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Cães enviados dos EUA para farejar bombas na Jordânia morrem de maus tratos

Ao menos dez cães morreram entre 2008 e 2016 devido às más condições de tratamento - Reprodução/Departamento de Estado dos EUA
Ao menos dez cães morreram entre 2008 e 2016 devido às más condições de tratamento Imagem: Reprodução/Departamento de Estado dos EUA

Carolina Marins

do UOL, em São Paulo

17/09/2019 12h20

Ao menos dez cães morreram e outros vivem em "condições insalubres" desde que foram enviados dos Estados Unidos para a Jordânia com a missão de farejar bombas, concluiu um relatório federal. De acordo com o documento, o governo americano não tem trabalho para exigir as condições sanitárias e de saúde dos animais.

Por mais de 20 anos, os Estados Unidos têm treinado cães para enviar a países parceiros a fim de ajudar na localização de bombas como parte de um programa de antiterrorismo. No entanto, segundo a investigação feita por uma agência do Departamento de Estado americano, muitos desses cães vivem hoje em situações degradantes.

Ao menos dez cães morreram na Jordânia entre 2008 e 2016 de problemas de saúde, aponta o documento, e aqueles que sobrevivem estão em "condições insalubres" como canis inadequados, falta de saneamento e excesso de trabalho.

O relatório traz imagens dos cães em canis sujos, sem locais adequados para alimentação e hidratação, unhas sujas, com carrapatos nas orelhas e abaixo do peso. A investigação culpa o governo americano por não garantir que seus aliados provenham condições adequadas para os animais.

"O Departamento gastou milhões de dólares em fundos de assistência antiterrorismo para o EDCP (sigla do programa), mas não garante a saúde e o bem-estar dos cães após a implantação", diz o documento.

O primeiro animal a morrer na Jordânia foi Zoe, uma pastor-belga de dois anos que morreu de insolação em julho de 2017 enquanto trabalhava na fronteira com a Síria. Em 2018, outra pastor-belga chamada Mencey precisou ser submetida a eutanásia menos de um ano após chegar à Jordânia devido a doenças causadas por parasitas que a levaram a ter falha dos rins.

Também em 2018, Athena precisou voltar aos EUA depois de veterinário constatarem que ela vivia entre fezes e recebia comida diretamente do chão. Apesar de não ter sido diagnosticado com doenças de parasitas, ela sofria de desnutrição. A pastor-belga havia chegado seis meses antes ao país e não teve nenhum estado de saúde reportado até a chegada dos veterinários. Ela se recuperou completamente com os devidos tratamentos.

Além da Jordânia, os EUA enviam cães para mais outros dez países, como Bahrein, Egito, Indonésia, Líbano, México, Marrocos, entre outros. No entanto, a agência só foi capaz de investigar os animais enviados para a Jordânia após uma denúncia. O país é o maior beneficiário do programa, com cerca de 61 cães farejadores.

O documento fez cinco recomendações ao governo americano a fim de garantir as boas condições de saúde dos animais, como um acordo por escrito com os aliados para que sejam garantidas as condições adequadas dos cães e inspeções regulares. O governo concordou em acatar quatro delas, excluindo a recomendação de suspender o programa aos países até que eles aplicassem as devidas exigências.

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