ONU menospreza terrorismo e prefere focar críticas em Israel

Yoel Barnea

Yoel Barnea

Especial para o UOL

O Estado de Israel se solidariza com o país amigo da Bélgica, depois dos terríveis atentados do último dia 21 de março, envia suas condolências às famílias dos inocentes assassinados e deseja pronta recuperação aos feridos. Esses atentados ceifaram as vidas de pelo menos 35 cidadãos inocentes de várias nacionalidades, além de deixar mais de 300 feridos.

Nós sublinhamos, ao longo de todos esses anos, que o terrorismo indiscriminado, que não conhece fronteiras, não se limitaria a Israel e ao Oriente Médio, e chegaria também a outros países e continentes. João Pereira Coutinho, em artigo na Folha, cita um jornalista inglês que disse, cinicamente, há alguns anos: "O país (Israel) é nossa salvação: enquanto as bombas forem para eles, nós estaremos seguros". Pois é, mas as bombas e o terrorismo islâmico, infelizmente, chegaram aos Estados Unidos e à Europa, em países como Bélgica, França, Turquia e Espanha, além de outros continentes.

A luta dos extremistas não é por territórios ou contra injustiças ou violações de diretos humanos. O Estado Islâmico quer destruir a cultura e o estilo de vida dos "infiéis" ocidentais, e nesta luta tudo é permitido. É o culto da morte frente à defesa da vida, que é um princípio fundamental dos países democráticos de bem. Não devemos nem podemos generalizar, mas o fanatismo terrorista islâmico crê que tem direito de matar e assassinar indiscriminadamente "em nome de Deus". Isso é uma aberração. Deus é vida; ferir e assassinar sem discriminação aqueles dos quais discordamos, em nome da religião, qualquer que seja, é um contrassenso e um absurdo.

O terrorismo extremista islâmico não vai se satisfazer se oferecermos a eles Bruxelas, Istambul, Califórnia ou mesmo a Cisjordânia. Eles querem nossa destruição e sua dominação total. Sua exigência é que os "infiéis" desapareçam. As ações terroristas têm esses alvos: contribuir com o extermínio dos princípios essenciais do respeito à vida e aos direitos humanos e das sociedades que professam esses princípios.

Enquanto mais de 19 milhões de sírios, iraquianos e iemenitas fogem de suas cidades e lares destruídos, e muitos deles perdem suas vidas, o Estado Islâmico e a Al Qaeda expandem suas redes de terrorismo no Oriente Médio e também na Europa. Enquanto o Irã e a Coreia do Norte provam suas capacidades nucleares, os atentados extremistas se multiplicaram nos últimos meses em várias cidades europeias e na África.

A Comissão dos Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, aloca seus limitados recursos humanos, financeiros e de tempo para tratar de projetos de resolução contra Israel, focando apenas em nosso país –como se não existissem violações de direitos humanos no planeta, como aqueles descritos acima e tantos outros. Faz parecer completa a paz e a compreensão entre os povos e os países, e o único empecilho seria a atuação do Estado de Israel.

Atos terroristas indiscriminados, com centenas de mortos e numerosos feridos no Oriente Médio e na Europa, além do genocídio dos yazidis no Iraque, as violações de direitos humanos no conflito interno na Síria –com mais de 300 mil mortos– e a destruição do país são ignorados pela dita Comissão das Nações Unidas, e não merecem sua consideração. Que hipocrisia! Quanta discriminação e destaque negativo do Estado judeu! Quanto menosprezo pela vida de tantas vítimas inocentes no Oriente Médio e na Europa! Nosso embaixador na ONU em Genebra declarou que essa comissão deve se submeter a uma "terapia de comportamento" para tratar de sua obsessão com Israel.

Infelizmente, Israel tem uma longa experiência na sua luta contra o terrorismo palestino e islâmico, desde sua criação, há 68 anos. Nos últimos meses, Israel se confronta com o terrorismo palestino "das facas", que ferem e assassinam nossos cidadãos. Frequentemente, somos criticados quando nos defendemos contra os agressores. O resultado, às vezes, é a morte daqueles que nos atacam.

O terrorismo extremo e fanático será vencido, sem dúvida nenhuma, quando os países democráticos, de boa vontade e que respeitam os direitos humanos se unirem para investir esforços comuns e indiscriminados contra essa praga perigosa e desumana que atenta contra nossas sociedades, e que ameaça e compromete os princípios básicos de nossa cultura e civilização.

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Yoel Barnea

é cônsul de Israel em São Paulo

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