Metroviários e ferroviários adiam greve marcada para esta terça (1º)

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

  • Marcio Ribeiro/ Brazil Photo Press/ Estadão Conteúdo

Os metroviários e ferroviários de São Paulo decidiram em suas respectivas assembleias, realizadas nesta segunda-feira (31), adiar as paralisações que estavam marcadas para amanhã.

No caso dos ferroviários, a categoria vai se reunir às 15h da próxima quarta-feira (2) na sede do TRT2 (Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região) com representantes da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) em uma audiência de conciliação para tentar resolver o impasse da redução de 3,51% na tabela salarial da categoria. Uma nova assembleia já foi marcada para as 18h da quinta-feira (3) na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Rodoviárias de São Paulo para decidir se a categoria vai parar na sexta-feira (4).

Os metroviários devem realizar uma nova assembleia na próxima semana para decidir os rumos do movimento. Segundo a assessoria de imprensa do sindicato, na reunião foi decidido que a categoria pode acumular mais forças e tentar diálogo com outras categorias para fortalecer o movimento grevista. A diretoria do sindicato vai se reunir ainda essa semana para decidir a data da assembleia. 

Os profissionais que trabalham no Metrô de São Paulo haviam aprovado a greve em uma assembleia realizada no dia 20 de julho. Eles são contra o que chamam de "processo de privatização" do metrô, que segundo eles está em ritmo acelerado, com a tentativa de terceirização por parte do governo de São Paulo das bilheterias e a com previsão de leilão da Linha 5-Lilás para setembro.

"Caso aconteça a privatização, representará o repasse dos lucros à iniciativa privada. Empresas, muitas delas envolvidas em corrupção, poderão explorar um serviço de utilidade pública sem qualquer compromisso com o povo. Dessa maneira passagens ficam mais caras e o transporte perde qualidade", argumenta a direção do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, em nota divulgada no site da categoria.

Liminar proibiu redução de 3,5% dos salários dos ferroviários

Uma decisão liminar do dia 26 de julho da juíza do trabalho Virginia Maria de Oliveira Bartholomei Casado, da 64º Vara do Trabalho de São Paulo, havia determinado que a CPTM "se abstenha de proceder à redução da tabela salarial em 3,51% (três vírgula cinquenta e um por cento), sob pena de multa diária fixada em R$ 500 multiplicada pelo número de empregados substituídos eventualmente prejudicados com a redução salarial pretendida".

"Os sindicatos conseguiram uma liminar na 64ª Vara do Trabalho de São Paulo impedindo a CPTM de descontar. Mas a medida foi descumprida. Vamos conversar com a companhia na quarta-feira e tentar chegar ao fim desse impasse. Nós queremos que ela corrija [os 3,51% que foram reduzidos dos salários] ainda esse mês, ou seja, que a diferença seja paga ainda este mês", afirmou Eluiz Alves de Matos, presidente do sindicato.

A CPTM informou que só foi notificada da decisão às 16h30 de hoje, quando os salários já haviam sido depositados, e que não houve tempo hábil para tomar nenhuma ação, segundo informou a assessoria de imprensa do órgão. 

Os funcionários da CPTM já receberam seus salários reduzidos por causa de uma decisão do TST (Tribunal Superior do Trabalho) que julgou indevido o dissídio coletivo determinado pelo TRT (Tribunal Regional do Trabalho) em 2011 e que foi contestado pela CPTM.

"Em cumprimento à decisão judicial, a companhia aplicou a redução da tabela salarial em 3,51% no mês de julho, sob pena de crime de responsabilidade dos seus gestores", afirmou o órgão em nota.

A categoria estava em estado de greve desde o dia 18 de julho. Na última sexta-feira (28), houve uma audiência de conciliação e o desembargador vice-presidente do tribunal, Carlos Roberto Husek, propôs o parcelamento do desconto de 3,51% em duas vezes: 1% em agosto e mais 2,51% em dezembro de 2017. "Além disso, solicitou à categoria que respeite a cláusula de paz, mantendo o estado de greve até a próxima audiência marcada para esta quarta-feira", acrescentou em nota.

A companhia já tinha entrado com uma ação cautelar no TRT, que determinou que, em caso de paralisação, a categoria deveria manter um contingente de empregados suficiente para garantir 80% da operação nos horários de pico (das 4h às 10h e das 16h às 21h) e 60% nos demais horários.

"Embora respeite o direito de greve, a CPTM confia na responsabilidade de seus empregados em garantir a prestação de serviço e não prejudicar os mais de 2,8 milhões de passageiros que diariamente utilizam o sistema ferroviário para cumprir os compromissos assumidos", afirmou a CPTM em nota.

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