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5 meses

Polícia faz operação contra lavagem do CV que movimentou R$ 147 milhões

Morro do Borel, no Rio de Janeiro - Divulgação/Prefeitura do Rio
Morro do Borel, no Rio de Janeiro Imagem: Divulgação/Prefeitura do Rio

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL no Rio

12/03/2020 10h51

A Polícia Civil do Rio de Janeiro realiza na manhã de hoje uma operação contra um grupo de pessoas envolvidas em um esquema de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas da maior facção criminosa do estado - o Comando Vermelho (CV). De acordo com as investigações, foram movimentados mais de R$ 147 milhões entre 2015 e 2019 através de empresas fantasmas e fictícias de vários estados que visavam a regularização dos recursos obtidos com a venda de drogas no Morro do Borel, na Tijuca, na zona norte do Rio.

Nomeada de Shark Attack 3 (ataque de tubarão em inglês), a ação da polícia busca cumprir 12 mandados de prisão e 13 de busca e apreensão. Os alvos da operação são empresários, contadores e supostos "laranjas". Além disso, oito empresas já tiveram as contas bancárias bloqueadas. A polícia cumpre também o bloqueio de quatro imóveis e um veículo.

"O dinheiro que circula nessas contas retroalimenta o tráfico de drogas e dá suporte à toda sorte de crimes praticados pela organização criminosa, notadamente por meio da compra de armas utilizadas em crimes contra o patrimônio que assolam nossa população (...) As ordens judiciais que são cumpridas hoje foram expedidas em desfavor de pessoas que atuam em nível estratégico para o sucesso da engenharia financeira montada para lavar o dinheiro do grupo criminoso", informou a Polícia Civil através de nota.

Os mandados são cumpridos no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Mato Grosso do Sul e no Paraná. A operação é conduzida pela Delegacia da Tijuca (19ª DP).

De acordo ainda com as investigações, a Unidade de Inteligência Financeira (UIF) apontou uma série de operações atípicas e suspeitas que foram confirmadas pelas quebras de sigilo bancário obtidas pela polícia.

As primeiras investigações sobre o caso identificaram traficantes e intermediários que eram responsáveis pelos depósitos nos bancos do Rio. Segundo os investigadores, os depósitos eram feitos em grandes quantias, com notas pequenas e em agências próximas às comunidades. Posteriormente, a polícia começou a seguir o rastro do dinheiro e chegou aos envolvidos no processo de lavagem de dinheiro.

Até o momento, nove pessoas foram presas. Entre elas, o contador do grupo que foi localizado em uma mansão em Ribeirão Preto, em São Paulo. De acordo com a polícia, o grupo ocultava a origem do dinheiro através de empresas localizadas nas regiões Sul e Sudeste. O esquema se tornou suspeito devido aos montantes depositados em dinheiro, notas pequenas, sujas e com cheiro de drogas. Além disso, foi verificado que a maioria dos sócios das empresas não tinha padrão de vida compatível com a movimentação financeira. A quebra de sigilo bancário mostrou repasse de valores para traficantes de drogas no Rio.

De acordo ainda com a polícia, foi verificado um caso onde uma empresa recebeu 38 depósitos em espécie. Os valores variavam entre R$ 50 mil e R$ 85 mil e foram depositados no final de 2018 e começo de 2019.

Cotidiano