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Na ONU, Dilma defende reforma e diz que Brasil está pronto para integrar Conselho de Segurança

Do UOL Notícias

Em São Paulo

21/09/2011 11h13Atualizada em 21/09/2011 16h23

Primeira mulher a abrir uma Assembleia Geral da ONU, a presidente Dilma Rousseff defendeu uma reforma do Conselho de Segurança da ONU e lembrou que "há 18 anos" se discute a entrada de novos países.

"O Brasil está pronto para assumir suas responsabilidades como membro permanente do Conselho. Vivemos em paz com nossos vizinhos durante mais de 140 anos", disse. 

"O mundo precisa de um Conselho de Segurança que venha a refletir a realidade contemporânea", acrescentou.

“A atuação do Conselho de Segurança é essencial e ela será tão mais acertada quanto mais legítimas forem suas decisões, e a legitimidade do próprio conselho depende cada dia mais de sua reforma”, disse Dilma.

“A cada ano que passa, mais urgente se faz uma solução para a falta de representatividade do conselho o que corrói sua eficácia”, completou.

Reconhecimento da Palestina

No discurso de abertura da 66ª Assembleia Geral da ONU, a presidente Dilma Rousseff defendeu o reconhecimento do Estado da Palestina assim como a sua entrada na ONU. O assunto é um dos principais temas do encontro deste ano, e encontra forte oposição por parte dos Estados Unidos.

"Quero estender ao Sudão do Sul as boas-vindas. O Brasil está pronto a cooperar com o mais jovem membro das Nações Unidas. Mas lamento ainda não poder saudar, desta tribuna, o ingresso pleno da Palestina na ONU. O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal", disse a presidente.

"Chegou o momento de ter representada a Palestina a pleno título", afirmou, deixando clara a posição do Brasil em meio a intensas negociações para evitar uma crise diplomática pelo pedido de adesão dos palestinos à ONU.

Segundo Dilma, o reconhecimento do Estado palestino ajudará a obter uma "paz duradoura no Oriente Médio", e assinalou que "apenas uma Palestina livre e soberana" poderá atender aos pedidos de Israel por segurança.

"Venho de um país no qual judeus e árabes vivem em paz", disse Dilma.

Nesta sexta-feira (23), o líder palestino, Mahmoud Abbas  apresentará o pedido de votação do Conselho de Segurança sobre o reconhecimento do Estado palestino que, para ser aprovado, precisa de nove votos a favor dos 15 Estados-membros e nenhum contra dos cinco permanentes (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido).

Crise pode provocar ruptura social e política

Boa parte do início do discurso da presidente, como era esperado, teve como foco o crescimento do Brasil e de outros países emergentes em meio à crise financeira global e a situação de países em conflito, em especial no mundo árabe. Dilma alertou que a crise econômica pode provocar uma "grave ruptura social e política" no mundo e pediu unidade para sair dela. 

"A prioridade da economia mundial nesse momento deve ser solucionar o problema dos países em crise com a dívida soberana", disse, pedindo a "a integração" entre órgãos como ONU, G20, FMI, entre outros. "Não haverá a retomada da confiança e do crescimento enquanto não se intensificarem os esforços de coordenação entre os países da ONU". 

Todos esses países, segundo ela, devem "emitir sinais claros de coesão política e integração macroeconômica".

Diante de mais de cem chefes de Estado de todo o mundo, Dilma declarou que o mundo ainda não encontrou saída para a crise econômica "não por falta de recursos, mas porque os líderes dos países desenvolvidos não têm clareza de ideias e de recursos políticos" , disse a presidente, para quem os países desenvolvidos seguem "teorias defasadas de um mundo velho".

Resistência do Brasil à crise financeira

A presidente Dilma Rousseff pediu que o mundo combata a chamada "guerra cambial" e evite medidas protecionistas, ao discursar na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

"É preciso combater a guerra cambial. Trata-se de impedir a manipulação cambial" por meio de políticas monetárias extremamente expansionistas ou pela manutenção do câmbio fixo em alguns países, afirmou a presidente.

Ao mesmo tempo, Dilma afirmou que o Brasil está tomando "precauções adicionais" para reforçar sua capacidade de resistir à crise financeira global, preservando o mercado interno.

"O Brasil está fazendo sua parte... mantemos os gastos do governo sob rigoroso controle a ponto de gerar vultoso superávit das contas públicas sem que isso afete nosso ritmo de investimentos", acrescentou.

"Há pelo menos três anos o Brasil repete nessa tribuna que é preciso combater as causas e não só as consequências [da crise global]."

Mediação de conflitos

Ao falar da mediação de conflitos, Dilma cobrou políticas de desenvolvimento associadas a estratégias do conselho de segurança da ONU e citou os trabalhos humanitários e de segurança no Brasil no Haiti, com a Minustah, e na Guiné-Bissau.

Como é comum em seus discursos, Dilma voltou a destacar a preservação dos direitos humanos, o papel das mulheres - segundo ela, "este será o século das mulheres" - e o combate à miséria.

"O Brasil descobriu que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza.Tenho plena convicção de que cumpriremos nossa meta de até o fim do meu governo erradicar a pobreza extrema no Brasil", disse.

Antes do discurso de Dilma, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu para romper o impasse no Oriente Médio, em meio a uma luta diplomática entre israelenses e palestinos. O chefe da ONU destacou os esforços da organização para fazer avançar uma saída negociada, enfatizando que tanto Israel quanto os palestinos "querem a paz".

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