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Fazendeira tirou selfie com caseiro para provar que ele queria se entregar

A fazendeira Cinda Mara teve de tirar foto com o caseiro Wanderson Mota Protácio para provar que ele queria se entregar - Reprodução
A fazendeira Cinda Mara teve de tirar foto com o caseiro Wanderson Mota Protácio para provar que ele queria se entregar Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

04/12/2021 12h50Atualizada em 04/12/2021 18h31

A fazendeira Cinda Mara, que convenceu o caseiro Wanderson Mota Protácio, 21, a se entregar teve que tirar uma selfie com o suspeito para provar que estava com ele, que queria se entregar.

O caseiro apareceu por volta das 6h de hoje na propriedade de Cinda portando um revólver. A fazendeira, então, pediu que Wanderson ficasse calmo. Ele pediu alimentos e aparentava estar com frio, "tremendo muito".

"O que estava acontecendo com toda essa operação da Polícia Civil, Militar. Muitas pessoas estavam passando informações desencontradas para a polícia. E a polícia estava cansada de ir atrás de fatos que não eram contundentes", relatou Cinda a jornalistas. "Aí eu disse para ele assim: você quer se entregar para a polícia? Ele falou: 'quero'."

Na sequência, ela pediu para tirar uma fotografia do caseiro. "Quando tirei a foto dele, aí eu tive o discernimento de mandar essa foto para o prefeito de Gameleira de Goiás [Wilson Tavares de Sousa Junior], para o prefeito mandar para um policial. Foi aí que a Polícia Militar já estava muito próxima e chegou até ele."

Confissão, segundo a polícia

Wanderson confessou hoje ter matado três pessoas no último fim de semana, em Corumbá de Goiás (GO), segundo a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Civil de Goiás. Ele se entregou pela manhã em Gameleira (GO), a cerca de 100 quilômetros de onde os crimes ocorreram.

As vítimas foram a mulher, que estava grávida de 4 meses, a enteada, de 2 anos, e um fazendeiro, de 73 anos, no domingo (28).

O caseiro, "ao ver o cerco se fechando, decidiu se entregar", segundo a polícia, que diz que ele admitiu os crimes. "Ele confessa a prática do crime", disse o delegado Vander Coelho. O UOL ainda não conseguiu contato com a defesa do caseiro.

"Ele não está negando nada", disse o secretário de Segurança Pública de Goiás, Rodney Miranda, que complementou indicando que o caseiro estaria fazendo seu relato com "frieza". "Está querendo justificar o injustificável. Está tentando encontrar desculpas, mas está se contradizendo. Mas já assumiu."

O caseiro se apresentou com a arma do crime e "uma grande quantidade de munições", segundo o secretário.

Histórico de violência

De acordo com a Polícia Civil, Wanderson já tinha um histórico de violência. Em 2019, o caseiro, com 18 anos à época, tentou matar a facadas uma ex-companheira na cidade de Goianápolis, região metropolitana de Goiânia.

Pela tentativa de feminicídio, ele ficou preso até março desse ano, quando saiu da cadeia e começou o relacionamento com Raniere Aranha, morta no último final de semana.

Após matar Raniere e a enteada, o caseiro fugiu para a casa de um vizinho, onde roubou um revólver e depois matou a tiros o fazendeiro Roberto Clemente, 73. Wanderson, de acordo com a polícia. Ele ainda tentou abusar sexualmente da mulher de Roberto e, depois, atirou nela, que se fingiu de morta, mas sobreviveu.

O caseiro fugiu com a caminhonete do fazendeiro e seguiu para Alexânia, no entorno do Distrito Federal. De acordo com a polícia, o suspeito vendeu o celular da mulher na cidade e depois fugiu para a região de Abadiânia.

Força-tarefa

A Secretaria de Segurança Pública de Goiás havia criado uma força-tarefa para realizar buscas por Wanderson nas cidades de Abadiânia, Alexânia e Corumbá de Goiás.

Segundo a polícia, antes da fuga, o caseiro invadiu uma propriedade vizinha e furtou um revólver. Cerca de 70 policiais, entre militares, civis e rodoviários federais, faziam buscas na região, que é próxima onde ocorreu a força-tarefa que matou Lázaro Barbosa, no mês de junho.

Para o secretário de Segurança, a força-tarefa foi fundamental para que o caseiro decidisse se entregar. "O que levou ele a se entregar foi o cerco, apertando cada dia mais", disse Miranda.

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