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Jurema Werneck: Passo dado hoje não tirou a gente do lugar no caso Marielle

Após o ex-PM Élcio de Queiroz ter confessado sua participação na execução da ex-vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, a diretora do escritório da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck, afirmou que a revelação não tira as investigações do lugar.

Durante o UOL News, Werneck destacou que a confissão "traz certo alívio", mas ainda não responde quem é o mandante do assassinato. Em um acordo, Élcio de Queiroz confessou seu envolvimento ao lado de Ronnie Lessa e do ex-bombeiro Maxwell Simões Corrêa na execução do crime.

Já tínhamos respondido sobre Ronnie Lessa, Élcio de Queiroz e o nome do Maxwell também já havia sido apontado, ou seja, o passo que foi dado não tirou a gente do lugar. Foi dado um passo, mas esses três a gente já sabia que estavam envolvidos na execução do crime.
Jurema Werneck

A diretora do escritório da Anistia Internacional no Brasil também destacou que ainda há mais pessoas envolvidas na execução de Marielle e, por isso, muitas perguntas ainda precisam ser respondidas pelas autoridades. Para Jurema Werneck, a única pergunta respondida até o momento foi sobre a autoria dos disparos, mas questões como o mandante do crime ainda estão nebulosas.

Ela ainda destacou que o próprio ministro da Justiça, Flávio Dino, afirmou que há mais pessoas envolvidas na execução do crime, mas também destacou a importância de as autoridades brasileiras se esforçarem para solucionar o crime, inclusive fazendo o uso do benefício da delação premiada.

Eu vejo a importância de as autoridades usarem as ferramentas dentro da lei para elucidar esse crime. Qualquer ferramenta dentro da lei que possa ser utilizada, deve ser utilizada.
Jurema Werneck

Por fim, Jurema Werneck também chamou a atenção para a representatividade de Marielle, que era uma ativista que despontava como uma voz importante no cenário nacional e foi silenciada, criticou a incompetência das forças policiais nas investigações e destacou a lentidão do Ministério Público no caso. "Utilizar as ferramentas da lei é fundamental, mas ainda falta muito", finalizou.

Há racismo na lentidão em elucidar crimes contra pessoas negras, diz Jurema Werneck

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Ainda durante o UOL News, Jurema Werneck também pontuou que o Brasil é o 4º país mais perigoso para defensores dos direitos humanos, assim como Marielle. Além disso, citou os casos de Chico Mendes, Irmã Dorothy e Bruno Pereira e Dom Phillips para exemplificar a incompetência do Brasil na investigação de crimes contra ativistas e afirmou que quando pessoas negras são vítimas desses crimes a investigação é ainda mais lenta.

A diretora da Anistia Internacional citou dados que apontam que um jovem negro é assassinado no Brasil a cada 23 minutos e que a polícia matou uma pessoa a cada 17 dias no Brasil em 2022 para mostrar que existe racismo na investigação de crimes contra pessoas negras.

Posso dizer com certeza que o racismo participa da lentidão, da dificuldade e do descaso em relação a prevenção desses crimes. Quando eles acontecem, o racismo também participa da elucidação desses crimes e da responsabilização dos envolvidos. A Marielle era uma mulher negra, de favela, da comunidade LGBTQIA+ e uma voz potente que só crescia. É preciso que as autoridades sejam capazes de tirar o tapa olho que o racismo põe a sua frente e acelerem um pouco mais seu trabalho.
Jurema Werneck

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