PUBLICIDADE
Topo

Trump ameaça presidente do Irã: "Nunca ameace os EUA, ou sofrerá consequências"

Mandel Ngan/AFP Photo
Imagem: Mandel Ngan/AFP Photo

Do UOL, em São Paulo

23/07/2018 08h01

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou diretamente o presidente do Irã, Hassan Rohani, no fim da noite de domingo (22/07) para que "jamais volte a ameaçar os Estados Unidos, ou sofrerá consequências".

O aviso foi uma resposta às palavras de Rohani, que no domingo alertou Trump para "não brincar com fogo" e disse que um conflito com o Irã seria a "mãe de todas as guerras".

"Ao presidente Rohani do Irã: Nunca, nunca ameace os Estados Unidos novamente ou você sofrerá consequências como poucos conheceram ao longo da história. Já não somos um país que apoie suas palavras dementes de violência e de morte. Cuidado!", escreveu Trump, numa mensagem toda em letras maiúsculas publicada no Twitter.

Veja mais:

Poucas horas depois, a agência estatal iraniana Irna minimizou as mensagens de Trump, descrevendo-as como uma reação passiva aos comentários de Rohani. A agência, porta-voz do governo do Irã, acrescentou nesta segunda-feira que a mensagem de Trump está apenas imitando o ministro iraniano do Exterior, Mohammad Javad Yarif, que no passado alertara o Ocidente para "nunca ameaçar um iraniano".

Ele ressaltou que o Irã responderá a ameaças "com ameaças" e não vai se intimidar, segundo discurso publicado no site da presidência iraniana. Ele também voltou a afirmar que Teerã pode bloquear as rotas para exportação de petróleo no Golfo Pérsico, ameaça já feita por Rohani no início do mês, em represália à decisão dos EUA de abandonar o acordo nuclear multilateral de 2015 com o Irã e impor novas sanções a Teerã.

As sanções entrarão em vigor em agosto e ameaçam afetar a já enfraquecida economia iraniana. A medida pretende atingir o Irã em duas frentes: seus programas de mísseis balísticos e sua influência regional.

Já o chefe da Bassidj, milícia que faz parte das Forças Armadas iranianas, afirmou que as ameaças de Trump fazem parte de uma "guerra psicológica". "Ele não está em posição de agir contra o Irã", afirmou o general Gholam Hossein Gheypour, segundo a agência de notícias Isna.

"Os que têm medo da guerra psicológica desse presidente louco saberão que os Estados se contentarão apenas com nossa aniquilação. Mas o povo iraniano e as Forças Armadas se levantarão contra nossos inimigos", acrescentou Gheypour.

A troca de mensagens acaloradas com países em disputa com os EUA faz parte do histórico de Trump. A disputa retórica lembra a troca de mensagens entre Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, antes de as tensões terem dado lugar a uma aproximação inesperada com a Coreia do Norte.

Novas sanções?

Em 8 de maio passado, Trump anunciou que os Estados Unidos se retiravam do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano firmado em 2015, assim como o reforço das sanções contra este país.

O acordo histórico de 2015 submete o Irã a um estrito controle de suas atividades nucleares com o objetivo de impedir que o país desenvolva armas atômicas. Em contrapartida, suspenderia as sanções internacionais que pesam contra Teerã com a perspectiva de novos investimentos.

Com sua saída do acordo nuclear, Washington busca aumentar a pressão sobre a República Islâmica.

Também no domingo, o secretário de Estado Mike Pompeo havia afirmado que Washington não tinha medo de impor sanções "do mais alto nível" ao regime de Teerã. 

Num discurso perante a diáspora iraniana na Califórnia, Pompeo confirmou que Washington quer que todos os países reduzam suas importações de petróleo iraniano até "perto de zero", até o início de novembro. Caso contrário, esses países enfrentariam sanções dos EUA.

"Há mais (sanções) por vir", acrescentou."Os líderes do regime, especialmente os que estão na cúpula da CGRI (Guardiães da Revolução) e a Força Quds (forças especiais) devem sentir dolorosas consequências por sua má tomada de decisões", disse o chefe da diplomacia americana.

Sob fortes aplausos do público, Pompeo afirmou que Washington apoiará os opositores na República Islâmica. "O regime no Irã foi um pesadelo para o povo iraniano", acrescentou.

Apesar da preocupação da comunidade internacional, os EUA contam com o apoio de um de seus principais aliados: Israel. "Quero homenagear a dura posição manifestada ontem pelo presidente Trump e pelo secretário de Estado Mike Pompeo contra a agressividade do regime do Irã", disse o premiê Benjamin Netanyahu durante reunião de seu gabinete nesta segunda. (Com agências internacionais)