Dicas para se livrar de influências ideológicas (não só na escola)

Rodrigo Cavalcante

Rodrigo Cavalcante

Especial para o UOL

Advertência: este texto contém ironias

Ideologia é como glúten: mesmo onde você menos espera, ela está lá, disfarçada em meio a outros ingredientes. Daí que projetos como o "Escola Livre" ou o "Escola Sem Partido" talvez não sejam suficientes para nos livrar desse mal.

Abaixo, nove passos práticos que você pode adotar –inclusive, em casa– para defender sua neutralidade.

1) Comece suprimindo a obrigação de ler –inclusive, para processos seletivos de universidades– alguns dos chamados clássicos da nossa literatura.  Nada de Graciliano Ramos ou Jorge Amado, por exemplo. Afinal, os dois foram correligionários do Partido Comunista, viajaram à União Soviética e nunca esconderam suas preferências ideológicas.

2) Entre os poetas, todo cuidado é pouco. Não se engane com o semblante pacato de funcionário público de Drummond. Além de infestada de populismo esquerdista, sua obra póstuma "Amor Natural" revelou, de fato, o que ele era: um velho pornográfico.

3) Lembre-se que não há nada de inocente na literatura infantil. Jamais permita que seus filhos atravessem a porteira do sítio racista, conservador, ateu e sei lá mais o quê de Monteiro Lobato.

4) Entre os clássicos da "formação social brasileira", evite entrar na "Casa Grande & Senzala" do reacionário senhor de engenho disfarçado de sociólogo Gilberto Freyre. Tampouco procure falsos sentidos na história do Brasil na obra obsoleta do comunista Caio Prado Júnior ou nas raízes de Sérgio Buarque de Holanda –este último, além de ter sido um dos fundadores do PT, é pai de Chico Buarque.

5) Na música, evite não apenas o açúcar ­–e o afeto ao PT– de Chico Buarque, mas fuja de quase toda a MPB. Essa onda de infiltrar populismo social em canções de amor foi financiada até pelo Itamaraty quando pagou salários nababescos a um diplomata preguiçoso que pouco fez para projetar a imagem do país: Vinícius de Moraes. Para evitar influências religiosas e sombrias, evite principalmente os afro-sambas em parceria com Baden Powell.

6) Na economia, nada de ser colonizado pela ideologia anacrônica da obra de Celso Furtado. À direita, mantenha distância dos argumentos afiados de Mário Henrique Simonsen e não acenda a lanterna na popa do ultraliberal Roberto Campos.

7) Na arquitetura, toda atenção às curvas perigosas de concreto armado do comunista Oscar Niemeyer. Não é uma tarefa fácil, já que há obras dele espalhadas por todo o Brasil, então, na dúvida, evite Brasília.

8) Proteja-se do excesso de exposição às imagens de Sebastião Salgado –que fez doações ao MST após acumular fortuna clicando a miséria alheia. Evite também o esquerdismo do velho Cinema Novo e a influência ao redor do novo Cinema Velho, feito por cineastas como o pernambucano Kleber Mendonça Filho.

9) E, óbvio, nada de contato com a obra do conservador, misógino e pornográfico Nelson Rodrigues, que, além de ultrarreacionário, era Fluminense –eu sou Flamengo.

Seguindo os passos acima, você provavelmente descobrirá que não é tão difícil assim manter-se livre de influências e continuar sendo quem você... sempre foi.

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Rodrigo Cavalcante

é jornalista com especialização em Jornalismo Político e em Direção Editorial e editor do site Agenda A

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