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Casal de ambientalistas tem residência atingida por tiros em atentado em SC

Polícia Civil de Santa Catarina diz que está investigando o caso, com base em imagens e depoimentos na região - Arquivo pessoal
Polícia Civil de Santa Catarina diz que está investigando o caso, com base em imagens e depoimentos na região Imagem: Arquivo pessoal

Giorgio Guedin

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

04/07/2022 13h35Atualizada em 04/07/2022 14h03

Um casal de ambientalistas afirmou ter sofrido um atentado na própria residência em Guaramirim, norte de Santa Catarina. O local, denominado de Santuário Rã-Bugio, é considerado uma área de RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) — unidade de conservação privada, reconhecida pelo governo federal, com o objetivo de conservar a diversidade biológica do terreno. A Polícia Civil investiga o caso.

O caso aconteceu na noite da última terça-feira (28), mas se tornou público ontem, quando imagens das marcas de tiros viralizaram nas redes sociais.

Conforme o ambientalista Germano Woehl Júnior, que mora com a esposa no local, houve disparos, com diversos tipos de munição, nas duas placas que indicam o RPPN, no banheiro do espaço onde são recebidos estudantes para ações educativas, além da própria residência, acertando as paredes da sala, garagem e o interior da residência.

Ninguém ficou ferido. No momento do atentado, a esposa de Germano estava sozinha em casa, no segundo piso. "Ela ficou em pânico e está muito traumatizada até agora. Quando escuta barulho de moto se aproximando, corre em busca de abrigo e o som estrondoso dos tiros não lhe sai da cabeça", afirmou Germano ao UOL.

Germano estava em outra cidade fiscalizando outras RPPN. "Essa foi minha sorte, porque senão eu estaria na linha de tiro. Ia atingir exatamente o local da mesa onde eu fico durante horas usando o computador", relatou.

Vizinhos viram um homem saindo de motocicleta do local e acionaram a Polícia Militar, que registrou um boletim de ocorrência e fez rondas próximo ao local, mas não localizou nenhum suspeito.

Em contato com o UOL, a assessoria de imprensa da Polícia Civil de Santa Catarina afirma que diligências estão sendo feitas, com levantamento em busca de imagens na região e que depoimentos serão tomados. A motocicleta que teria sido usada no crime não foi identificada, assim como a autoria dos disparos.

Intimidação

Germano acredita que o atentado é uma forma de intimidação, por conta das denúncias de irregularidades nas áreas onde atua.

Paredes também têm marcas de balas - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Paredes também têm marcas de balas
Imagem: Arquivo pessoal

Em Itaiópolis (SC), onde possui outra propriedade considerada RPPN, em setembro de 2021, houve o registro de um incêndio que atingiu cerca de 1 hectare de vegetação nativa. "O suspeito do atentado contra nós pode ser o mesmo. Uma moto de trilha foi vista no local quando começou o incêndio", especula.

Germano acha que, caso acontecesse algo com ele, seria no local do incêndio. "Nós achávamos que ia ser feito algo lá [em Itaiópolis]. Eu já estava me cuidando, diminuindo a frequência. Mas eu tenho que ir lá, se não tomam conta", comenta.

Germano afirma que não se considera um ativista. "Eles têm ódio de ambientalistas. Nós não fazemos outras coisas que não seja defender a natureza. Simplesmente uma atividade dessas irrita certas pessoas. Defender a natureza no Brasil é perigoso", comenta.

O casal possui outras 10 RPPNs em Santa Catarina e mora em Guaramirim. No local, o Instituto Rã-Bugio realiza ações educativas focada na conscientização das crianças e adolescentes sobre a importância dos serviços ambientais das áreas remanescentes de Mata Atlântica. Estima-se que mais de 60 mil estudantes já passaram pelo local nos últimos 20 anos.

Portas do local foram atingidas pelas balas - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Portas do local foram atingidas pelas balas em atentado
Imagem: Arquivo pessoal

Entidades se manifestam

Entidades como a Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA) se manifestaram no fim de semana por conta do atentado. Em nota, repudia de "maneira veemente mais esse intolerável episódio, clamando que todos os esforços sejam envidados para a devida apuração e punição dos autores desse atentado".

A nota continua afirmando que não se pode "mais tolerar que este cenário, de absoluta insegurança e risco àqueles que se dedicam à defesa do meio ambiente e dos interesses difusos da coletividade, se perpetue. É preciso dar um basta definitivo nesse quadro lastimável, coibindo de forma exemplar esses atentados através da rigorosa e ágil apuração de responsabilidade e aplicação da punição legal prevista."

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