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RJ: Protesto contra Bolsonaro termina com dois presos; PM usa bombas de gás

Policiais militares dispersam manifestantes durante ato contra o governo do presidente Jair Bolsonaro no centro do Rio de Janeiro - JOAO GABRIEL ALVES/ESTADÃO CONTEÚDO
Policiais militares dispersam manifestantes durante ato contra o governo do presidente Jair Bolsonaro no centro do Rio de Janeiro Imagem: JOAO GABRIEL ALVES/ESTADÃO CONTEÚDO

Tatiana Campbell

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

13/07/2021 21h17Atualizada em 14/07/2021 19h27

Duas pessoas foram detidas hoje após um protesto contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), informou a Polícia Militar. O ato, realizado na Cinelândia, no Centro do Rio, foi marcado por movimentos sociais que pediam, além do impeachment do presidente, mais agilidade na vacinação contra a covid-19.

A manifestação começou no fim da tarde, por volta das 17h, e reuniu centenas de pessoas. Cerca de duas horas depois, um grupo pichou as paredes da Câmara de Vereadores, segundo a PM, que usou bombas e gás de pimenta para dispersar o grupo.

A reportagem do UOL entrou em contato com integrantes dos movimentos Povo na Rua, Povo Sem Medo e Juntos, que organizaram o ato. Em nota, o Juntos acusou a polícia de tentar impedir o protesto. "Ao final do ato, houve uma repressão absurda, após uma pichação. Inclusive teve tiro de bala de borracha à queima-roupa e agressão a pessoas com cassetetes. A PM aproveitou um incidente isolado para agredir as pessoas."

Ao UOL, o delegado Bruno Gilaberte, titular da 5ª DP informou que os dois detidos —um homem e uma mulher— irão responder por infração de menor potencial ofensivo.

"A delegacia está cheia, porque veio muita gente junto com os dois que foram autuados, mas os ânimos estão controlados. Foi infração de menor potencial ofensivo, ninguém ficará preso, serão liberados, mas está sendo feito a lavratura do Termo Circunstanciado. Um homem e uma mulher foram detidos por terem feito pichação".

A infração de menor potencial ofensivo são crimes de menor relevância, em que, dependendo do caso, a pessoa não fica presa —de modo geral, neste tipo de infração, a pena não passa dos 2 anos de detenção. Os envolvidos assinaram um termo e foram liberados na noite de hoje.

Apesar de muitas pessoas estarem utilizando máscara de proteção, foi possível ver pontos de aglomeração pelas ruas do Centro.

"Não aguentamos mais tantas mortes"

Estudante de psicologia, André Lima, 19, diz que a população já está cansada do atual governo.

"Nós não aguentamos mais tantas mortes e ao mesmo tempo tanto descaso desse presidente. Tantas pessoas morrendo, e ele rejeitando vacina. Quanto mais precisarão morrer? É um ato de desabafo, ninguém aguenta mais."

A manifestação também pedia respeito pela população negra. Moradora do Complexo da Maré, na zona norte do Rio, Aline Bastos, 28, diz que é preciso repensar nas políticas de segurança.

"É um governo genocida que não pensa naqueles que moram em comunidades. É sair de casa com medo de levar um tiro, essa é a nossa realidade. Essas operações só servem para matar o negro."

Diversas pessoas carregavam faixas contra o presidente, com mensagens como "Bolsonaro genocida", "Bolsonaro assassino" e "Povo na Rua, #forabolsonaro". Durante o trajeto até a Câmara Municipal, a avenida Rio Branco chegou a ficar interditada. O VLT teve circulação parcial durante o período.

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