Quer ajudar refugiados? Doação pode ser feita em reais

Gabriela Fujita

Do UOL, em São Paulo

De um lado, líderes tentando uma solução para a onda de migrantes que chegam à Europa. Do outro, uma crescente mobilização civil para ajudar os milhares que enfrentam uma jornada perigosa e extenuante, fugindo da miséria, dos conflitos de guerra e das perseguições religiosas.

Imagens do sofrimento generalizado de quem busca o refúgio mesmo que isso custe a própria vida comovem o mundo todo. Ao mesmo tempo que chocam, calamidades como esta provocam, de imediato, a reação de ajudar. E isso é possível, mesmo estando a milhares de quilômetros de distância.

Um caminho rápido é fazer doações em dinheiro a entidades reconhecidas internacionalmente pelo trabalho que oferecem aos refugiados.

Os sites brasileiros da ONG Médicos sem Fronteiras, da Cruz Vermelha e do Unicef aceitam doações em reais. Os sites internacionais da Cruz Vermelha e do Acnur (em português), embora ofereçam opções em reais, na prática só aceitam em moeda estrangeira. O site internacional do Unicef só recebe doações em dólares.

Veja mais detalhes abaixo:

Médicos Sem Fronteiras

A organização dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), que tem 250 mil doadores no Brasil, direciona os valores coletados conforme a demanda de cada um de seus projetos (dentro ou fora do país). A doação pode ser feita em reais no site brasileiro (https://www.msf.org.br/doador-sem-fronteiras), por boleto bancário ou cartão de crédito.

A partir de maio deste ano, a MSF iniciou ações de busca, resgate e atendimento médico no mar Mediterrâneo com três embarcações (uma delas em parceria com a Moas --Migrant Offshore Aid Station--, fundação com base em Malta). Desde então, 15 mil pessoas à deriva foram socorridas pelas duas entidades.

Cruz Vermelha

A Cruz Vermelha, que tem 23 filiais no Brasil, faz campanhas de arrecadação geralmente para suas ações estaduais. Portanto, doações por meio de seu site (http://www.cruzvermelha.org.br/) são destinadas a projetos exclusivamente realizados no país.

Para ajudar os imigrantes que estão agora na Europa, é preciso acessar os sites da Federação Internacional (http://ifrc.org/) e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (https://www.icrc.org/eng/donations/). Apesar de as telas de doação indicarem valores em reais, a operação bancária pelo cartão de crédito só é completada se o doador fizer a opção em moeda estrangeira, por se tratar de site internacional.

Em casos de catástrofes como a sofrida pelo Nepal após um terremoto em abril de 2015, a fundação internacional aciona seus representantes no mundo todo e pede a abertura de contas bancárias para receber as doações.

Não foi feita, por enquanto, nenhuma solicitação ao Brasil para que inicie uma campanha com foco nos imigrantes que chegam ao território europeu.

Unicef

O Unicef, ligado à ONU, reativou no dia 8 de setembro sua página brasileira para doações em reais revertidas exclusivamente a crianças na Síria, que vive uma guerra civil há quatro anos e tem milhões de cidadãos obrigados a deixar seu país.

Pelo site (https://secure.unicef.org.br/Default.aspx?origem=siria), o doador escolhe se quer débito em conta corrente ou no cartão de crédito. Em 2013, já havia sido feita uma breve campanha no Brasil, que está sendo retomada agora.

Não há prazo de duração nem uma meta de valor a ser arrecadado. O montante final, recolhido em uma conta bancária brasileira, será depois repassado ao Unicef internacional. 

Já no site global do Unicef (http://bit.ly/1Ku8iKq), o doador pode escolher entre oito opções, sendo uma delas a crise na Síria. Só que o valor é cobrado em dólares, no cartão de crédito, o que implica no pagamento de imposto sobre operação financeira realizada no exterior.

Acnur

O Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) tem um site para doações em geral (http://donate.unhcr.org/pt), e vai lançar, nos próximos dias, um canal direto para quem quer ajudar os imigrantes que fazem a travessia em botes pelo mar Mediterrâneo. A contribuição é cobrada no site em reais, pelo cartão de crédito, mas também é necessário fazer a opção em moeda estrangeira para finalizar a doação.

Uma página para a crise na Síria, que completa quatro anos em 2015 (3 milhões de refugiados), está no ar há mais tempo (http://donate.unhcr.org/pt/siria).

Nela, informações atuais sobre o conflito e como é usado o dinheiro arrecadado têm o objetivo de incentivar os doadores, com valores simulados em reais:

- uma doação de R$ 165 permite fornecer cobertores térmicos de lã para aquecer uma família durante o rigoroso inverno na região;

- uma doação de R$ 1.150 permite oferecer uma tenda para abrigar uma família inteira durante os meses de frio.

O doador pode escolher entre valores pré-determinados ou indicar com quanto quer contribuir. Mas, não faz diferença por qual dos sites do Acnur a doação é feita: o dinheiro é distribuído conforme as demandas da organização.

"Nossa parte [no Brasil], como país estável, é fazer uma contribuição financeira para que a ajuda seja contínua. Muitas vezes, é melhor que as doações sejam recorrentes, em pequenos valores, do que uma única doação de um valor maior", diz Natasha Alexander, oficial associada de captação de recursos para o setor privado do Acnur.

E aos interessados em colaborar com essas e outras organizações de assistência humanitária, um detalhe importante a ser lembrado: não há incentivo fiscal no Brasil a doadores pessoa física. Apenas pessoas jurídicas podem pedir abatimento do imposto de renda.

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