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Freakonomics.com: Votações, confrontos e roubos

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

A proibição do aborto em Portugal Vários jornalistas portugueses me contataram para saber minha opinião a respeito do referendo sobre a legalização do aborto em Portugal, realizado no início do mês. Mais da metade dos 8,7 milhões de eleitores do país predominantemente católico ficou em casa, segundo a agência de notícias Reuters. Dos que votaram, 59,3% querem a legalização do aborto, enquanto 40,8% preferem que o procedimento continue proibido. Afinal, o primeiro-ministro português, o socialista José Sócrates, disse que apesar do baixo comparecimento a votação foi suficiente para convencer o Parlamento a legalizar o aborto somente nas primeiras dez semanas de gravidez. Depois de pensar um pouco, decidi não responder a qualquer jornalista que me enviou perguntas. Eu sabia que eles queriam discutir minha pesquisa sobre aborto e criminalidade publicada em nosso livro "Freakonomics". Mas essa pesquisa é virtualmente irrelevante para qualquer discussão sobre a legalização do aborto. Na verdade, creio que o aborto legalizado, ao reduzir o número de crianças indesejadas, reduz a criminalidade futura. Por outro lado, se você dá algum valor a um feto ou ao direito de uma mulher escolher, quaisquer benefícios da redução de criminalidade são superados por essas outras considerações. Eu poderia tentar explicar isso aos repórteres, mas, segundo interações anteriores com jornalistas sobre o tema, essa não é a resposta que eles querem escutar e conseqüentemente não sai nas reportagens. Afinal, o aborto legalizado é uma questão moral e política, e não econômica - mesmo sob minha definição incrivelmente ampla sobre o âmbito da economia. Por isso o que eu penso simplesmente não importa. Steven D. Levitt Ladrões em serviço Se você teme que sua casa seja assaltada, talvez queira dar uma olhada em um artigo no site chamado adequadamente (embora prosaicamente) Personal Finance Advice [Assessoria financeira pessoal] - www.pfadvice.com. O artigo oferece o que seria o conselho de um "ex-ladrão" dando algumas dicas sobre onde esconder seus bens valiosos. A resposta óbvia: "no banco". Aqui estão algumas outras indicações: 1. Se você mantém dinheiro em casa, deixe um pouco onde o ladrão possa encontrar. Talvez ele pense que está todo ali. 2. Deixe uma lista visível mostrando que todos os seus bens valiosos estão guardados em um cofre no banco. 3. Se você tem filhos, considere esconder dinheiro em seus quartos. Esses quartos geralmente são bagunçados demais para um ladrão se incomodar. Aparentemente, os assaltantes pensam que os pais não correriam o risco de esconder dinheiro onde seus filhos pudessem encontrá-lo. Se você está procurando mais informações sobre o que os ladrões pensam (resposta resumida: "não muito"), dê uma olhada no fascinante livro "Burglars on the Job: Streetlife and Residential Break-ins" [Ladrões em serviço: A vida nas ruas e assaltos residenciais], de Richard T. Wright e Scott Decker. é claro que há alguns ladrões muito espertos por aí, como Blane Nordahl, um ladrão especializado em prata que visava vítimas ricas que eu entrevistei para a revista "The New Yorker", ou o ladrão de jóias Alan Golder, conhecido como The Dinnertime Bandit [o bandido da hora do jantar], que tem até um site dedicado à sua "carreira". Mas nenhum desses sujeitos foi suficientemente esperto: Nordahl está na prisão e Golder foi preso recentemente na Bélgica. Nordahl certa vez invadiu uma casa em Nova Jersey e roubou toda a prata, mas deixou um monte de dinheiro intocado. Foi a resposta a um detetive de Nova Jersey que o perseguia. O ladrão queria apenas que as autoridades soubessem que era ele, o conhecedor de prata, quem fez o serviço e não um ladrão qualquer que parou para arranjar um trocado. Stephen J. Dubner Por que os torcedores esportivos nos EUA não são violentos? No início deste mês na Sicília, durante uma partida de futebol entre Catania e Palermo, os torcedores se enfrentaram diante do estádio Angelo Massimino, na Catania, resultando na morte de um policial de 38 anos. Foi a segunda morte relacionada ao futebol na Itália em menos de um mês. Em conseqüência disso, muitas partidas por todo o país no fim de semana seguinte foram disputadas em estádios vazios. Os estádios escolhidos ficaram fechados ao público até que as instalações cumprissem os novos regulamentos destinados a evitar que os torcedores matem outras pessoas. Não foram só os torcedores que detestaram essa "decisão de compromisso" do governo italiano. Quando os jogadores souberam dela, ameaçaram fazer greve. O fanatismo no futebol não é surpresa para os que acompanham o esporte ou leram os livros "Among the Thugs", de Bill Buford, ou "How Soccer Explains the World", de Franklin Foer. "Estamos falando de um câncer, e não de uma gripe sazonal", escreveu um comentarista de futebol depois desse último exemplo de violência no esporte. Mas, refletindo sobre essa morte recente, me surpreendo pensando em como os torcedores esportivos nos EUA são relativamente muito menos violentos. Já vi muitas brigas irromperem durante eventos esportivos nos EUA, mas geralmente elas se resumem a alguns socos, empurrões, xingamentos por causa da cerveja derramada. E depois as coisas se acalmam. às vezes um torcedor ou dois são expulsos ou até presos. Ouvi falar que o Yankee Stadium, a catedral do beisebol em Nova York, tem uma pequena cadeia com esse objetivo, mas nunca a vi. Então por que num país com um índice de crimes violentos maior do que quase todos os outros países desenvolvidos, sofremos muito menos violência de torcedores nesses eventos? Aqui estão algumas teorias: 1. Muitas partidas de futebol são mais assuntos locais do que os eventos esportivos americanos, assim atraindo muitos torcedores dos dois times, que têm maior probabilidade de se enfrentar do que se 95% do público torcer pelo mesmo time. 2. Existe melhor segurança nos EUA. 3. Os americanos bebem menos. Muitos estádios e ginásios nos EUA hoje encerram a venda de cerveja e álcool até o final da partida. 4. Talvez os espectadores americanos não incluam muitos membros do elemento criminoso - resultado, talvez, do alto preço dos ingressos. 5. Durante anos se falou em como os esportes americanos, especialmente o futebol americano, são um substituto para a guerra e a violência. Talvez isso seja realmente verdade. Stephen J. Dubner Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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