Papai Noel deu o drone, mas não a segurança e a habilidade para pilotá-los

Carol Pogash

  • Frederic J. Brown/AFP

"Meu pai ganhou um drone de Natal./ Meu pai perdeu um drone no Natal."
— @miss_jordon, no Twitter

Se esse Natal foi a temporada dos drones, também foi a época das quedas, perdas e lamentos tuitados. As mídias sociais estão cheias de comentários sobre pais (os principais alvos), colisões de drones, namoradas com pequenas hélices enroscadas em seus cabelos (removidas pelas mães) e crianças chorando depois que seus presentes favoritos sumiram nos céus.

"Como você se sentiria se seu laptop saísse voando?", o marido de Shelley Holloway lhe perguntou depois que ele perdeu seu drone de Natal. Shelley, de Clawson, no Michigan, havia postado um comentário no Nextdoor, uma rede social comunitária, dizendo que "o Natal dele foi arruinado desde então". (Aparentemente ele não gostou da gozação.)

A maioria dos drones são brinquedos inofensivos —ainda que pareçam ter um prazo de validade mais curto que uma árvore de Natal— e podem ser comprados pela Amazon ou pelo Wal-Mart por menos de US$ 100. Mas os drones, particularmente os maiores, podem causar grandes estragos e machucar pessoas, especialmente nas mãos de iniciantes.

Assim como pássaros, os drones podem ser sugados para dentro de motores, criando o risco da queda de aviões. Também existe o risco de os drones em si caírem em cima de pessoas ou em propriedades alheias. A Agência Federal de Aviação (FAA) exige um registro de US$ 5 para drones acima de 250 gramas, e as seguradoras estão se preparando para uma onda de acidentes relacionados a drones.

"Somos inflexíveis", disse Scott McLean, porta-voz do Departamento de Silvicultura e Proteção de Incêndios. "Se um drone é visto nas proximidades de um incêndio florestal, nós removemos nossa aeronave, o que infelizmente pode fazer com que o incêndio se alastre exponencialmente."

A agência, conhecida como CalFire, adotou o alerta: "Se você voa, nós não conseguimos voar!". Ela possui uma frota de 50 aeronaves e 12 milhões de hectares para cobrir. Depois que um drone sobrevoou o que se chama de Trailhead Fire em Auburn, na Califórnia, no verão passado, a CalFire manteve sua aeronave em solo por duas horas.

Cerca de 2,8 milhões de drones foram vendidos nos Estados Unidos no ano passado, sendo cerca de 1,2 milhão deles no período de festas, de acordo com a Consumer Technology Association. Até o dia 13 de dezembro, pouco mais de 500 mil pessoas tinham se registrado junto à FAA. O resto dos proprietários certamente aparecerá em breve—se é que eles já não destruíram seus drones.

"Minha filha ganhou um drone do Papai Noel, e em sua primeira saída ele decolou e nunca mais voltou", alertou Jim Stephens de Orinda, Califórnia, a seus vizinhos pelo Nextdoor. "Se vocês encontrarem um drone branco e laranja no seu quintal ou em alguma árvore, por favor me avisem."

Em uma entrevista, Stephens disse que controlar um drone foi mais difícil do que ele esperava. "Eu deveria ter deixado ela pilotar. Talvez ainda estivéssemos com ele", ele disse. Sua filha, Iris, tem 6 anos de idade.

Juan J. Alonso, professor de aeronáutica e astronáutica na Universidade de Stanford, que faz parte do conselho consultivo sobre drones da FAA, suspeita que muitos compradores de drones tenham ficado surpresos com a potência de suas máquinas —que amadores costumam voar a 24 km/h, mas usuários experientes conseguem elevar a 64 km/h.

"Em geral as pessoas compram drones pequenos, de até US$ 500 ou US$ 600", ele disse. "Elas provavelmente são iniciantes que logo superam a capacidade do drone ou sua própria capacidade como pilotos. A maior parte das pessoas não tem treinamento nenhum."

Embora um drone consiga ir "até a altitude que você quiser", disse Alonso, a FAA limita sua altitude a 120 metros.

"Essas são máquinas muito sofisticadas", ele acrescentou. "Queremos nos certificar de que as pessoas as usem de forma responsável."

A FAA recebe mais de 100 relatos por mês de pilotos que reclamam de drones que voaram perto demais de suas aeronaves, de acordo com um porta-voz da agência. Os drones já machucaram pessoas e causaram interrupções de energia.

Os drones parecem "brinquedos inocentes", disse Brad Koeckeritz, chefe da divisão de sistemas de aeronaves não-tripuladas para o Departamento do Interior. Mas no ano passado seu departamento "teve mais de 50 encontros com drones sobre incêndios florestais", a maioria deles pilotados por amadores, ele disse.

"A questão é que colisões em pleno ar com aeronaves envolvidas em um voo baixo sobre um incêndio ou aproximando-se de uma pista de pouso poderiam ter consequências fatais", ele disse.

Para melhorar a segurança dos drones, a FAA criou um aplicativo, o B4UFly, e um website repleto de dicas. Mesmo as pessoas que voam drones com luzes precisam seguir as regras da FAA, que incluem não operá-los no escuro, manter o aparelho dentro do campo de visão e não sobrevoar grupos de pessoas ou perto de aeroportos ou outras aeronaves.

Anthony Melton de Sugar Land, no Texas, estava seguindo as regras quando aconteceu o desastre.

"Sim, isso mesmo —mais um drone perdido na vizinhança", disse Melton em uma postagem no Nextdoor. Seu filho estava voando o drone quando ele o perdeu e ele chorou; Melton não conseguia dormir, de tão chateado. Então um vizinho o viu em seu telhado, e foi o fim da crise.

Os fabricantes de drones alertam as pessoas sobre os riscos, mas alguém por acaso realmente lê esses extensos manuais antes de sair correndo para testar o brinquedo novo?

"Pode-se dizer que ninguém deveria tirar um drone de uma caixa e tentar descobrir como ele funciona colocando-o para voar", disse Brendan Schulman, vice-presidente de políticas e questões jurídicas da DJI, a empresa chinesa que domina o mercado pessoal e profissional de drones para fotografia área de alta qualidade.

Os drones da DJI para consumidores, vendidos a preços que vão de US$ 399 a US$ 1.199, possuem dispositivos de segurança embutidos, incluindo o auto-retorno e pouso quando a bateria está fraca, sensor de desvio de obstáculos e "geofencing" (delimitação geográfica), que evita que um drone voe perto de aeroportos, usinas nucleares ou outros pontos sensíveis (inclusive qualquer parte perto de Washington, D.C.).

Mas o mercado está repleto de imitações, que podem não ter esses dispositivos. E o "erro de pilotagem" é um grande problema.

"O papai bateu o drone da Julia na árvore do vizinho e o quebrou no primeiro voo. Feliz Natal!", tuitou @RachelGriffith

Duas horas depois, Griffith atualizou a tuitosfera: "Ele o consertou, e logo em seguida o enfiou na copa de uma árvore enorme."


 

Tradutor: UOL

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