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Sátira em quadrinhos mostra a ex-refém das Farc Ingrid Betancourt como egoísta e interesseira

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

15/09/2010 16h25

Uma história em quadrinhos cruel sobre Ingrid Betancourt chegou às livrarias francesas nesta quarta-feira (15), poucos dias antes do lançamento do livro de memórias escrito pela franco-colombiana que passou anos refém de guerrilheiros das Farc.

"Ingrid da selva", da editora "Fluide Glacial", satiriza Betancourt, chamada de Ingrid "Petancourt", e faz piada não apenas de seus anos de cativeiro e de seu resgate triunfal, como também dos governantes do país chamado "Colombin", dos guerrilheiros da "Farce" e dos líderes da França, ridicularizando em especial um diminuto "Nicolas Sarko".

A ex-candidata à presidência da Colômbia é retratada como uma mulher ambiciosa e egoísta, uma hipócrita que bate no peito que é devota da Virgem e do Papa, mas que se comporta como um verdadeiro monstro com os outros reféns, de quem rouba as porções de comida.

No livro escrito e desenhado por Serge Scotto, Eric Stoffel e Richard Di Martino, a "Ingrid da selva" é servil com os líderes guerrilheiros e se mostra ingrata depois da espetacular libertação por um comando de agentes ocidentais que usam camisas com a inscrição "Chien Guevara" e bigodes falsos.

No livro, Petancourt entra na selva, em uma área controlada pelas Farce, depois de ter planejado com o ex-amante, o barbudo guerrilheiro "companheiro Raúlo", seu sequestro, que, segundo ela, significaria apoio popular e a ajudaria a ser a primeira presidenta de "Colombin".

Mas Petancourt não contava com a traição do líder guerrilheiro: as Farce a capturam de verdade e mantêm como refém por seis anos.

A história também ridiculariza suas tentativas de fuga e ironiza os dirigentes políticos que tentam tirar proveito do "caso Petancourt", como "Nicolas Sarko", que acaba de ser eleito presidente da França e, abandonado pela esposa, procura uma namorada e encontra "Carla Bruti".

Sarko se apropria de maneira feliz da causa de "Petancourt", sobretudo porque seus rivais políticos, o ex-presidente "Jacques" (Chirac) e o seu primeiro-ministro, "Dominique de Grillepin", eterno enamorado de Ingrid, fracassaram de maneira retumbante ao tentar resgatá-la das Farce.

A publicação da sátira demolidora de 46 páginas não acontece em um bom momento para Ingrid Betancourt.

A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) busca recuperar com seu livro o prestígio perdido após a libertação, pelo excesso de exposição e pelos muitos passos em falso.

O vergonhoso incidente a respeito do Prêmio Nobel da Paz, quando a fundação que leva o nome dela reagiu de maneira agressiva ao saber que Betancourt não era a vencedora, também contribuiu para arranhar sua imagem, assim como as versões negativas a seu respeito por parte de alguns companheiros de cativeiro, entre eles Clara Rojas, que era candidata a vice na chapa da política e foi raptada com ela.

Um americano que foi refém das Farc e esteve no mesmo campo que Ingrid fez um retrato devastador de Betancourt, descrevendo situações em que a colombiana é mostrada como uma mulher manipuladora e odiosa.

Segundo uma pesquisa do instituto Ivamer Gallup publicada em julho, 80% dos colombianos têm uma imagem desfavorável da ex-refém, que ao deixar a selva para muitos teria um futuro político brilhante.

*Com informações da AFP

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