Da invasão ao hotel Intercontinental à guerra de facções: conheça a história do traficante Rogério 157

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

  • JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

    O traficante Rogério Avelino dos Santos, o Rogério 157 (à dir.)

    O traficante Rogério Avelino dos Santos, o Rogério 157 (à dir.)

"Há dez anos (ele) vem causando problemas para o Rio de Janeiro". Foi com essa síntese que o secretário de Segurança Roberto Sá definiu, em entrevista coletiva realizada na manhã desta quarta-feira (6), o traficante Rogério 157, preso mais cedo na favela do Arará durante uma operação conjunta entre as polícias fluminenses e as Forças Armadas.

Contra o suspeito há ao menos 13 mandados de prisão por homicídio, tráfico de drogas, assalto à mão armada e extorsão. São cerca de 11 inquéritos relacionados a esses crimes. 

Nascido em 24 de dezembro de 1981, em Governador Valadares (MG), Rogério Avelino dos Santos, 35, não é "cria" da Rocinha e, por isso, enfrentava rejeição dos moradores. O apelido 157 veio em decorrência do que fazia no início na sua carreira de crimes: trata-se do artigo do Código Penal que descreve o roubo.

Ele vendia os itens roubados na Zona Sul para traficantes. Tornou-se vapor (vendedor de drogas) na época em que o ex-chefe do tráfico na Rocinha, Antônio Bonfim Lopes, o Nem, comandava a venda de entorpecentes na comunidade sob a bandeira da facção ADA (Amigos dos Amigos). Rogério 157 logo ascendeu na hierarquia da organização, a ponto de se tornar segurança pessoal e braço-direito de Nem.

Sua notoriedade veio em agosto de 2010, quando um grupo de traficantes da Rocinha invadiu o Hotel Intercontinental em São Conrado, zona sul carioca, após um confronto com a polícia.

O tiroteio ocorreu quando os suspeitos voltavam para a Rocinha depois de participar de um baile funk na favela do Vidigal e foram surpreendidos pela polícia. Adriana Duarte de Oliveira dos Santos, tida como contadora do tráfico da Rocinha, morreu no confronto.

AP Photo/Felipe Dana
Policiais armados protegem turistas em frente ao hotel InterContinental, no Rio, em 2010

Tentando fugir da polícia, Rogério e outros nove membros do tráfico na Rocinha se refugiaram dentro do hotel de luxo.
 
Os dez mantiveram 35 reféns, entre funcionários e hóspedes. Depois de negociações e sob orientação de Nem, o grupo se entregou. Nenhum dos reféns se feriu. A perseguição deixou quatro policiais feridos.

Rogério 157 participou de invasão ao hotel Intercontinetal em 2010

Comando do tráfico

Em novembro de 2011, Nem foi preso por policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar ao tentar fugir de uma operação policial no porta-malas de um carro. Hoje, o ex-chefe do tráfico na Rocinha está preso na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia.

Três meses depois da prisão de Nem, em janeiro de 2012, Rogério 157 foi libertado da cadeia por uma decisão da Justiça.

Comandando seus subordinados mesmo de dentro da prisão, Nem ordenou que Rogério 157 e Luiz Carlos Jesus da Silva, o Djalma, passassem a comandar o tráfico de drogas na favela da Rocinha.

Silva foi preso em abril de 2014 e Rogério passou a controlar sozinho o crime na Rocinha.

Em 2017, alguns problemas começaram a surgir na comunidade da Rocinha. Rogério 157 estaria obrigando moradores a pagar uma taxa de gás e cobrando tributos adicionais de mototaxistas e comerciantes, o que lhe rendia R$ 100 mil por mês. Essas informações foram reveladas pelo também traficante Edson Antônio da Silva Fraga, o Dançarino, preso em setembro.

A extorsão teria desagradado Nem, que ordenou a saída de Rogério 157 do morro. Segundo uma testemunha, em agosto deste ano, Rogério 157 teria executado três traficantes aliados de Nem em retaliação à ordem e expulsado a mulher do chefe, Danúbia de Souza Rangel, 33, da Rocinha.

Em seguida, Rogério 157 teria convocado uma reunião com lideranças do tráfico de drogas para se autodeclarar o novo chefe. Aliados de Nem teriam discordado e, na madrugada de 13 de setembro, deflagrou-se uma série de confrontos entre os rivais com armamento pesado na Rocinha.

O confronto fez a polícia do Rio pedir ajuda às Forças Armadas, que já realizavam uma operação da Garantia da Lei e da Ordem no Rio de Janeiro. A favela foi cercada por forças federais e os esforços para capturar Rogério 157 foram intensificados.

Mas o traficante teria fugido do morro com o auxílio de um amigo cantor de funk. Ele então anunciou sua ruptura com a facção ADA e a adesão ao CV (Comando Vermelho). A informação estava em uma gravação de áudio do próprio traficante interceptada pela polícia em setembro.

Desde então, Rogério 157 passou a se deslocar entre as diversas favelas do Rio tentando evitar a captura pela polícia. Ele chegou a ser visto em bailes funk de diversos morros por testemunhas, até ser preso na manhã desta quarta-feira.

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