Casa do futuro será impressa em 3D e fácil para ser transportada

Paulette Perhach

  • Ilana Panich-Linsman/The New York Times

    7.jul.2016 - Jeff Wilson, chefe da Kasita, dentro do protótipo de uma casa modular em Austin, Texas

    7.jul.2016 - Jeff Wilson, chefe da Kasita, dentro do protótipo de uma casa modular em Austin, Texas

Casas que você pode imprimir, transportar na traseira de um caminhão, até mesmo voar. Apesar de soarem como casas de ficção científica, elas podem vir a ser residências reais em um futuro não muito distante.

Impelida pelas pressões do aquecimento global, do crescimento populacional e moldada pela promessa de tecnologias como a impressão 3D, uma revolução está em curso em torno do futuro da construção de residências em todo o mundo, especialmente nas grandes cidades.

Como habitantes da Terra, precisamos repensar quase tudo a respeito da forma como vivemos, especialmente nas cidades costeiras, porque nosso mundo pode ser mudado pela elevação dos mares de formas que ainda não podemos antever totalmente, segundo Hans-Peter Plag, um professor e diretor do Instituto de Pesquisa para Atenuação e Adaptação da Universidade Old Dominion, em Norfolk, Virgínia.

"Nós temos construído tendo como princípio de projeto o fato de que o nível do mar não mudará", ele disse. "Essa época chegou ao fim. Por outro lado, viver na zona costeira é extremamente importante para nós. Logo, precisamos encontrar uma forma de viver na zona costeira, mas não podemos presumir que o nível do mar é estável."

Para complicar o problema de uma massa de terra em encolhimento está a previsão de que a população humana crescerá para quase 10 bilhões de pessoas até 2050. E apesar de que muitas cidades no mundo terão que lidar com um crescimento extraordinário, outras terão que se preparar para mudanças nos padrões de migração que podem deixá-las virtualmente desertas.

"Veja o que acontece quando cidades encolhem", diz Cindy Frewen, uma arquiteta, futurista urbana e professora adjunta do programa de pós-graduação Antevisão da Universidade de Houston. "Não é bonito. Olhe para Detroit." À medida que um quarto de sua população deixou a cidade de 2000 a 2010, dezenas de milhares de prédios se transformaram em riscos em vez de lares.

Hoje, 1 entre 8 pessoas mora em favelas e cortiços urbanos, e até 2025, "é provável que 1,6 bilhão necessitará de moradia adequada a preço acessível", segundo o Relatório Cidades do Mundo de 2016 do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (UN-Habitat). O relatório pede para que no futuro os imóveis residenciais sejam colocados no centro da agenda urbana, para tratar desse enorme desafio global.

"Ninguém resolveu essa questão", disse Frewen.

Behrokh Khoshnevis, professor de engenharia da Universidade do Sul da Califórnia e diretor do seu Centro para Tecnologias de Fabricação Automatizada Rápida (Craft, na sigla em inglês), é um dos muitos inovadores à procura de uma forma de minimizar as crises habitacionais do futuro. "De alguma forma, temos que tratar da questão do abrigo, que está na base da pirâmide das necessidades", disse Khoshnevis.

Ele espera que seu método de construção com impressoras 3D, que ele chama de "Countour Crafting", crie uma forma de construção de imóveis residenciais por uma fração do custo atual. Apesar de não poder fazer nada a respeito dos preços dos terrenos, Khoshnevis disse que sua tecnologia construiria uma casa em um dia e reduziria o custo de construção em 30%.

Para as cidades no futuro distante, Khoshnevis e a Nasa (a agência espacial americana) estão trabalhando juntos na construção de estruturas na Lua utilizando o Contour Crafting, com materiais disponíveis lá. Se os seus tataranetos acabarem vivendo em Marte, poderá ser uma dessas máquinas que construirá suas casas.

Khoshnevis conta com algumas pessoas poderosas que acreditam em seu trabalho. Eric Schmidt, presidente-executivo da Alphabet, a empresa dona do Google, listou recentemente a construção com impressoras 3D em uma lista de "próximas ideias realmente interessantes", referindo-se a ideias que mudarão radicalmente o futuro. "Podemos construí-las com materiais 100% recicláveis", disse Schmidt. "Logo, é outro bom motivo do ponto de vista ambiental."

Arthur Mamou-Mani, diretor da Mamou-Mani Architects e da FabPubs, assim como professor da Universidade de Westminster, disse que os seres humanos estariam muito mais capacitados para enfrentar os desafios e responder com soluções criativas em consequência da disponibilidade de impressoras 3D e outras máquinas de fabricação.

David Azia/The New York Times
7.jul.2016 - O arquiteto Arthur Mamou-Mani com uma banqueta feita em uma impressora 3D em Londres, na Inglaterra


Sua empresa está imprimindo cadeiras para o Food Ink, um restaurante que usa tecnologia de impressora 3D para preparo de alimentos. Ele diz que uma mudança imensa está para ocorrer, na qual as pessoas poderão personalizar, baixar e imprimir itens como roupas, telhas, dobradiças de armário, carros e autopeças, seja em casa ou em um laboratório de fabricação próximo. Sites abertos como WikiHouse, Instructables e Thingiverse encorajam o desenvolvimento de projetos para impressoras 3D e disseminam planos prontos. Na forma de arquivos digitais online, os objetos que compraremos não mais serão finalizados, mas estarão em mutação constante, disse Mamou-Mani.

Os tipos de arquivos aos quais as pessoas terão acesso abrirão áreas geralmente não pensadas como sendo parte da construção de casas. Por exemplo, apesar de algumas pessoas falarem sobre como drones poderiam recolher e mover casas no futuro, disse Mamou-Mani, "a casa poderia ser o drone. Por que separar da casa a coisa que transporta você? Apenas a transforme na casa".

"Nossa geração é cada vez mais nômade, criada com companhias aéreas de baixo custo e que trabalha com frequência em casa com notebooks, portanto fazer com que nossas casas voem será visto como normal no futuro, e assim como qualquer ave migratória, as fronteiras entre os países serão vistas como uma relíquia absurda do passado."

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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