Conteúdo publicado há 2 meses

Crime, prisões, delação e mandantes: veja a cronologia do caso Marielle

A vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes foram assassinados na região central do Rio, quando voltavam de um evento. Neste domingo (24), seis anos depois, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão e o delegado Rivaldo Barbosa foram presos pela PF (Polícia Federal), suspeitos de envolvimento no crime.

O UOL mostra a cronologia da investigação do caso, com muitas perguntas ainda por responder.

Março de 2018: duplo homicídio

A vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, eleita em 2016 com 40 mil votos, e seu motorista, Anderson Gomes, são executados a tiros por volta das 21h do dia 14 de março de 2018.

Outubro de 2018: primeiras pistas

O MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) identificou o tipo físico do atirador que matou Marielle e Anderson e locais por onde o carro utilizado para o crime teria percorrido até a execução.

Novembro de 2018: políticos envolvidos

O então secretário de Segurança Pública do Rio, general Richard Nunes, afirma que a polícia havia identificado envolvidos no crime, inclusive milicianos. O general disse crer na participação de políticos.

Março de 2019: suspeitos presos

A Polícia Civil e o Ministério Público prendem o PM reformado Ronnie Lessa, acusado de fuzilar Marielle e Anderson, e o ex-PM Élcio Queiroz, possível motorista do carro usado no crime.

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Março de 2019: família Brazão é citada pela 1ª vez

As primeiras associações da família Brazão ao caso Marielle Franco vieram à tona em 2019, quando relatório da Polícia Federal apontou Domingos como o "principal suspeito de ser autor intelectual" dos assassinatos da vereadora e do motorista.

Ele já havia sido denunciado pela então procuradora-geral da República Raquel Dodge, em 2019, por atrapalhar a investigação, mas a Justiça do Rio rejeitou o pedido de denúncia.

Setembro de 2019: repasse de dinheiro

O inquérito da PF (Polícia Federal) sobre o Caso Marielle trouxe indícios de que Domingos fez repasses suspeitos de dinheiro ao funcionário de seu gabinete, Gilberto Ribeiro da Costa.

Na ocasião, agentes desconfiavam que ele tenha feito pagamentos ao policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, para que ele mentisse sobre a identidade dos mandantes das mortes.

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Outubro de 2019: operação Submersus

A Operação Submersus cumpriu mandados de prisão contra Ronnie Lessa e mais quatro suspeitos. Eles eram acusados de obstrução de Justiça, porte de arma e associação criminosa.

Outubro de 2019: arquitetou crime e difundiu notícia falsa

A então procuradora-geral da República Raquel Dodge afirmou em denúncia enviada ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) que Domingos "arquitetou o homicídio da vereadora e, visando manter-se impune, esquematizou a difusão de notícia falsa sobre os responsáveis pelo homicídio."

Março de 2020: júri popular

Fica decidido que o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Queiroz serão levados a júri popular. A decisão é do juiz Gustavo Kalil, da 4ª Vara Criminal do Rio.

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Maio de 2020: federalização negada

O STJ nega, por unanimidade, a federalização do caso Marielle Franco. O pedido de federalização do caso fora feita pela então procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Julho de 2021: quarto delegado

O delegado Henrique Damasceno é anunciado pela Polícia Civil como o novo titular da Delegacia de Homicídios da capital fluminense. A investigação chega ao seu quarto delegado.

Agosto de 2022: Lessa condenado

Ronnie Lessa é condenado a cinco anos de prisão por tentativa de tráfico internacional de armas. Lessa começaria a cumprir a pena já em regime fechado, com preventiva mantida.

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Fevereiro de 2023: investigação federal

Após requisição do novo ministro da Justiça, Flávio Dino, a PF abre inquérito para apurar o assassinato de Marielle e Anderson. A nova apuração foi negociada com o MP do Rio.

Fevereiro 2023: Élcio Queiroz cita Domingos Brazão

Em outubro do ano passado, o ex-policial militar Élcio Queiroz —o primeiro acusado a assumir a coparticipação no assassinato— também citou o conselheiro em delação.

Janeiro de 2024: "Não conhecia e não me lembro da vereadora Marielle Franco"

Domingos Brazão disse que não conhecia Marielle Franco nem Anderson Gomes e negou qualquer envolvimento na morte dos dois em entrevista ao UOL.

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Não conhecia e não me lembro da vereadora Marielle Franco, nem como assessora do [Marcelo] Freixo. Não me lembro da presença dela no plenário. Infelizmente, ouvi falar muito dela quando aconteceu essa trágica ocorrência com ela e com o Anderson. Eu não tinha relação pessoal com eles. Domingos Brazão conselheiro do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio)

Brazão reiterou que também não conhecia os ex-PMs Élcio Queiroz e Ronnie Lessa, acusados de terem matado Marielle e Anderson.

Março de 2024: Chiquinho é citado no caso pela primeira vez

O nome do deputado federal Chiquinho Brazão (União Brasil-RJ), irmão de Domingos, aparece pela primeira vez no caso Marielle Franco.

O ex-policial militar Ronnie Lessa afirmou na delação premiada à Polícia Federal que o político estava ligado ao assassinato da vereadora e do seu motorista.

A citação ao parlamentar foi o que motivou o deslocamento do caso do STJ (Superior Tribunal de Justiça) para o STF (Supremo Tribunal Federal), segundo relatou uma pessoa com acesso ao inquérito no tribunal.

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Março de 2024: delação homologada

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, anunciou que a delação do ex-policial militar Ronnie Lessa sobre os assassinatos foi homologada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Março de 2024: prisão de suspeitos

Os irmãos Chiquinho Brazão, deputado federal; e Domingos Brazão, conselheiro do TCE-RJ, além de Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do RJ, foram presos. Eles serão transferidos para Brasília.

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