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Guerra da Rússia-Ucrânia

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Como em Senhor dos Anéis, por que os ucranianos chamam russos de 'orcs'?

O orc Azog na saga de "O Hobbit", sucessora de "O Senhor dos Anéis"; ucranianos têm por hábito chamar os soldados russos de "orc" - Reprodução
O orc Azog na saga de "O Hobbit", sucessora de "O Senhor dos Anéis"; ucranianos têm por hábito chamar os soldados russos de "orc" Imagem: Reprodução

Alexandre Santos

Colaboração para o UOL

03/05/2022 04h00Atualizada em 03/05/2022 11h18

Numa declaração do dia 19 de abril, o governador regional de Luhansk, Serhiy Gaidai, afirmou que Kreminna, cidade ao leste da Ucrânia, estava sob o controle dos "orcs". A palavra, usada pelos ucranianos para falar dos soldados russos, pipoca no noticiário desde que a guerra começou em 24 de fevereiro.

A expressão veio da obra do escritor britânico J. R. R. Tolkien (1892-1973), feita entre 1937 e 1949, e foi retirada do anglo-saxão. Significa "monstro".

As histórias fantasiosas, especialmente em "O Senhor dos Anéis", se desenrolam em tempo e espaço imaginários, mas foram inspiradas na vida real e evocam momentos vivenciados por Tolkien durante a Primeira Guerra Mundial.

Segundo Tolkien, é uma Europa mitológica, a Terceira Era da Terra Média, habitada por humanos e por outras raças, dentre as quais elfos, anões, hobbits e orcs.

Orcs são os vilões mais comuns da mitologia do escritor, uma raça de criaturas subservientes criadas por Melkor, um personagem fictício da saga. Eles integram uma forma de vida previamente existente, mas que foi corrompida.

Retratados como criaturas infelizes, são seres que odeiam a todos, incluindo a si próprios e aos seus mestres, aos quais servem apenas por medo.

Daí a comparação com os russos, feita pelos ucranianos.

Em "O Hobbit", Tolkien indica que os orcs estão sempre famintos e, por isso, se alimentam de todo tipo de carne, incluindo a de homens e cavalos.

Em "O Senhor dos Anéis - As Duas Torres (o filme)", os orcs que capturam Merry e Pippin discutem se deveriam ou não comer os hobbits.

Diferentemente dos elfos, uma cadeia de antepassados, os orcs não costumam fazer coisas belas —conseguem apenas criar instrumentos para ferir e destruir seus algozes.

Embora não sejam maus por natureza, eles são culturalmente e mentalmente predispostos à escuridão e à maldade.

Os orcs também têm participação em "O Hobbit", livro anterior a "O Senhor dos Anéis", e em "O Silmarillion", um dos últimos publicados após a morte de Tolkien.

Origem e tipos de orcs

Os orcs teriam sido feitos de pedra e lodo e animados por feitiços de um personagem intitulado Morgoth.

Havia, segundo o autor, três tipos de raça:

  • os orcs comuns, que temem o sol, habitam cavernas, são organizados em tribos e tendem a atacar homens.
  • os Uruk-hai, que eram maiores e mais fortes;
  • os meio-orcs, criação considerada horrorosa e uma mistura entre homens e orcs, mas que, embora menores em número, são tão sagazes e mortais quanto os outros.

Quanto ao arquétipo físico, foram descritos como criaturas humanoides, feias e, em geral, menores que os humanos.

Muitos, a propósito, se assemelham a macacos, com braços compridos e costas e pernas arqueadas. Por descenderem de corpos ressuscitados, carregam no corpo sangue negro e azedo, conforme o autor.

Em uma de suas cartas, Tolkien assim os define: "[...] São (ou eram) atarracados, largos, com nariz achatado, pele desbotada e olhos oblíquos [...]".

Nas adaptações cinematográficas da obra homônima de "O Senhor dos Anéis", Peter Jackson menciona características equivalentes acerca dos orcs comuns.

Apesar de Tolkien não dar detalhes a respeito da cultura e costumes dos orcs, é sabido que eles curam ferimentos e têm armadura bastante eficiente —embora inferior às dos elfos e anões. Além de usar flechas e lâminas envenenadas, entoavam canções bizarras e podiam criar máquinas de tortura.

Os orcs não tinham língua própria, mas guardavam palavras provenientes de várias outras línguas.

Ainda assim, cada tribo desenvolveu dialetos diferentes entre si e usavam o Westron, a língua geral, se necessário. Algumas palavras são oriundas da Língua Negra de Mordor, que passou a ser largamente usada na Terceira Era, quando o personagem Sauron retomou o poder.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do publicado, Tolkien lutou na Primeira Guerra Mundial, e não na Segunda. O texto já foi corrigido.