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Polícia diz que PM que matou Ághata mentiu, mas não prevê prisão

Aghata Felix morreu após ser atingida por tiro no Alemão - Reprodução/Twitter
Aghata Felix morreu após ser atingida por tiro no Alemão Imagem: Reprodução/Twitter

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

19/11/2019 12h00

Resumo da notícia

  • Delegado diz não ver necessidade de pedir a prisão do PM que matou Ághata Félix
  • Apurações comprovam que não havia tiroteio na data e no local do crime, e que o policial mentiu em depoimento sobre disparos
  • Delegado, porém, disse que policial colaborou para esclarecimento do caso; ele será indiciado por homicídio doloso
  • Apesar do reconhecido erro de execução do policial, o nome dele foi preservado; polícia negou corporativismo

O delegado Marcus Drucker, responsável pelas investigações sobre a morte de Ághata Vitória Sales Félix, 8, afirmou hoje que não vê necessidade de pedir a prisão do policial militar responsável pelo tiro que vitimou a menina. A identidade do agente não foi revelada.

Apesar de admitir que as apurações comprovaram que não havia tiroteio na localidade da Fazendinha, no Complexo do Alemão, em 20 de setembro, e que o policial mentiu em depoimento sobre disparos vindos de uma moto na que passava pela região, o delegado disse que o PM colaborou para o esclarecimento do caso e que, por isso, se contenta com indiciamento por homicídio doloso.

"O que a Polícia Civil apurou é que uma moto passou em velocidade, o policial atirou contra a moto. O projétil, por sua vez, bateu no poste, se fragmentou e atingiu a Ághata. A perícia não constatou tiroteio anterior. Houve, de fato, uma versão dele contrastante dos demais depoimentos, que pode ser interpretado como uma mentira, mas o policial não oferece risco para as investigações e sempre se prestou a colaborar", disse.

Apesar do reconhecido erro de execução do policial, o nome dele foi preservado. Questionado se a preservação do nome do PM se devia a corporativismo, apesar do erro de execução operacional e do depoimento discrepante, o delegado Daniel Rosa, chefe da Delegacia de Homicídios da capital, negou.

"Ele está sendo indiciado por homicídio doloso. Não se pode dizer que ele está impune. É um crime cuja pena pode chegar a 30 anos de prisão. Não vemos o porquê de divulgar o nome dele. Também não vemos motivo para o pedido de prisão, apesar de as investigações mostrarem que não havia tiroteio prévio que justificasse a reação dele", afirmou.

O inquérito da DH (Delegacia de Homicídios), responsável pela investigação, será encaminhado ao Ministério Público do Rio. As investigações contaram com depoimentos de policiais militares em serviço pela UPP, outras testemunhas e resultados da perícia realizada no local. Uma reprodução simulada foi feita no dia 1º de outubro.

A versão de confronto com traficantes sempre foi alegada pela Polícia Militar. Entretanto, os familiares de Ághata e o motorista da Kombi afirmaram que não houve tiroteio. A polícia pediu o afastamento do policial responsável pelo disparo e o proibiu de manter contato com testemunhas que não sejam policiais militares.

Procurada, a PM informou que o policial militar está afastado das ruas e que, em paralelo às investigações da DH, continua a apuração interna através do Inquérito Policial Militar (IPM).

"A Secretaria de Estado de Polícia Militar lamenta o triste episódio da pequena Ághata e reforça solidariedade à família. Sobre a investigação, a corporação esclarece que está dando o apoio necessário à Delegacia de Homicídios da Polícia Civil", disse a PM através de nota.

Caso ocorreu há dois meses

A menina Ághata morreu depois de ter sido baleada quando viajava com a mãe, Vanessa Sales, em uma kombi, na comunidade Fazendinha. Ela foi levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no Alemão, de onde foi transferida para o Hospital Getúlio Vargas.

Ela chegou a ser operada durante cinco horas, mas não resistiu. Segundo o Instituto Médico Legal, a menina foi vítima de lacerações no fígado, no rim direito e em vasos do abdômen, provocadas pelo tiro.

Ághata faz parte de um grupo de seis crianças que morreram vítimas de bala perdida neste ano. Na semana passada, Ketellen Umbelino de Oliveira Gomes, 5, morreu em Realengo, na zona oeste, quando ia de bicicleta com a mãe para a escola. Houve um tiroteio na região e ela foi atingida. Um jovem apontado como assaltante seria o alvo dos disparos. Até agora, apenas o inquérito sobre Ághata foi concluído.

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