Em SP, oposição venezuelana celebra mudança de postura do Itamaraty com antichavistas

Talita Marchao

Do UOL, em São Paulo

  • Nelson Almeida/AFP

    Paulo Skaf, da Fiesp, recebe Luis Florido (c) e Williams Dávila (dir) em SP

    Paulo Skaf, da Fiesp, recebe Luis Florido (c) e Williams Dávila (dir) em SP

Deputados venezuelanos da maioria opositora presente na Assembleia Nacional reconheceram, nesta terça-feira (23), a mudança de postura do Itamaraty, que receberá pela primeira vez em 17 anos os representantes contrários ao chavismo em Brasília. "Acredito que a posição do Itamaraty tenha mudado para o bem da democracia venezuelana e da democracia na América Latina", disse o deputado Luis Florido, do Partido Voluntad Popular, em visita à Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de SP), na região central de São Paulo.

A delegação da Comissão de Política Exterior, Integração e Soberania será recebida pelo chanceler brasileiro, Mauro Vieira, na quinta-feira (25). Antes, deve se encontrar com senadores do PSDB e ter uma audiência no Senado. "Não é uma mudança não só do Itamaraty, mas de muitas das chancelarias que antes mantinham distância da situação venezuelana e hoje têm uma posição mais ativa. Isso nos enche de satisfação, porque é grave a crise que está ocorrendo na Venezuela, é uma crise política que passa a ser também uma crise social", disse Florido.

Florido e Williams Dávila, deputado da Ación Democratica e presidente da Comissão Internacional do Parlamento do Mercosul, se reuniram com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, em São Paulo na primeira etapa da viagem no Brasil. Eles pediram que a entidade ajude a intermediar um acordo para a importação de medicamentos. "Pedimos a colaboração da Fiesp para que avaliem, junto aos laboratórios brasileiros, uma ajuda social humanitária para os doentes venezuelanos, que hoje morrem por falta de medicamentos", disse Florido. "Isto seria um fato inédito de solidariedade entre Brasil e Venezuela", completou.

Segundo o deputado, o Brasil é o primeiro país visitado pelos deputados opositores eleitos em dezembro por ser um aliado estratégico para muitos projetos no futuro. "O Brasil já foi um sócio comercial da Venezuela e queremos retomar esta tese, reforçar os laços de amizades com não só políticos, mas também empresariais", disse Florido.

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