O que já se sabe sobre Stephen Paddock, o atirador de Las Vegas?

Do UOL, em São Paulo

  • Eric Paddock via AP

    Stephen Paddock, autor do massacre que matou ao menos 58 pessoas em Las Vegas

    Stephen Paddock, autor do massacre que matou ao menos 58 pessoas em Las Vegas

Um norte-americano de 64 anos, amante de pôquer, que se mudou para uma vila de aposentados em Mesquite --pequena cidade de 17.400 habitantes localizada a apenas 130 quilômetros de Las Vegas-- para ficar perto dos cassinos. Sem antecedentes criminais, classificado como "um cara amigável" por uma ex-vizinha.

Stephen Paddock, o atirador que matou 58 pessoas e feriu mais de 500 em Las Vegas antes de se suicidar na segunda-feira (2), morava em uma casa próxima a um campo de golfe em condomínio que só aceita pessoas com mais de 55 anos e era, segundo o irmão Eric Paddock, "um cara bem de vida que gostava de jogar vídeo pôquer e de viajar em cruzeiros".

Antes de ir viver em Mesquite, Paddock viveu em outras cidades de Nevada, como Reno e Henderson, na Flórida, na Califórnia e no Texas. Segundo o jornal "Orlando Sentinel", foi seu irmão Eric quem o ajudou a trocar a Flórida pelo Estado de Nevada, onde jogos de azar são legalizados, para que ele pudesse jogar mais pôquer.

Além do gosto por jogos e por dirigir aeronaves --possuía dois aviões pequenos e licença para voar--, Paddock possuía outra paixão: as armas.

Câmeras mostram ações dos policiais em Las Vegas

Licença para caçar e coleção de armas

Paddock tinha licença para a caçar animais de grande porte no Alasca. Ele também tinha fascinação por armas --investigadores afirmaram que ele armazenava armas desde 1982.

Nesta quarta-feira (3), em entrevista a CBS, Jill Snyder, agente especial da Agência de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos dos Estados Unidos, afirmou que foram recuperadas 47 armas de fogo que pertenciam ao atirador, que foram compradas em quatro diferentes Estados.

Elas foram encontradas em três locais diferentes: no hotel Mandalay Bay e em duas residências em seu nome. Apenas no quarto do hotel em Las Vegas, foram encontradas 23 armas, além de explosivos.

Snyder também informou à CBS que Paddock comprou 33 armas, principalmente fuzis, entre outubro de 2016 e 28 de setembro de 2017, três dias antes do atentado. O agente ainda disse que, na ação, Paddock usou um mecanismo chamado de "bump stock" em 12 fuzis semi-automáticos, fazendo com que as armas disparassem de forma automática –os disparos duraram entre 9 e 11 minutos, de acordo com Snyder. 

A venda deste dispositivo é permitida pela legislação americana e é vendido pela internet por preços que variam de US$ 90 a US$ 450. Ele é colocado no lugar da coronha do fuzil e permite que o atirador dispare com mais agilidade do que se puxasse o gatilho normalmente todas as vezes.

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Trabalho e casamentos

Há registros de que Paddock tenha trabalhado, entre os anos de 1985 e 1988, em uma empresa chamada atualmente de Lockheed Martin, fabricante de produtos aeroespaciais e que, em 1995, foi criada pela fusão da Lockheed Corporation e da Martin Marietta –a companhia é a maior produtora de itens militares do mundo.

Também sabe-se que Paddock casou-se e divorciou-se duas vezes. O primeiro casamento durou apenas dois anos, entre 1977 e 1979, enquanto o segundo se deu entre 1985 e 1990. A segunda ex-mulher afirmou que não teve mais contato com ele desde que se separaram, há 27 anos.

Apontada pelo irmão Eric como namorada de Paddock, Marilou  Danley teve sua participação no crime descartada pelos investigadores após a constatação de que ela não estava nos EUA no momento do atentado --Danley é uma cidadã australiana que emigrou para os Estados Unidos há 20 anos para trabalhar nos cassinos, segundo o governo da Austrália. 

Mark Ralston/AFP
Velas são colocadas na avenida Las Vegas Strip, em homenagem às vítimas do atentado que matou ao menos 58 pessoas e feriu mais de 500 em Las Vegas

Foi divulgada pela NBC, no entanto, a existência de uma transferência de US$ 100 mil feita por Paddock, na semana passada, para uma conta nas Filipinas, o país de origem de Danley e onde ela estava nos últimos dias.

"Não vamos comentar isso, por enquanto, mas vamos atualizar essa informação em breve. A investigação não acabou com a morte de Paddock", disse o xerife do condado de Las Vegas, Joe Lombardo.

Danley retornou aos EUA na terça-feira (3). Aterrissou durante a noite no Aeroporto Internacional de Los Angeles (Califórnia) e foi recebida por agentes do FBI, segundo informaram a emissora "CNN" e o jornal Los Angeles Times. Investigadores afirmaram que, apesar de não ser suspeita, ela é "pessoa de interesse" na investigação do caso. 

Pai assaltante de bancos

Reprodução/FBI
Benjamin Hoskins Paddock era procurado pelo FBI
Muito antes de Stephan Paddock tornar-se o maior assassino em massa com armas de fogo na história moderna americana, porém, seu pai, Benjamin Hoskins Paddock, foi considerado um dos fugitivos mais procurados pelo FBI. 

Descrito como um "psicopata" com "tendências suicidas, armado e perigoso", Benjamin Hoskins Paddock foi condenado por roubo de bancos e teve seu rosto estampado nos cartazes de "procurados" da FBI entre 1969 e 1977.

Eric Paddock afirma, no entanto, que por conta das frequentes perseguições policiais, Benjamin não convivia muito com a família. "Eu nasci enquanto fugíamos (da Justiça). Meu pai estava prestes a ser preso. Nós não crescemos com a influência dele", afirmou ao Washington Post. (Com as agências de notícias)

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