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Motorista não sabia que frete seria para incendiar Borba Gato, diz polícia

Estátua do Borba Gato em chamas em São Paulo - Reprodução/Twitter
Estátua do Borba Gato em chamas em São Paulo Imagem: Reprodução/Twitter

Leonardo Martins

Do UOL, em São Paulo

26/07/2021 17h14

O motorista que dirigiu o caminhão levando pneus para incendiar a estátua de Borba Gato no último sábado afirmou em depoimento que não sabia a finalidade do frete e nem que ele seria usado para atear fogo ao monumento do bandeirante, segundo a Polícia Civil de São Paulo.

O monumento, um dos mais controversos do país, fica instalada na Praça Augusto Tortorelo de Araújo, em Santo Amaro, na zona sul da capital. A ação não deixou feridos.

O motorista Thiago Vieira Zem, 35, foi preso preventivamente ontem, mas teve a liberdade provisória decretada pela juíza Eva Lobo Chaib Dias, do Tribunal de Justiça de São Paulo. Thiago está sendo monitorado e deve cumprir medidas cautelares estabelecidas pela justiça.

Em entrevista à imprensa na tarde de hoje, os delegados responsáveis pela investigação do caso relataram que o motorista afirmou ter sido contratado para um frete e foi acompanhado por duas pessoas no caminho até o monumento.

Ainda de acordo com a polícia, ele afirmou ter sido informado, no meio do trajeto, que estaria levando o carregamento para uma "manifestação pacífica".

No momento em que ele descobriu que era para uma manifestação, ele parou no meio do caminho e auxiliou a adulterar o estado de identificação [placa do veículo], bem como o número de telefone que ficava na lateral do veículo."
Deglayr Barcellos, delegado

O delegado Julio Jesus de Encarnação complementou a fala de Barcellos, dizendo que o motorista afirmou ter sido contratado após uma ligação telefônica. O objetivo da polícia é encontrar os outros dois suspeitos que estavam no caminhão com Thiago.

Um grupo chamado "Revolução Periférica" estendeu uma faixa com o nome da organização enquanto a estátua pegava fogo. No perfil do movimento no Instagram, há vídeos e fotos da ação.

Os delegados afirmaram que irão interrogar ainda nesta semana os dirigentes do movimento social. O UOL tenta contato desde a manhã de hoje com os representantes sem sucesso. Se enviado um posicionamento, ele será publicado.

Em agenda pública pela manhã, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, lamentou o episódio em suas redes socias, chamou a ação de "ato de vandalismo" e disse "um empresário" se propôs a pagar a restauração da estátua. "Não vou dizer quem é para não fazer propaganda para a pessoa", concluiu.

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