Enquanto o Uber tropeça, apps rivais alemães prosperam no país

Mark Scott

Em Frankfurt (Alemanha)

  • Chris Ratcliffe/Bloomberg

Nic Mewes sabia que o Uber, a empresa de serviço de carona remunerada, enfrentaria problemas desde que iniciou sua expansão para a Alemanha no início de 2014.

Mewes, fundador de um aplicativo concorrente de táxi por demanda para smartphone, o MyTaxi, considerou oferecer um serviço como o Uberpop quando abriu sua nova empresa em 2009. O Uberpop, o serviço de baixo custo do Uber, emprega motoristas sem licença e é semelhante ao UberX nos Estados Unidos.

Mas após conversas com as autoridades locais e com grupos de táxis, Mewes, um alemão de 37 anos, percebeu que as rígidas regras de transporte da Alemanha –que envolvem exames de saúde, inspeções de segurança e licenças emitidas pelo Estado para todos os operadores de táxis– nunca permitiriam que um serviço de baixo custo como esse operasse livremente no país, a maior economia da Europa.

"Em cada país, você precisa estar preparado para mudar sua configuração", disse Mewes, cuja startup agora opera em vários países europeus após ser adquirida pela Daimler, a fabricante de automóveis alemã, em 2014. O MyTaxi conta atualmente com 45 mil motoristas usando sua plataforma online, com aproximadamente metade deles baseados na Alemanha. "É por isso que o Uber fracassou aqui. Eles não estão dispostos a mudar quando entram em um novo país."

As dificuldades do Uber na Alemanha representam um dos poucos casos em que a empresa fracassou em ter sucesso em seus planos agressivos de expansão global, que agora incluem operações em mais de 350 cidades em cinco continentes.

No final do ano passado, por exemplo, a empresa saiu de Frankfurt, Hamburgo e Düsseldorf, citando regulamentação onerosa e falta de motoristas operando em sua plataforma online.

O serviço de baixo custo do Uber também foi proibido em todo o país, apesar de a empresa estar apelando. O Uber agora só oferece serviços de táxis licenciados em Berlim e Munique, o que representa uma pequena fração dos dezenas de milhares de taxistas espalhados por toda a Alemanha.

Mark MacGann, o chefe de políticas do Uber na Europa, diz que os sindicatos de táxis alemães fizeram um forte lobby para retirar o Uber do mercado, e que o serviço de carona remunerada futuramente retornará a múltiplas cidades por todo o país.

"A Alemanha poderá vir a ser a fronteira final da história de sucesso do Uber na Europa", ele disse. "Estou confiante de que a Alemanha será um mercado tão grande para nós quanto o Reino Unido é no momento."

Mas enquanto o Uber permanece uma empresa menor na Alemanha, os concorrentes locais –com frequência em colaboração com as operadoras de táxis licenciadas– expandem rapidamente, tirando proveito de seu know-how cultural e regulatório local para ter sucesso enquanto o Uber é forçado a recuar.

À medida que os consumidores locais se tornam mais acostumados a usar os aplicativos para smartphone, muitas empresas de carona remunerada agora oferecem os mesmos serviços que sua rival americana maior, incluindo carona por demanda e preços estimados para cada viagem, apesar de outros benefícios, como pagamentos pelo aplicativo, só agora estão começando a ser adicionados.

A ascensão desses concorrentes alemães gera questões sobre se o Uber, que tem bolsos profundos após sua mais recente rodada de levantamento de fundos ter valorizado o serviço em US$ 62,5 bilhões, conseguirá alcançar os rivais locais que têm atraído uma clientela leal, apesar de não contarem com recursos financeiros comparáveis.

Para se restabelecer na Alemanha, o Uber terá que lidar com pessoas como Hermann Waldner.

Como diretor administrativo de uma central de envio de táxis em Berlim, Waldner não permaneceu parado quando se deparou com os planos de expansão um tanto trôpegos do Uber, que passaram de oferecer principalmente serviços de táxi sem licença para serviços baseados em motoristas certificados.

Waldner também dirige o Taxi.eu, um aplicativo concorrente para smartphone que só utiliza motoristas com licença. Seu serviço cresceu rapidamente na Alemanha e agora está disponível em 12 países, da Bélgica até a Turquia. No total, o Taxi.eu diz que conta com cerca de 160 mil motoristas ativos em sua plataforma online.

Para competir, diz Waldner, os operadores de táxi tradicionais devem abraçar novas tecnologias como os aplicativos para smartphone, além de também se unirem além das fronteiras nacionais para oferecer um serviço "tamanho único" que possa competir com a oferta global do Uber.

"Nós precisamos de uma rede forte para combater o Uber", ele disse. "Essa é a única forma de permanecer forte contra o Uber."

 

Tradutor: George El Khouri Andolfato

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos