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Da sarjeta à cobertura: Gato achado cheio de graxa ganha lar luxuoso

Francisco chegou à clínica quase morto, com o corpo coberto por graxa e lama, mas sobreviveu e foi adotado no último sábado - Arquivo Pessoal
Francisco chegou à clínica quase morto, com o corpo coberto por graxa e lama, mas sobreviveu e foi adotado no último sábado Imagem: Arquivo Pessoal

Maurício Businari

Colaboração para o UOL, em Santos

18/10/2021 15h43

Um gatinho listrado, com pouco menos de 5 anos, foi adotado por uma arquiteta após ser encontrado quase morto, coberto de graxa e lama, em uma sarjeta nas proximidades do Porto de Santos. A nova tutora vive em uma cobertura no Canal 4 com a família, um cão e outros três gatos, e levou Francisco para casa no sábado (16).

Francisco é o nome dado ao gato pela equipe da ONG Viva Bicho, que resgatou e tratou o felino. Ele foi encontrado por um homem que passava de bicicleta pela principal avenida do cais santista e avistou o animal. A princípio, achou que estava morto. Mas ele teve a ideia de parar e conferir.

"Foi justamente no dia dedicado ao padroeiro dos animais, São Francisco de Assis. Por isso o apelidamos de Francisco", afirmou ao UOL a presidente da ONG, Marilucy Pereira. "O rapaz nos contou que, quando cutucou o gatinho, ele miou. E imediatamente ligou para nós".

Resgatado de uma sarjeta no cais santista, Francisco apresentou distúrbios neurológicos por conta da intoxicação pela graxa - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Resgatado de uma sarjeta no cais santista, Francisco apresentou distúrbios neurológicos por conta da intoxicação pela graxa
Imagem: Arquivo Pessoal

Orientado pela equipe, o homem levou o gato até a clínica veterinária parceira da organização, que há 21 anos trabalha resgatando animais em situação de risco das ruas das cidades da Baixada Santista.

Além do corpo coberto por graxa e muita lama, o felino chegou à clínica em estado de hipotermia. Seu corpo estava gelado e rígido. O termômetro não era capaz sequer de registrar sua temperatura.

"Ele precisava recuperar a temperatura corporal rapidamente. Demos um banho morno demorado, para eliminar todos os resíduos. Depois ele passou um tempo no secador e foi colocado sobre um tapete térmico", conta Marilucy.

A arquiteta Sônia, com os filhos Felipe e Kaíke, festejando a chegada do novo membro da família - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
A arquiteta Sônia, com os filhos Felipe e Kaíke, festejando a chegada do novo membro da família
Imagem: Arquivo Pessoal

Problemas neurológicos

Mas o problema de Francisco parecia ainda mais grave que a hipotermia. Ao ser colocado no tapete térmico, apesar de conseguir recuperar a temperatura corporal, começou a ter reações estranhas. Ficava dando cambalhotas e parecia ter perdido o senso de orientação. Ele estava tendo um distúrbio neurológico.

Os veterinários aplicaram um protocolo de tratamento utilizado em casos de intoxicação. A suspeita era de que o felino poderia ter lambido o pelo para se livrar da substância pegajosa e acabou se envenenado.

Os exames de sangue revelaram também uma infecção no sangue, provavelmente causada pelas toxinas da graxa. Em 48 horas, porém, ele reviveu. Estava ativo, esperto. Pela nossa experiência, se trata de um gato doméstico que fugiu ou foi abandonado

Quintal na cobertura

Enfim, o gato que "reviveu" e ganhou o nome do santo padroeiro dos animais foi adotado no sábado (16), pela arquiteta Sônia Renata Matis de Oliveira, que mora em um apartamento de cobertura no Canal 4 com o marido, Magno, os filhos Felipe, de 16 anos, Kaíque, de 12, e quatro animais, todos adotados: o cão shitzu Sheik e os gatos Eva, Kiara, Theo e Plush.

A cobertura, aliás, foi comprada pelo casal justamente por causa dos animaizinhos. A família morava em um apartamento de 96 metros quadrados num condomínio que oferecia área de lazer para as crianças. Mas, à medida que os filhos foram crescendo e os animais foram sendo adotados, a necessidade por mais espaço se tornou premente.

Chiquinho, como é chamado pela família, passeia ao ar livre, no quintal da cobertura - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Chiquinho, como é chamado pela família, passeia ao ar livre, no quintal da cobertura
Imagem: Arquivo Pessoal

"Quando a pandemia chegou, nos vimos enclausurados com os animais num espaço limitado", contou Sônia ao UOL. Conversei com o meu marido e decidimos vender nosso apartamento e comprar um com mais espaço. Foi quando encontramos esse apartamento de cobertura, no canal 4".

O imóvel antigo, com 214 metros quadrados, não só possuía espaço suficiente para todos como ainda contava com uma área de lazer privativa, um quintal no topo do prédio, onde tanto os filhos quanto os animais da família podiam aproveitar bastante, com direito a banhos de sol e espaço para correr.

A adaptação dos animais da casa ao novo morador está sendo feita aos poucos pela arquiteta. No início, ele está passando um tempo na área da cozinha, lavanderia e dormindo numa cama quentinha, no quarto de serviço. Mas já começa a conquistar outros espaços da casa e hoje pôde dar um passeio na área ao ar livre da cobertura.

Ele é um amor. Dengoso, carinhoso. Estamos fazendo a adaptação para não estressá-lo e nem estressar os nossos outros 'filhinhos'. A ONG é rígida com relação aos candidatos à adoção dos animais. Acho que quando viram o espaço que Francisco teria e as condições boas de alimentação e cuidados que poderíamos dar a ele, decidiram nos oferecer essa oportunidade. Meu coração disparou quando vi a primeira foto que a ONG publicou. Agora ele também é parte da família.

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