Freakonomics.com: perguntas ao economista do "The Bottom Billion"

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Na semana passada, pedimos perguntas em Freakonomics.com para o economista premiado Paul Collier, autor de "The Bottom Billion" e do recém-publicado "Wars, Guns, and Votes: Democracy in Dangerous Places".

Em suas respostas abaixo, Collier, um professor da Universidade de Oxford, fala sobre o motivo do impacto do colonialismo na África ser exagerado, como os países africanos são "grandes demais para serem nações, mas pequenos demais para serem Estados", e como a atual recessão afetará aqueles que já vivem na pobreza.

Os leitores apresentaram ótimas perguntas e há muito o que aprender e admirar nas respostas de Collier.

Pergunta: Até que ponto as causas raízes da desigualdade no produto econômico ocidental e africano podem ser traçadas a diferenças culturais como a regra da lei, individualismo, capitalismo e democracia representativa? Até que ponto a pobreza africana é resultado do colonialismo europeu -e até que ponto o colonialismo europeu foi possível devido à pobreza africana? Ovo ou galinha?

Resposta:
Eu duvido das explicações culturais. Na Coréia do Sul as pessoas costumavam se arrastar pelas calçadas; agora elas correm. O valor do tempo aumentou. O Leste Asiático foi diagnosticado como sendo incapaz do desenvolvimento por causa da ética confuciana!

Eu acho que a continuidade do impacto do colonialismo na África é exagerada. A Etiópia virtualmente escapou dele e não se saiu muito melhor do que os outros -o mesmo em relação a Serra Leoa e Libéria. O colonialismo europeu foi ajudado militarmente pela pobreza africana, mas a pobreza também manteve os europeus distantes. Veja o exemplo dos italianos: apenas 3 mil colonos foram para sua colônia na Eritréia, contra um vasto número de emigrantes para as Américas.

Pergunta: Que atividades, bens e serviços são baratos no Primeiro Mundo mas caros na África, e por que? Por favor, responda esta pergunta tanto do ponto de vista do consumidor quanto do ponto de vista do empresário.

Resposta:
Qualquer coisa que seja importada por causa das tarifas e monopólio dos canais de distribuição. Muitos serviços são mal organizados, como a distribuição do varejo. Por outro lado, alguns serviços eletrônicos são de valor muito bom na África.

Pergunta: Que impacto a atual recessão terá sobre os mais pobres, o bilhão da base? Que políticas de intervenção por parte dos governos ocidentais e governos dos países pobres fariam uma diferença significativa e poderiam ser realisticamente esperadas?

Resposta:
Recessão: canais de transmissão muito diferentes, a redução das remessas de dinheiro atingindo os lares comuns e a queda nos preços dos commodities atingindo a receita dos governos. Mas nem tudo é desgraça; a África ainda assim crescerá, diferente dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Políticas de intervenção: uma realmente fácil seria exigir de nossos bancos, mais os bancos de paraísos fiscais, uma transparência em relação ao dinheiro corrupto depositado neles assim como o dinheiro ligado ao terrorismo.

Pergunta: O que você acha do argumento de (a economista) Dambisa Moyo de que a ajuda estrangeira à África deve ser reduzida, porque engendra dependência e mina o empreendedorismo?

Resposta:
Dambisa foi minha aluna e ficou feliz por jovens africanos não estarem mais preparados para permitir que seu continente seja definido pela condição de vítima. Eles reconhecem que os africanos podem moldar seu próprio futuro.

Entretanto, eu não concordo com ela que a ajuda é inútil. Especialmente com a falta de financiamento privado, agora é a hora para o dinheiro público internacional; ele é necessário. Entretanto, ele é frequentemente mal utilizado.

Pergunta: Como cidadão americano, que ações posso tomar para melhorar as condições do bilhão da base? Há alguma legislação federal que posso apoiar ou uma caridade para a qual posso doar?

Resposta:
Legislação: a prorrogação da Lei de Crescimento e Oportunidade para a África. Caridades: Kiva e muitos empreendimentos sociais empolgantes. A WorldVision é bastante sensível com base na minha experiência.

Pergunta: Você acha que muitos países da África são pequenos demais ou grandes demais (culturas, identidades e tribos diferentes demais) para poderem funcionar de modo apropriado?

Resposta:
Esta é a base do meu novo livro, "Wars, Guns, and Votes": grandes demais para serem nações, mas pequenos demais para serem Estados. Infelizmente, sim, eu concordo.

Pergunta: Com a exceção de alguns países muito montanhosos (Suíça, Butão, etc.), quase todos os países bem-sucedidos possuem certa área de terra costeira. Há vários países africanos sem saída para o mar; você acha que há alguma esperança de poderem se desenvolver com sucesso sem acesso costeiro? Se não, como este problema poderia ser resolvido?

Resposta:
Eu acho que este é um problema muito severo. Eles não deveriam ter se tornado países, mas se tornaram, de forma que precisamos de algo de maior ajuda. Serviços eletrônicos melhores elos de transporte para a costa ajudariam.

Tradução: George El Khouri Andolfato

UOL Cursos Online

Todos os cursos