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Senadores propõem que jornalista dos EUA compartilhe documentos de Snowden

Do UOL, em São Paulo

09/10/2013 18h16

Os senadores que fazem parte da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Espionagem, que apura denúncias sobre violação de dados praticada por Estados Unidos e Canadá contra o governo brasileiro, ouviram o jornalista norte-americano Glenn Greenwald e seu companheiro, o brasileiro David Miranda, por uma hora e meia nesta quarta-feira (9) sem obterem nada de novo.

Os membros da comissão chegaram a propor que o jornalista deixasse seus documentos sob a guarda do Senado --que possui uma sala-cofre criada para receber documentos da CPI do Cachoeira, em 2012-- e que a Casa poderia contratar uma equipe de especialistas para ajudar a analisar os dados compartilhados por Snowden. Conforme foi explicado por David Miranda, Greenwald poderia cometer um crime contra os EUA se disponibilizasse a outro país esses documentos.

“O governo e o jornalismo são separados e precisam continuar separados”, disse o jornalista sobre a proposta. “A liberdade de imprensa não é só para divulgar [as denúncias], mas também para trabalhar [na apuração delas]”.

Greenwald e Miranda disseram aos parlamentares que Snowden sabe mais do que qualquer pessoa como analisar os documentos secretos a que teve acesso, e que o Brasil poderia ter dele uma colaboração maior se garantisse ao ex-agente asilo político. Além disso, sugeriram que o governo brasileiro cobre mais e novas explicações dos EUA e do Canadá, cujas justificativas, até o momento, não teriam sido convincentes na avaliação deles.

“Muitos países disseram ‘obrigado’ [a Snowden], mas não estão protegendo a pessoa que denunciou”, afirmou Greenwald.

Greenwald vem fazendo reportagens sobre a atuação da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA), a partir de documentos entregues a ele por Edward Snowden (ex-colaborador da agência) que indicam que os governos de EUA e Canadá podem ter espionado a presidente Dilma Rousseff, a Petrobras e o Ministério de Minas e Energia. Aos senadores, o jornalista disse que não tem nada a revelar, neste momento, além daquilo que já foi publicado por ele em parceria com o jornal britânico “The Guardian” e, no Brasil, com a TV Globo.

“Estou trabalhando com outros jornalistas, peritos, com a TV Globo, são muitos documentos e leva um tempo para entender”, disse Greenwald, ao justificar que está fazendo as reportagens conforme vai descobrindo “algo importante”.

O relator da CPI, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), disse ao jornalista que seria necessário ter provas mais concretas e objetivas de que houve espionagem para que o Brasil possa fazer qualquer tipo de denúncia a cortes internacionais, e afirmou que existe a impressão de que Greenwald detém mais informações a respeito do monitoramento que pode ter sido realizado contra o governo brasileiro, mas prefere “fatiá-las” e divulgá-las aos poucos.

O jornalista voltou a afirmar que tudo o que sabe até o momento já foi publicado e que tem trabalhado sob “muito risco e ameaças”. “Não estou segurando documentos relevantes, não estou escondendo informações. Estou publicando, não segurando”, respondeu.

De acordo com o relator, representantes da Petrobras disseram à CPI que “colocavam a mão no fogo” de que dados da estatal não foram violados. “A NSA não está fazendo brinquedos [sic], não estão fazendo espionagem contra a Petrobras por nada”, afirmou Greenwald.

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