"Terra de ninguém", Antártida tem crimes que nunca foram solucionados

Bryant Rousseau

  • Daniel Berehulak/The New York Times

    Pesquisadores russos e chilenos bebem vodca caseira em estação na Antártida

    Pesquisadores russos e chilenos bebem vodca caseira em estação na Antártida

Uma morte não solucionada, um ataque com arma letal, mau comportamento movido a álcool. A Antártida tem um histórico criminal respeitável para um continente onde não mora praticamente ninguém.

É um lugar vasto, com um tamanho quase duas vezes maior que o da Austrália, mas ele não tem uma população permanente, além de alguns poucos milhares de cientistas e membros de uma equipe de apoio de dezenas de países que são enviados temporariamente para conduzir pesquisas.

No entanto, em qualquer lugar que existem humanos, atos violentos e crimes menores podem acontecer, e isso levanta a questão: como os casos criminais são resolvidos onde a questão da soberania é uma bagunça e não há tribunais, prisões ou forças policiais permanentes?

Sob os termos do Tratado da Antártida de 53 nações, os trabalhadores acusados de crimes graves em uma base de pesquisa estão sujeitos à jurisdição de seu país natal.

Então quando um cozinheiro americano atacou um colega de trabalho com um martelo em 1996, na Estação de McMurdo —a maior base na Antártida, com até 1.000 trabalhadores— o FBI enviou agentes para investigar e colocar o cozinheiro sob custódia. Enquanto isso, ele ficou simplesmente confinado em uma cabana; afinal, para onde ele iria fugir?

Um clima extremo pode tornar impossível uma viagem para a Antártida durante dias ou semanas. Então, em todo caso, o gerente da estação em McMurdo também é um vice-delegado especial dos EUA, com treinamento em proteção de provas e poder para prender americanos por crimes cometidos contra outros americanos. Outros países têm arranjos similares com chefes de estação em suas bases.

Roubos são raros porque as pessoas não podem trazer muito para a Antártida, e praticamente não existe utilidade para o dinheiro. No entanto, é comum o consumo de bebidas, e às vezes isso leva a brigas ou incidentes de nudez em público (brrr!). Crimes menores muitas vezes são resolvidos simplesmente demitindo os culpados e mandando-os de volta para casa.
A possível complicação é nos crimes que envolvem cidadãos de diferentes países.

"Assim que surge qualquer coisa relativa à soberania territorial da Antártida, sinceramente você entra em um quebra-cabeça", diz Alan Hemmings, um especialista jurídico que costumava comandar uma base britânica na Antártida.

Sete países —Argentina, Austrália, Reino Unido, Chile, França, Nova Zelândia e Noruega— reivindicam soberania sobre partes do continente desmilitarizado. O resto do mundo diz que nenhuma nação é dona de nenhum centímetro dela.

As três bases administradas pelos Estados Unidos, incluindo a de McMurdo, ficam em um território reivindicado pela Nova Zelândia. Quando Rodney Marks, um australiano, morreu em 2000 em uma das bases —a Estação Polo Sul Amundsen-Scott— seu corpo foi levado até a Nova Zelândia para uma autópsia, cuja conclusão foi de que ele havia morrido de envenenamento por metanol. A polícia neozelandesa investigou, mas nunca determinou se sua morte foi um acidente, um suicídio ou talvez o único homicídio já registrado na Antártida.

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