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Eles eram melhores amigos no orfanato (e se 'reencontraram' como vizinhos)

Os amigos Bernardo Requião e Rafael Devanie, em 2017 - Arquivo Pessoal
Os amigos Bernardo Requião e Rafael Devanie, em 2017 Imagem: Arquivo Pessoal

Daniel Silva

Colaboração para o UOL, em Fortaleza (CE)

24/11/2020 18h47

Bernardo Requião, de 9 anos, pensou que nunca mais iria reencontrar Rafael Devanier, de 10. Isso porque seu grande amigo foi adotado no mês de junho de 2017, enquanto ele, em setembro do mesmo ano. Os dois moravam no abrigo Lar Pérolas de Cristo, em Salvador, na Bahia, e eram inseparáveis na instituição.

Mas para a surpresa da dupla, o reencontro foi mais cedo do que eles esperavam. Aconteceu em março de 2018 na área de lazer do condomínio onde moravam. Apesar de ter mais de dois anos, a história viralizou recentemente, quando Kandre publicou um vídeo nas redes sociais do próprio Bernardo contando sobre o encontro.

Foram múltiplas coincidências neste reencontro. Kandre Requião, mãe de Bernardo, conta que, ao adotá-lo, o filho falava muito do amigo. Ela acreditava que um dia os dois iriam se encontrar novamente, mas não imaginava que fosse acontecer tão rápido. "Quando uma criança é adotada, o processo segue em segredo de Justiça. Então, a Justiça não poderia passar o endereço onde Rafael estava", conta Kandre, em entrevista ao UOL.

Mas o acaso foi o responsável por esse reencontro. Os dois moravam no mesmo condomínio e se viram pela primeira vez depois do abrigo quando desceram para brincar na área de lazer.

"Eu sempre descia com o Bernardo para brincar na quadra com outras crianças porque tinham muitas crianças no condomínio. Um dia desses, eu vi Rafael lá", relembra.

Kandre até ficou na dúvida se de fato era o melhor amigo do filho. Isso porque ele estava bem maior de quando ela tinha o visto no abrigo. Para tirar a dúvida, resolveu procurar a mãe e confirmar o nome. "Quando eu encontrei a mãe, ela confirmou o nome. Aí saí correndo para avisar para Bernardo. Quando vi, os dois já estavam abraçados. Foi a maior alegria", detalha.

Para Bernardo, aquele momento foi bastante especial. "Fiquei maior felizão. Eu estava brincando e vi ele brincando com a irmã dele na quadra. Fiquei pensando nas coincidências da vida. Eu achava que ia demorar vê-lo de novo", afirma.

Amizade no abrigo

Essa amizade surgiu quando os cinco irmãos de Bernardo foram adotados. A partir daí, Rafael passou a ser o seu companheiro no abrigo. Os dois estavam sempre juntos, principalmente, nos momentos de tristeza.

Bernardo Requião, de 9 anos, ao lado da família - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Bernardo Requião, de 9 anos, ao lado da família
Imagem: Arquivo Pessoal

"Às vezes, a gente não queria comer cuscuz nem mugunzá. Eu acho que ele gosta de mungunzá, mas eu não. Um dia, a tia deixou ele de castigo porque ele não queria comer. Aí ele [Rafael] ficou chorando no quarto. Fui lá e fiquei um pouco com ele", relembra Bernardo de um dos momentos que precisou apoiar o amigo.

Atualmente, Bernardo e Rafael não moram mais no mesmo condomínio. Kandre e sua família se mudaram para outro imóvel em Salvador. Apesar da distância e também das dificuldades impostas pela pandemia da covid-19, os dois ainda mantém contato e continuam juntos. "Agora nessa pandemia, a minha mãe deu o número do WhatsApp dele e fico jogando com ele. Rafael desenha muito bem e fica mandando um 'monte' de desenho bonito para mim pelo WhatsApp", ressalta Bernardo.

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