Obama apresenta plano para fechar prisão de Guantánamo

Do UOL, em São Paulo

O presidente Barack Obama apresentou nesta terça-feira (23) um plano para fechar a prisão na base militar norte-americana de Guantánamo, em Cuba. O fechamento é uma promessa de campanha de Obama em sua primeira eleição, em 2008, mas sofre forte oposição política dentro dos EUA. O plano será levado ao Congresso norte-americano.

A prisão, destinada a receber acusados de terrorismo no pós-11 de Setembro, foi aberta em 2002 pelo então presidente George W. Bush dentro do território de 120 km² na costa sudeste de Cuba que é controlado pelos EUA desde 1903 e abriga uma base naval norte-americana.

"Estou trabalhando há sete anos para fechar essa prisão. Não quero passar isso para o próximo presidente", disse Obama. "Vamos fazer o que é certo para o país. Vamos fechar esse capítulo."

"Há muitos anos ficou claro que o centro de detenção da baía de Guantánamo não faz nossa segurança nacional avançar. Ele a enfraquece", afirmou ainda.

Segundo a Casa Branca, o plano mostra que o fechamento de Guantánamo é de "interesse da segurança nacional" norte-americana e refletirá uma grande economia para o governo do país --a prisão custa quase US$ 450 milhões por ano ao país.

Dos 91 presos atualmente em Guantánamo, 35 receberam a aprovação para serem enviados a outros países "nos próximos meses".

Dos 56 restantes, 10 enfrentam acusações ou foram condenados em processos perante comissões militares e os demais são considerados muito perigosos para saírem em liberdade ou serem transferidos a outro país. Os demais devem ser transferidos a prisões nos Estados Unidos e outros países. 

A transferência de acusados de terrorismo em território norte-americano é a maior controvérsia entre os congressistas do país -- especialmente entre os republicanos, que controlam o Legislativo atualmente.

Em conferência telefônica com jornalistas, um funcionário do Pentágono detalhou que o plano, que será enviado ao Congresso hoje, considera 13 localizações diferentes em território americano para receber esses presos.
 
Essas 13 localizações incluem prisões já existentes em Estados como Colorado e Carolina do Sul, assim como a construção de novas instalações em algumas bases militares do país.
 
Na segunda-feira, Josh Earnest, porta-voz da Casa Branca, disse que muito dinheiro é gasto para manter a prisão enquanto outras alternativas mais baratas estão disponíveis.
 
"E certamente gostaríamos de trabalhar com o Congresso para transformar essas alternativas em realidade, porque sabemos que elas não enfraquecerão nossa segurança nacional. Na verdade, elas reforçarão. E o fechamento acabará com um sistema de recrutamento usado por organizações terroristas do mundo", disse Earnest, segundo o "USA Today".

"Buraco negro"

O governo americano inaugurou a prisão quatro meses depois de deflagrar uma guerra no Afeganistão, em represália aos ataques de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center, em Nova York.

Quando Obama assumiu a presidência, em 2009, 242 dos 779 detentos que chegaram a Guantánamo permaneciam detidos no local. Vários deles foram transferidos a outros países ou devolvidos a seus países de origem.

Muitos detidos que passaram pela base militar não tinham qualquer envolvimento com o terrorismo. Por essas e outras razões, Guantánamo foi alvo de críticas frequentes, sobretudo por parte de organizações internacionais de direitos humanos, e denúncias de tortura nos interrogatórios.

Andy Worthington, autor de "Dossiês de Guantánamo: a história de 774 detidos em uma prisão ilegal americana", afirmou que os detidos ficaram em "um buraco negro", sem acusação e sem julgamento.

Aproximação

O anúncio do plano para o fechamento de Guantánamo ocorre em meio ao processo de retomada de relações entre Cuba e EUA, anunciado em dezembro de 2014.

Desde então, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, visitou a ilha, Washington tirou o país caribenho da lista de nações que apoiam o terrorismo e as duas partes avançaram no que diz respeito à abertura de viagens e negócios bilaterais. 

Obama viajará a Cuba nos dias 21 e 22 de março, na primeira visita de um presidente norte-americano em exercício à ilha nos últimos 88 anos. 

A presença dos EUA em Guantánamo é uma das questões sensíveis para o governo Cuba, que deseja receber de volta o território. (Com agências internacionais)

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