de Goiás.

Um helicóptero da Polícia Militar de Goiás foi acionado e faz buscas no local. O avião será removido para o quartel da Polícia Militar de Goiás em Jussara. A droga apreendida será encaminhada para a Polícia Federal em Goiânia."

Amaggi diz não ter ligação com aeronave e que não autorizou pouso/decolagem

O grupo Amaggi, empresa da família do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse nesta segunda-feira, 26, em nota, não ter qualquer ligação com a aeronave interceptada pela (FAB). No comunicado, a companhia afirma que "não emitiu autorização para pouso/decolagem" da aeronave "em qualquer uma de suas pistas".

A Amaggi informa que a parte da fazenda Itamarati arrendada pela empresa tem 11 pistas autorizadas para pouso eventual "(apropriadas para a operação de aviões agrícolas, o que não demanda vigilância permanente), localizadas em pontos esparsos de 54,3 mil hectares de extensão".

Segundo a Amaggi, a região de Campo Novo do Parecis "tem sido vulnerável à ação de grupos do tráfico internacional de drogas", dada a proximidade com a fronteira de Mato Grosso com a Bolívia. "Tal vulnerabilidade acomete também as fazendas localizadas na região. Em abril deste ano a Amaggi chegou a prestar apoio a uma operação da Polícia Federal (PF), quando a mesma foi informada de que uma aeronave clandestina pousaria com cerca de 400 kg de entorpecentes (conforme noticiado à época) em uma das pistas auxiliares da fazenda. Na ocasião, a PF realizou ação de interceptação com total apoio da Amaggi, a qual resultou bem-sucedida."

* Com informações da Estadão Conteúdo

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