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Freakonomics.com: Trens, aviões e norte-americanos acima do peso

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Como enganar o sistema de trens de passageiros de Mumbai Em um website chamado Reality Is A Farse (A Realidade é Uma Farsa), o bloguista Ganesh Kulkarni afirma ter descoberto que os trens urbanos de Mumbai atendem a seis milhões de passageiros diariamente, mas que o sistema não está equipado para checar as passagens de todos os usuários. Em vez disso, escreve Kulkarni, os fiscais verificam aleatoriamente as passagens de alguns passageiros. Isso deu margem a uma forma de trapaça que é elegantemente chamada de "viagem sem passagem". Embora provavelmente não seja muito comum ser pego viajando sem passagem, existe uma multa significativa para quem é descoberto. Assim sendo, escreve Kulkarni, um passageiro esperto elaborou um seguro para garantir que os passageiros sem passagem que sejam flagrados tenham condições de arcar com o valor da multa. Paga-se 500 rupias (cerca de US$ 11) para ingressar em uma organização composta por outros passageiros que não pagam passagem. A seguir, se o indivíduo é descoberto viajando sem passagem, ele paga a multa às autoridades e, depois disso, apresenta o recibo à organização dos sem-passagem - que cobre 100% do valor da multa. Vocês não gostariam que todos fossem tão criativos quanto esses trapaceiros? Mas, o mais importante: não haveria um grande retorno financeiro caso se investisse na contratação de um número suficiente de fiscais encarregados de checar as passagens, de forma que esse sistema ferroviário realmente fizesse com que todos pagassem? Se eu dirigisse uma pequena empresa de investimentos, cogitaria assumir o sistema ferroviário de Mumbai, ou pelo menos a parte que se refere à coleta de passagens. Stephen J. Dubner A vigilância aérea poderia impedir a ação dos terroristas em Bagdá? Li um recente artigo no "USA Today", o jornal norte-americano de circulação nacional, sobre algo chamado "Project Chloe" ("Projeto Cloé"), um projeto piloto do governo norte-americano (perdoem o trocadilho) para determinar se aeronaves não tripuladas voando sobre aeroportos poderiam proporcionar uma segurança extra contra o terrorismo. Essa história fez com que eu me lembrasse de uma conversa que tive recentemente com um homem que conheci em uma conferência. Estávamos discutindo como combater o terrorismo em Bagdá, quando ele sugeriu que se empregassem aviões não tripulados no céu de Bagdá, capazes de monitorar detalhadamente os movimentos de cada pessoa e veículo na cidade. Depois, após um ataque, as forças armadas dos Estados Unidos poderiam "voltar atrás" a fita e identificar o veículo envolvido em um ataque suicida a bomba, rastreando-o pelas ruas de Bagdá até o ponto de origem. Conhecer o local de onde um ataque se originou seria um grande começo para o combate aos terroristas. Por que esse plano não pode ser implementado? Talvez a resposta seja simplesmente o fato de ele não ser tecnologicamente viável. Para mim, o outro problema quanto a essa idéia é o fato de que, caso ela fosse colocada em prática, a resposta lógica dos terroristas seria lançar os ataques de locais mais remotos, fora do alcance do sistema. Mas talvez tal plano não fosse de todo ruim. Ele aumentaria os custos dos ataques e proporcionaria oportunidades adicionais de capturar os terroristas antes que estes atingissem os seus alvos. Steven D. Levitt Uma outra explicação da obesidade baseada na lei da oferta e da procura é difícil acompanhar toda a discussão sobre a obesidade nos Estados Unidos. No passado, tal discussão me levou a refletir sobre até que ponto esse problema é sério, no motivo pelo qual o índice de obesidade nos Estados Unidos aumentou tanto e no que se pode fazer para acabar com o problema. Isso chegou a fazer com que eu sugerisse que o aumento do preço do petróleo poderia ajudar a reduzir a obesidade norte-americana. O petróleo mais caro poderia estimular a produção de etanol a partir do milho. Isso faria com que os fabricantes de alimentos procurassem outros adoçantes para substituir o altamente calórico xarope de milho. Agora foi lançado um novo trabalho chamado "Why Is the Developed World Obese?" ("Por que o Mundo Desenvolvido é Obeso?"), de autoria de Sara Bleich, David Cutler, Christopher Murray e Alyce Adams. Eles concluem que "o aumento da obesidade é basicamente o resultado do consumo de mais calorias", e não de outros fatores como, por exemplo, a redução das atividades físicas. "O aumento do consumo calórico está associado a inovações tecnológicas como a redução do preço dos alimentos, bem como a mudança de fatores sócio-demográficos tais como a crescente urbanização e a maior participação da mulher na força de trabalho", diz o relatório. Em outras palavras: quando há muita comida barata por toda parte, as pessoas tendem a comer muito. Nos Estados Unidos, até mesmo os pobres podem se dar ao luxo de serem obesos. Esta relação entre pobreza e obesidade é tão robusta que é fácil esquecer que trata-se de uma anomalia histórica. Stephen J. Dubner UOL

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