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Ministério Público apresenta mais duas denúncias contra médium João de Deus

O médium João de Deus - Walterson Rosa/Folhapress, PODER
O médium João de Deus Imagem: Walterson Rosa/Folhapress, PODER

Marcela Leite

Do UOL, em São Paulo

24/01/2019 18h35Atualizada em 01/03/2019 20h55

O MP-GO (Ministério Público de Goiás) informou nesta quinta-feira (24) que apresentou mais duas denúncias contra o médium João de Deus: uma por estupro de vulnerável e outra por porte ilegal de armas de fogo - esta última também feita contra a mulher dele, Ana Keyla Teixeira.

A denúncia por estupro de vulnerável conta com relatos de quatro vítimas do Distrito Federal e uma de São Paulo, em casos que teriam ocorrido entre março de 2010 e julho de 2016. As idades das denunciantes variavam entre 23 e 38 anos na época dos fatos narrados. Todas relatam que, em um ambiente reservado, eram submetidas abusos sexuais por parte do denunciado.

Há na peça, ainda, relatos de seis abusos supostamente cometidos entre 1996 e 2009, mas esses já prescreveram, segundo a lei. As mulheres de Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro e Distrito Federal tinham entre 23 e 51 anos à época.

Na mesma denúncia, são imputados a João de Deus e ao seu filho Sandro Teixeira de Oliveira dois crimes contra a administração da Justiça: coação no curso do processo com arma de fogo e corrupção ativa de testemunha. Ambos são relacionados a uma das vítimas incluídas na nova denúncia por estupro de vulnerável. 

Em 2016, pai e filho teriam tido conhecimento de um boletim de ocorrência feito contra o médium um dia depois de ele ter ameaçado vítima e testemunha com arma de fogo, além de ter oferecido pedras e cristais preciosos no valor de R$ 15 mil na tentativa de comprar o silêncio das duas. Segundo depoimentos, nenhuma aceitou o que foi oferecido pelo médium, mas também não procuraram mais as autoridades policiais para checar o andamento do caso, que foi arquivado.

Foi pedida novamente nesta ação a decretação de prisão preventiva de João de Deus, assim como novo bloqueio de valores, a fim de garantir ressarcimento às vítimas em eventual reparação de danos. Quanto a Sandro Teixeira, foram requeridas medidas protetivas que o proíbem de deixar Abadiânia e de ter contato com as denunciantes. Ele também terá de se apresentar mensalmente ao juiz.

Até agora, 310 vítimas entraram em contato com o MP e 160 já formalizaram depoimento.

Porte de armas

A segunda denúncia apresentada hoje se deu por porte ilegal de armas de fogo de uso permitido e posse ilegal de arma de uso restrito, sendo este último considerado hediondo pela legislação brasileira.

Foram apreendidas no mês de dezembro, em operação de busca e apreensão feita pela Polícia Civil com o Ministério Público, cinco armas de fogo no quarto do casal. Duas delas tinham sinal de identificação adulterado, sem que fosse possível identificar arma e número de série. Como os objetos foram encontrados no quarto que o médium dividia com a esposa, ela também foi denunciada pelo MP.

Nessa mesma busca e apreensão, foi apreendido mais de R$ 1,5 milhão na casa de João de Deus, além de dólares, euros e francos suíços, o que levou a uma investigação por lavagem de dinheiro que ainda está em curso.

A Justiça não tem prazo para acatar ou não as novas denúncias contra o médium. Ele já é réu em outras duas ações, ambas por estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude.

Ao UOL, o advogado de João de Deus, Alberto Toron, informou que não vai se manifestar, pois não teve acesso à denúncia.

A reportagem tentou contato com defesa de Ana Keyla Teixeira, mas ainda não teve retorno até a publicação desta matéria. 

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