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Dilma voltará a se encontrar com papa Francisco amanhã

Do UOL, em São Paulo

19/03/2013 09h53

A Presidência da República confirmou na manhã desta terça-feira (19) que a presidente Dilma Rousseff voltará a se encontrar com o papa Francisco amanhã (20) a partir das 11h (7h horário de Brasília), durante sua viagem ao Vaticano.

O tema a ser abordado na audiência privada não foi divulgado. Mas, em uma rápida  entrevista com os jornalista ontem, a presidente relatou o interesse em falar com o pontífice sobre o combate à pobreza e à fome no mundo e que cobraria que o papa aceite as "opções diferenciadas das pessoas". 

"Eu acho que ele tem um papel a cumprir. [A defesa dos pobres] é uma postura importante. É claro que o muno pede hoje além disso. Que as pessoas sejam compreendidas e que as opções diferenciadas das pessoas sejam compreendidas", disse a presidente. 

Nos breves momentos que teve com Francisco, após a missa inaugural do novo papado, Dilma aparentemente disse ser um prazer ter um papa que se dedique aos pobres. 

Segundo o blog do jornalista Fernando Rodrigues, a visita de Dilma ao Vaticano, que inicialmente foi rejeitada pela própria presidente, atende a uma lógica de "marketing eleitoral". O artigo aponta a viagem como uma estratégia para atrair o eleitorado católico nas eleições de 2014. 

Outros cumprimentos

Além de Dilma, o pontífice recebeu pessoalmente as delegações de líderes políticos mundiais e religiosos que comparecerem à missa, entre eles, o patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu 1º, que participa deste tipo de evento pela primeira vez na história.

A presidente Argentina, Cristina Kirchner, foi a primeira a cumprimentar o papa, seguida por outros líderes da América Latina, entre eles os presidentes do Chile, Sebastián Piñera, do Paraguai, Federico Franco, do Equador, Rafael Correa, e do México, Enrique Peña Nieto.

Da Europa, marcaram presença a chanceler alemã, Angela Merkel, pelo primeiro-ministro da França, Jean-Marc Ayrault, e o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy. A delegação da União Europeia foi representada ainda pelo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.

Audiência privada com Cristina

Apesar da relação turbulenta dos últimos anos, principalmente após a aprovação das leis sobre o aborto e o casamento homossexual na Argentina, o papa Francisco recebeu ontem (18) a presidente Cristina Kirchner, a primeira chefe de Estado a se encontrar com o novo pontífice após a eleição dele, que também é argentino.

"Nunca na minha vida um papa tinha me beijado", disse a presidente à agência de notícias argentina "Télam", ao final do encontro na Casa Santa Marta, no Vaticano, que durou de 15 a 20 minutos. Em seguida, Francisco e Cristina almoçaram juntos.

Durante o encontro, Cristina disse ter pedido ao pontífice intervenção na questão das ilhas Malvinas. "Pedimos que Francisco interceda para que o Reino Unido e a Argentina possam chegar a um acordo sobre a soberania das ilhas Malvinas", relatou ela, que lembrou que o papa João Paulo 2º também agiu como mediador entre o Chile e a Argentina em um conflito territorial, em 1978. 

O tema, como apontou Cristina, tem muito sentido "para os argentinos". As disputas diplomáticas entre Londres e Buenos Aires têm aumentado nos últimos meses, com o Reino Unido resistindo aos apelos de Cristina Kirchner de renegociar a soberania das ilhas, que ficam à 500 quilômetros do oeste da Argentina. 

Em retribuição à visita, a presidente argentina deu ao papa um kit para tomar mate, com cuia, garrafa térmica e açucareiro. Já o pontífice a entregou uma majólica com a imagem da Basílica de São Pedro.

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