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"Você é um guerreiro", diz cartaz a sobrevivente de ataque à escola em SC

Enterro de menina morta em ataque a escola em Saudades, no interior de Santa Catarina - Jessica Edel
Enterro de menina morta em ataque a escola em Saudades, no interior de Santa Catarina Imagem: Jessica Edel

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Saudades (SC)

08/05/2021 15h53

Pouco a pouco, o menino de um ano e oito meses, único sobrevivente do ataque à escola em Saudades (SC), vai se recuperando. No quarto onde está a criança, no Hospital da Criança em Chapecó, um cartaz foi afixado a parede.

"Você é um guerreiro. Força. Saudades", diz a mensagem em uma foto tirada pelo pai, o auxiliar de almoxarifado Diego Hübler, 31 anos. A criança tem machucados provocados pelos cortes a faca feitos pelo autor do ataque, um jovem de 18 anos: um corte na pele, perto do olho direito, visivelmente inchado, e outro abaixo da boca.

Em mensagem encaminhada ontem à tarde, o pai agradece a corrente de orações para o filho e para os pais das vítimas. "Hoje (ontem) foi tirado o dreno do pulmão. Obrigado a todos. Muito obrigado mesmo."

Desde a última quarta-feira (5), o boletim médico da criança segue praticamente inalterado, desde que o menino deixou a UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) do HRO (Hospital Regional do Oeste), em Chapecó, e foi transferido para o Hospital da Criança, na mesma cidade.

O último informe médico dizia: "Continua internada no Hospital da Criança em recuperação".

Menino foi salvo por vizinhos

Na última terça, ao saber do ataque, Hübler, 31, foi às pressas para a escola Aquarela. O trabalho dele fica a poucos metros da creche. No caminho, deparou-se com pessoas em pânico e movimentação de ambulâncias. "Ao chegar lá, não encontrei meu filho. Foi angustiante. Perguntei se alguém tinha visto meu filho e falaram que alguém já tinha pegado ele e levado para o hospital", contou.

A criança havia sido socorrida pela agente educativa Aline Biazebetti, 27, que, de casa, ouviu os gritos de socorro e correu até a escola. No impulso, pegou o menino ferido e o levou até o hospital com a ajuda do seu pai, o aposentado Ailton Biazebetti, 64.

Inicialmente, o idoso tentou parar dois carros na rua, mas, sem sucesso, decidiu ir por conta própria ao hospital. "Me falaram que se eu tivesse demorado dez minutos, a criança não teria sobrevivido".

Enquanto o pai dirigia, Aline segurava a criança, que ela nem sabia quem era. "Me lembro muito pouco dele. Eu só lembro dos olhinhos dele e que estava ferido", conta a agente educativa.

O pai do menino correu então até o hospital, a cerca de 500 metros. No caminho, já avisou a esposa, que correu para a unidade de saúde.

"Quando cheguei ao hospital, logo consegui vê-lo. Foi uma sensação de alívio, mesmo vendo ele naquele estado. Mas saber que está vivo foi um alívio. Minha esposa ficou bem angustiada."

De Saudades, o menino foi transferido para o HRO (Hospital Regional do Oeste), em Chapecó, a 67 km de distância.

Tradutor: Men

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