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Homem é preso por aliciamento de menores para esquema de prostituição em SP

Três adolescentes foram apreendidas no aeroporto de Manaus - Divulgação/Polícia Civil
Três adolescentes foram apreendidas no aeroporto de Manaus Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Bruna Chagas

Colaboração para o UOL, de Manaus (AM)

10/10/2019 16h13

Israel de Souza Melo, de 25 anos, foi preso na madrugada de hoje, na Zona Leste de Manaus, suspeito de aliciar menores para trabalhar como garotas de programa em uma casa de massagem em São Paulo.

Segundo a delegada Joyce Coelho, titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra Crianças e Adolescentes (Depca), três adolescentes que teriam aceitado participar do esquema foram apreendidas no momento em que se preparavam para embarcar no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes. Em São Paulo elas seriam recebidas por outros membros da organização que as levariam para o local onde ficariam abrigadas.

"Na apreensão as adolescentes estavam sozinhas, já na fila de embarque. Elas nos relataram os fatos e acionamos o Conselho Tutelar, pois se tratava realmente de tráfico de pessoas", relatou a delegada.

Questionada de como soube da situação das jovens, a delegada explicou que recebeu a denúncia de uma adolescente que teria recebido a proposta e ficado com medo. Conforme a queixa, o homem garantia boas condições de vida caso as meninas aceitassem e poderiam até "casar com um homem rico"."Isso é um meio de execução de fraude que é usado como forma de colocar na adolescente ou na mulher que é traficada, a vontade de sair do seu Estado, ou até mesmo do seu país", explicou.

Após o recebimento da denúncia, as investigações no caso tiveram início. O suspeito foi preso em flagrante em um bairro na Zona Leste de Manaus e será indiciado por tráfico de pessoas para fins de exploração sexual comercial.

As investigações irão continuar, conforme a autoridade policial, para que outras pessoas envolvidas no crime sejam identificadas. A polícia acredita que esse esquema tenha ligações com outros estados além do Amazonas e de São Paulo, como Maranhão e Bahia.

Israel confessou que era o responsável por comprar as passagens e cuidar do transporte da meninas por meio das redes sociais. Por cada "remessa" que ele enviava, recebia a quantia de R$ 200. Ele também contou que essa era primeira vez que ele fazia esse tipo de trabalho. Na coletiva ele não quis falar com a imprensa.

Ainda no depoimento, Israel explicou como funcionava o esquema: a princípio, as garotas não receberiam nada e tudo o que seria pago pelo trabalho delas seria tomado pelo grupo para custear o traslado, a hospedagem e os demais gastos pessoais de cada uma. Após todas essas despesas pagas é que elas teriam direito a receber alguma coisa.

Além disso, segundo a polícia, ao chegarem a São Paulo, as vítimas seriam obrigadas a fazer fotos para estimular outras garotas a aceitarem participar do esquema.

De acordo com a delegada Joyce, as famílias das jovens serão ouvidas. "Há relatos de abuso sexual sofridos no âmbito familiar, de pais coniventes, mas todos eles ainda serão ouvidos. Isso mostra a fragilidade familiar."

O suspeito vai responder por tráfico de pessoas com agravante porque as vítimas são menores de idade. As adolescentes estão recebendo acompanhamento psicológico para evitar que sejam novamente aliciadas.

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