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EUA: Mais de 60 são detidos em 3º dia de protestos por morte de jovem negro

13.abr.2021 - Manifestantes se protegem com guarda-chuvas contra gás lacrimogêneo disparado pela polícia em protesto contra a morte de Daunte Wright - Kerem Yucel/AFP
13.abr.2021 - Manifestantes se protegem com guarda-chuvas contra gás lacrimogêneo disparado pela polícia em protesto contra a morte de Daunte Wright Imagem: Kerem Yucel/AFP

Do UOL, em São Paulo*

14/04/2021 06h36Atualizada em 14/04/2021 10h36

Manifestantes enfrentaram as forças de segurança pela terceira noite consecutiva ontem na cidade americana de Minneapolis, sob forte tensão desde a morte de um jovem negro pela polícia, no momento em que acontece o julgamento pela morte de George Floyd.

A polícia antidistúrbios tentou dispersar um grupo de entre 800 e 1 mil manifestantes em Brooklyn Center, subúrbio onde Daunte Wright foi morto no domingo durante uma operação de controle de trânsito. O ato acabou com mais de 60 pessoas detidas.

As forças de segurança usaram bombas de efeito moral e os manifestantes responderam atirando objetos em direção aos agentes, informou a polícia.

Mais cedo, as famílias de George Floyd e Daunte Wright, devastadas e unidas na dor e revolta, uniram suas forças para pedir o fim da violência policial nos Estados Unidos.

"O mundo está traumatizado ao ver outro afro-americano sendo morto", afirmou Philonise Floyd, irmão de George, durante uma coletiva de imprensa na qual ambas famílias compartilharam a dor por enfrentar o "impensável".

A polícia classificou a morte de Wright como "acidental" e explicou que o episódio ocorreu quando a policial Kim Potter começou a usar uma arma de imobilização taser e cometeu um erro ao atirar com sua arma de fogo.

O advogado Jeff Storms refutou esta afirmação.

"Acidente é derramar um copo de leite, não é acidente sacar uma arma. Não é acidente apontar uma arma para alguém, nem é um acidente ignorar o fato de que o que você tem na mão não pesa o mesmo que um taser", disse o advogado que acompanhou as famílias.

A agente envolvida na morte renunciou e o chefe da polícia local também, anunciou ontem Mars Mike Elliott, prefeito de Brooklyn Center.

Para ativistas como Toshira Garraway, a morte de Wright é outro exemplo da brutalidade policial e discriminação sistêmica.

"Queremos que o mundo saiba que esses não são incidentes isolados. Na verdade, George Floyd e Daunte Wright são o rosto de centenas de assassinatos aqui no estado de Minnesota", ressaltou à multidão que veio escutar as famílias.

A vez da defesa

Este novo drama exacerbou a tensão nas ruas de Minneapolis em meio ao processo contra Derek Chauvin, o policial branco acusado de matar George Floyd, em 25 de maio, após imobilizá-lo ajoelhando-se em seu pescoço durante sua prisão por supostamente ter pago com uma nota falsa.

Ontem, este processo histórico — que deixa o país em suspense e é transmitido ao vivo por várias redes — entrou em uma nova fase com a apresentação da defesa.

A tese do advogado do ex-policial, Eric Nelson, é que seu cliente respeitou as regras das forças da ordem e que a morte de Floyd foi influenciada pelo fentanil encontrado em seu sangue e outros fatores de saúde.

Seu objetivo é semear dúvidas, já que nos Estados Unidos os veredictos do júri devem ser unânimes.

Os especialistas citados pela acusação refutaram a tese de defesa, então agora Nelson deve prová-lo.

Para isso, chamou Scott Creighton, o agente aposentado que prendeu Floyd em 2019.

Ele também convidou Michelle Moseng, uma paramédica que tratava de Floyd na época, para depor porque ele havia usado drogas.

"Ele me disse que tomava opiáceos a cada 20 minutos", disse Moseng. Desde o início do processo, familiares de Floyd denunciam uma tática para manchar sua memória. "O processo é contra Derek Chauvin, não contra George Floyd", disseram.

"Trágico"

Após os primeiros protestos no domingo pela morte de Wright, as autoridades declararam um toque de recolher em toda Minneapolis e Saint-Paul na noite de segunda-feira e mobilizaram 1.000 soldados da Guarda Nacional.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, qualificou o incidente como sendo "trágico" e pediu calma enquanto as autoridades conduzem a investigação.

O ex-presidente democrata Barack Obama divulgou um comunicado com sua esposa Michelle afirmando que "sente empatia diante da dor" de pais e filhos negros que sofrem essas perdas.

"O fato de que isso possa ocorrer, enquanto a cidade de Minneapolis conduz o julgamento de Derek Chauvin e revive o assassinato comovente de George Floyd, nos mostra como é importante conduzir uma investigação completa e transparente", disse o casal.

* Com informações da AFP e Ansa

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