Cliente faz piada preconceituosa nos EUA, e cafeteria se recusa a atendê-lo

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução de TV/KTLA

    Homem discute com muçulmana que usava um niqab em uma cafeteria

    Homem discute com muçulmana que usava um niqab em uma cafeteria

Uma funcionária de uma cafeteria em Riverside, nos Estados Unidos, se recusou a atender um cliente que havia sido preconceituoso com uma mulher que vestia um niqab, véu que cobre todo o rosto e só revela os olhos. A gerente do estabelecimento apoiou a decisão e também negou a venda.

Michael Buholzer / REUTERS
Mulher usa o niqab, que só deixa visível a região dos olhos
O cliente, que não teve o nome revelado, abordou a muçulmana Kathleen Deady, no balcão da Coffee Bean & Tea Leaf, na última sexta-feira (11), e perguntou se era Dia das Bruxas. Com o celular, ela passou a filmar o diálogo.

"O que tem de errado comigo?", perguntou Deady. 

"Você que me diga", respondeu o homem.

Em determinado momento da discussão, ele disse que não gostava da religião da mulher.

"[Sua religião] diz que vai me matar. E não quero ser morto por você. E aí?", falou.

Deady perguntou se o homem já havia lido o Alcorão, ao que ele respondeu: "o suficiente para saber".

Irritada, a mulher então afirmou que a Bíblia também continha um trecho que afirmava que descrentes deveriam morrer, se referindo ao livro de Lucas, no novo testamento, que diz: "E quanto àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui, e matai-os diante de mim."

O sujeito colocou a mão na lente da câmera do celular e uma funcionária da cafeteria tentou separar os dois. Uma outra mulher que estava com o homem no estabelecimento começou a gritar com Deady.

A câmera, então, para de filmar por algum tempo. Depois de alguns minutos, a filmagem retorna com o homem no balcão da cafeteria, exigindo atendimento.

"Quem é o gerente daqui?", perguntou. Uma mulher atrás do balcão se apresenta como supervisora e diz que não vai servi-lo porque ele estava "perturbando um espaço público e sendo bem racista".

Deady, que estava filmando, concordou com as funcionárias da cafeteria e agradeceu.

Deady é frequente assídua do local, conforme contou uma cliente que presenciou a discussão em um programa de TV local, Barry Landau. A muçulmana costuma ir ao café com livros da área da saúde e, provavelmente, estuda para ser médica, segundo Landau.

"A discussão me incomodou. É sempre chocante ver pessoas explicitamente odiando outra", disse a cliente. (Com agências internacionais)

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