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Família faz campanha por roupa para menino que teve 100% do rosto queimado

Alice dos Santos Ruiz e o filho, Marcos Levi Ruiz Pontes, que sofreu queimaduras após um acidente doméstico - Acervo pessoal
Alice dos Santos Ruiz e o filho, Marcos Levi Ruiz Pontes, que sofreu queimaduras após um acidente doméstico Imagem: Acervo pessoal

Simone Machado

Colaboração para o UOL, em São José do Rio Preto (SP)

23/10/2020 16h17

Quem vê o pequeno Marcos Levi Ruiz Pontes correndo e brincando pela casa nem imagina tudo o que o menino já passou. A criança, que tem três anos e mora no Guarujá, litoral de São Paulo, teve 100% da cabeça queimada depois de sofrer um acidente doméstico com uma panela de óleo quente, em junho de 2018. Além da cabeça, o líquido também queimou seus braços e peito e deixou cicatrizes em 30% do corpo da criança.

Oito cirurgias já foram realizadas na tentativa de deixar o menor número de sequelas, mas outras ainda serão realizadas ao longo da infância de Marcos. De acordo com a mãe, a desempregada Alice dos Santos Ruiz, 19 anos, o tratamento do filho é longo e a próxima cirurgia deverá ser realizada quando Marcos fizer sete anos.

"Ele precisa passar um procedimento para descolar a axila, diminuir os queloides e um procedimento capilar. Os médicos pediram para aguardar ele completar sete anos, porque como ele é muito pequeno ainda poderia não resistir às cirurgias", relata Alice.

Para minimizar as marcas deixadas pelas queimaduras no peito e nos braços, a criança passa a maior parte do dia usando uma roupa de compressão e uma placa de silicone que auxilia na recuperação da pele, ajudando que ela fique mais lisa e com menos marcas das queimaduras. A peça, que não é fornecida pelo SUS (Sistema Único de Saúde), custa em torno de R$ 1 mil. Como a criança está em fase de crescimento, a vestimenta precisa ser trocada a cada três meses.

"Tem um projeto em São Paulo que fornece essas malhas, mas devido à pandemia (do novo coronavírus), ele está fechado. Desde o começo do ano não conseguimos pegar as peças lá e estamos tendo que pagar. Como ele se desenvolve muito rápido, as malhas servem por dois, três meses no máximo e é um custo bem alto para a gente", acrescenta a mãe da criança.

Sonho de uma roupa de Homem-Aranha

Desempregada e sem condições financeiras para comprar uma nova roupa de compreensão para o filho, a família lançou uma vaquinha virtual. O objetivo é arrecadar dinheiro para comprar uma malha personalizada do Homem-Aranha, personagem pelo qual Marcos é apaixonado.

"Ele gosta muito do personagem e estar vestido de Homem-Aranha vai ajudar a fazer ele ficar mais com a roupa. As que têm para vender são todas da cor da pele (da criança), mas encontramos um grafiteiro que consegue personalizar as peças para gente", conta a mãe.

Até o fechamento dessa reportagem, no início da tarde hoje, cerca de R$ 6 mil haviam sido arrecadados.

Marcos - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Marcos quer roupas especiais com inspiração em super-heróis
Imagem: Acervo pessoal

Segundo Alice, com o valor arrecadado na campanha, será possível comprar várias roupas de compressão para o pequeno Marcos, o que garante o tratamento pelos próximos meses.

"Ele já falou que depois da roupa do Homem-Aranha, ele vai querer roupa de outros super-heróis. Então, cada vez que tivermos que trocar a malha devido ao tamanho, vamos tentar fazer um modelo de super-herói diferente", relata Alice.

O acidente com óleo quente

O acidente com a criança aconteceu no dia 6 de junho de 2018, quando Marcos tinha apenas 10 meses. Alice conta que passava férias na casa do irmão, em São Paulo, quando a criança ficou em pé e próxima ao fogão e derrubou uma panela de óleo quente em seu corpo.

"Ele começou a engatinhar naquele dia. Em um minuto que saí de perto, ele ficou em pé próximo ao fogão e bateu na panela. Foi um desespero", relembra a mãe.

A criança foi socorrida e levada para um hospital na capital paulista. Ele ficou internado por quase três meses e passou seu primeiro aniversário no hospital. Durante esse período, ele foi submetido a oito cirurgias para enxerto de pele.

"Ele teve complicações nas cirurgias, rejeição no enxerto, e isso acabou complicando um pouco mais a recuperação dele. Chegamos a pensar no pior", diz Alice.

Hoje em dia, o menino segue fazendo acompanhamento médico em um hospital em São Paulo especializado em queimaduras e passa por atendimento a cada três meses.

Vida normal

Apesar da gravidade do acidente, hoje Marcos vive como qualquer outra criança da sua idade. Alice relata que a criança brinca e corre pela casa toda e não se importa com suas cicatrizes.

"Ele já sabe o que aconteceu e leva com naturalidade. Não tem vergonha das cicatrizes e leva uma vida normal como qualquer criança da idade dele. Ele não sente dores e até brinca que as marcas [cicatrizes] são suas tatuagens", diz a mãe.

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