Jovem se diz vítima de homofobia e relata agressão durante show sertanejo em SP

Matheus Collaço

Colaboração para o UOL

  • Nilvã Lucena/Arquivo Pessoal

    Nilvã Lucena diz ter sido agredido por seguranças de show de dupla sertaneja em SP

    Nilvã Lucena diz ter sido agredido por seguranças de show de dupla sertaneja em SP

O que era para ser uma noite de diversão se transformou em caso de polícia para Nilvã Lucena, de 23 anos. Morador de Praia Grande, no litoral de São Paulo, ele estava em Peruíbe no último domingo (10) para acompanhar o show da dupla sertaneja Jorge e Mateus. O jovem diz ter sido vítima de homofobia e acusa seguranças do local de o agredirem e o colocarem para fora da casa de shows.

Lucena fez exame de corpo de delito e abriu um boletim de ocorrência na última segunda-feira. Ele também pretende processar a Biz Eventos, empresa que organizou o show sertanejo na Arena Peruíbe. A Polícia investiga o caso, de acordo com Lucena.

Nilvã Lucena/Arquivo Pessoal
Nilvã foi alvo de socos e chutes e teve a perna ferida em ação de seguranças

"Eu tinha comprado o convite há mais de um mês, estava muito animado. Porém, acabei passando por momentos terríveis. Tudo aconteceu quando eu fui até o banheiro e estava mexendo no celular, pois queria falar com um amigo. Nesse momento, alguém me deu uma 'gravata', sem nem trocar uma palavra comigo", afirmou Lucena ao UOL.

Inicialmente, o jovem achou que era vítima de um assalto e até fez menção de entregar o celular para a pessoa que o segurava. Porém, quando conseguiu se virar e notou que era um segurança, começou a gritar por socorro.

"O cara que estava me segurando disse que me levaria para a parte de trás do palco para que nós pudéssemos conversar. Como eu não tinha feito nada, só quis chamar a atenção de outras pessoas, pois fiquei com medo de apanhar ainda mais se fosse para qualquer outro lugar", relembrou.

Ao todo, cerca de cinco seguranças participaram da ação, desferindo socos e chutes em Lucena. Ele disse ainda que um dos envolvidos ainda o atacou verbalmente, de forma homofóbica. "Uma mulher tentou me ajudar. Ela disse: 'larga o rapaz'. Foi aí que um deles respondeu: 'ele não é rapaz, não. É viado, é bicha'".

A vítima afirma que só ficou sabendo do motivo da agressão quando outro homem, que se apresentou como chefe da segurança, disse que recebeu uma informação de que ele estaria urinando em local proibido e mostrando seus órgãos genitais para quem passava perto dos banheiros.

"As pessoas que me conhecem sabem que eu jamais faria isso. Eu acho que eles se confundiram e, por não ter nenhum argumento que justificasse o que foi feito comigo, disseram que eu estava fazendo essas coisas", afirmou.

Após deixar a arena de shows, Lucena foi orientado por uma policial a ir até a delegacia e fazer um boletim de ocorrência. Porém, como não estava em sua cidade, preferiu deixar para o dia seguinte. "Tive muita dificuldade para dormir e para trabalhar, mas agora já estou com o boletim de ocorrência e até já fiz exame de Corpo de Delito", revelou.

Agora, ele pretende processar a empresa que organizou o evento, e torce apenas para que outras pessoas não passem pelo que ele passou: "As pessoas me reconheceram no meu trabalho. Passei por um constrangimento muito ruim, porque a dor psicológica é muito difícil de ser curada. Eu só quero que esse caso sirva de exemplo, porque até mesmo quem estivesse fazendo coisas erradas, como as que eu fui acusado de ter feito, não merece ter o tratamento que eu tive".

Organizadora desmente violência

Em nota enviada à reportagem do UOL, a assessoria da Biz Eventos disse que as acusações de Lucena são infundadas. A empresa organizadora do show afirma que a equipe de segurança foi, sim, informada de que havia alguém urinando em local proibido e mostrando os órgãos genitais para as pessoas que passavam.

Ainda de acordo com a nota, a organização lamentou que qualquer ato de discriminação ou violência tenha acontecido e que eventuais excessos serão apurados. Sobre a acusação de homofobia, a assessoria informa que "o evento atraiu grande público LGBT, razão pela qual se mostra infundada qualquer imputação de preconceito ou discriminação, de qualquer sorte, precisamente pelo fato de representarem grande parcela dos espectadores presentes'.

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