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Pressão sobre natureza rebaixa países ricos no IDH; Brasil sobe 10 posições

Queimada é vista do alto, em meio a área de floresta próximo a capital Porto Velho - Bruno Kelly/Amazônia Real
Queimada é vista do alto, em meio a área de floresta próximo a capital Porto Velho Imagem: Bruno Kelly/Amazônia Real

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

15/12/2020 02h05Atualizada em 15/12/2020 08h02

Neste ano, pela primeira vez, os números do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), produzido pela ONU, são divulgados em conjunto com um novo indicador, criado com o objetivo de medir a pressão que o desenvolvimento dos países exerce sobre o meio ambiente.

O novo indicador, batizado de IDHP (Índice de Desenvolvimento Humano Ajustado às Pressões Planetárias), é calculado a partir do IDH do país ponderado com duas variáveis: as emissões de gases causadores do efeito estufa e a quantidade de recursos naturais utilizados pelas cadeias de produção de cada país, proporcionalmente à sua população.

O resultado indica que, em geral, os países de mais alto desenvolvimento humano são os que mais pressionam o meio ambiente. Com índice recalibrado pelo novo indicador, o Brasil sobe dez posições no ranking de IDH e fica em 74º entre os países do mundo.

O efeito é o inverso na maioria dos países desenvolvidos, que perdem posições, pois padrões mais alto de renda e consumo costumam vir acompanhados por uma maior pressão ecológica sobre o meio ambiente.

A Noruega, que lidera o ranking do IDH, cai 15 posições quando o indicador é ajustado a partir do índice de pressão ecológica sobre o planeta.

Os Estados Unidos, na posição 17 no ranking tradicional, caem 45 posições no índice atrelado ao meio ambiente.

Também há países no topo da lista que não tem a posição alterada pela ponderação ecológica do indicador. É o caso da Suíça, que permanece na segunda posição nos dois rankings, e da Alemanha e Suécia, que após a recalibragem pelo novo indicador apenas trocam de posição no 6º e 7º lugar respectivamente.

Veja a lista dos 10 melhores índices ajustados pelo IDHP. Quanto mais perto de 1, melhor o indicador:

  • Irlanda - 0,833
  • Suíça - 0,825
  • Reino Unido - 0,825
  • Dinamarca - 0,824
  • Suécia - 0,817
  • Alemanha - 0,814
  • Nova Zelândia - 0,808
  • França - 0,801
  • Bélgica - 0,800
  • Eslovênia - 0,800

Ranking geral

Os números do IDH foram divulgados hoje pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento) e mostram que o Brasil perdeu cinco posições no ranking, passando do 79º para o 84º lugar, apesar do leve aumento no índice nacional, que foi de 0,762 para 0,765 entre os anos de 2018 e 2019.

No mesmo período, a média do IDH mundial também avançou 0,003 ponto, como o Brasil, e foi de 0,734 para 0,737. A região da América Latina e Caribe avançou de 0,764 para 0,766.

O IDH mede o progresso dos países em saúde, educação e renda. Para esse indicador, quanto mais próximo de 1, mais alto é o desenvolvimento humano. O ranking é liderado pela Noruega, cujo IDH é de 0,957. Na outra ponta, o Níger tem o pior índice, de 0,394.

Os principais fatores que compõem o IDH são a expectativa de vida, os anos de escolaridade e o PIB (Produto Interno Bruto) per capita, que é a quantidade de riqueza produzida por um país dividida pelo número de habitantes.

Os dados mundiais divulgados hoje dizem respeito às estatísticas dos países referentes ao ano de 2019. Por serem relativos ao ano passado, o índice não reflete o impacto da pandemia do novo coronavírus sobre os países.