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Faxineira relata dores e problema no olho após ataque: 'Roupa derreteu'

Rosto de Francieli após o ataque; médico aguarda fim do tratamento para avaliar sequelas na visão - Reprodução/Arquivo Pessoal
Rosto de Francieli após o ataque; médico aguarda fim do tratamento para avaliar sequelas na visão Imagem: Reprodução/Arquivo Pessoal

Naian Lopes

Colaboração para o UOL, em Pereira Barreto (SP)

22/07/2021 15h44Atualizada em 22/07/2021 16h34

A faxineira Francieli Priscila, de 31 anos, tem recebido ajuda de amigos de igreja que frequenta para pagar o tratamento em seu olho, inflamado após o ataque do ex-patrão, um idoso de 70 anos, que jogou uma substância tóxica em seu rosto, em Catanduva, interior de São Paulo.

Em entrevista ao UOL, ela conta que por causa da lesão já perdeu alguns trabalhos, além de estar com o psicológico abalado.

"Meu olho está muito inflamado. Os medicamentos são pagos e as pessoas da igreja estão bancando pra mim, porque perdi meu trabalho, perdi as outras faxinas que eu tenho e estou sem dinheiro", conta Francieli, que foi atacada na segunda (19) e visitou um médico ontem e hoje para poder tratar as lesões.

O profissional explicou a ela que é preciso aguardar o efeito dos medicamentos na inflamação para saber quais serão os próximos passos de recuperação e as possíveis sequelas. "Terei que retornar ao consultório na segunda", detalha.

Além de trabalhar na casa do idoso que a atacou, a faxineira realizava serviços em outros locais, mas agora tem ficado em casa. "No momento eu não consigo ir trabalhar porque eu não tenho visão pra exercer a função e também porque meu psicológico está muito abalado com tudo isso. E não tenho como deixar meu filho sozinho", desabafa.

Francieli conta que trabalhou para o ex-patrão ao longo de três anos e meio, mas que os dois se conheciam há pelo menos 10 anos, tendo até viajado juntos em família.

A faxineira acusa Luiz Sérgio de ter planejado o ataque, já que ambos estavam discutindo havia dois dias. "Doeu muito. Precisou as meninas do posto [de saúde] me lavarem. A roupa que eu estava usando derreteu", conta.

Idoso negou ter usado ácido

O ex-patrão, Luiz Sérgio, se apresentou no 4º Distrito Policial de Catanduva (SP), que comanda a investigação, ao lado do advogado. De acordo com as autoridades, o empresário responde em liberdade até a conclusão do inquérito por lesão corporal e ameaça.

Em depoimento, o idoso declarou que não usou ácido contra a vítima, mas não soube dizer a substância que estava na garrafa despejada sobre a mulher.

"Como é um crime de lesão corporal dolosa e não se sabe nem a gravidade da lesão é necessário aguardar o resultado da perícia. Ele não fugiu e tem residência fixa, por isso foi ouvido e responderá em liberdade", explica o investigador Wilson dos Santos.

Para finalizar o inquérito, os investigadores aguardam o laudo das lesões de Francieli feito pelo IML (Instituto Médico Legal) e um exame de corpo de delito no próprio idoso, que, de acordo com a delegacia, tinha marcas de agressão.

Ainda vão ser anexados os resultados de perícias em uma tesoura, que estava em posse do empresário, e em uma barra de ferro, que teria sido usada pela faxineira na cena do incidente, além da filmagem que flagrou o momento em que a substância foi despejada no rosto da vítima.

O caso

De acordo com informações do boletim de ocorrência - registrado pelo marido da vítima -, Francieli trabalhou por três anos e meio na casa de Luiz Sérgio. Ela foi demitida porque ele, que é fabricante de produtos de limpeza, ficou irritado depois que a mulher derrubou um dos materiais de forma acidental, segundo o relato.

A denúncia ainda detalha que a demissão não ocorreu de maneira amigável. A mulher relatou à polícia que, depois de chegar em casa, recebeu uma ligação do ex-patrão em que ele fez, segundo a faxineira, ameaças de morte ao filho dela, de 11 anos.

Inconformada com o comportamento do ex-patrão, ela retornou à casa dele com a intenção de entender o que estava acontecendo. "Você não é o todo machão?", indagou a faxineira, que portava um bastão de metal na mão, enquanto o fabricante saía do imóvel com uma garrafa numa mão e um pedaço de madeira na outra.

"Qual é o problema?", respondeu o homem, aproximando-se da vítima e despejando a substância no rosto dela. "Vem cá, vem", disse Luiz Sérgio, segurando-a pelos cabelos e prosseguindo com a agressão. "Nunca mais vai usar produto de beleza", diz o ex-patrão no vídeo.

A cena foi gravada e entregue aos policiais para ajudar nas investigações.

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