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Viúva de Toninho do PT pede a ministros em Brasília federalização das investigações

Maurício Simionato<br>Especial para o UOL Notícias<br>Em Campinas (SP)

2011-09-10T07:00:00

10/09/2011 07h00

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disseram nesta semana a Roseana Moraes Garcia, viúva de Toninho do PT, que vão analisar o pedido de federalização e de entrada da Polícia Federal nas investigações. Eles disseram ainda que darão uma resposta rápida à família. Cardoso estimou prazo de 15 dias. Gurgel não definiu uma data para dar a resposta.  

O assassinato do ex-prefeito de Campinas (93 km de São Paulo) Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, completa dez anos nesse sábado (10).

Roseana esteve em Brasília na última terça-feira (6) para tentar, pela última vez, transferir a investigação do caso para a esfera federal. “As audiências tiveram o objetivo de tratar da imediata entrada da Polícia Federal no caso, pedido feito pela família desde o assassinato do prefeito, devido às inúmeras falhas e contradições existentes no caso”, disse o advogado da família, William Ceschi Filho.

Memória

O principal argumento de Roseana para convencer o ministro da Justiça e o procurador-geral a federalizarem o caso foram os fatos recentes ocorridos na administração e na política campineiras.

A viúva expôs as denúncias de corrupção recentes feitas pelo Ministério Público contra agentes políticos da cidade nos últimos meses para mostrar que o crime foi “político” e “teve um mandante”.

O prefeito Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT), eleito com o apoio do governo Lula, teve o mandato cassado no último dia 20 de agosto após ter o alto escalão de seu governo denunciado por corrupção, formação de quadrilha e fraudes em contratos, incluindo a ex-primeira-dama Rosely Nassin Jorge Santos.

“Mostrei ao ministro e ao procurador qual é a situação da cidade hoje, com todas essas denúncias. Fiz uma análise da conjuntura da política de Campinas. Mostrei também que o juiz do caso [Toninho] mandou reabrir o inquérito e que três desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo confirmaram a decisão dele”, disse o advogado da família.

“Se existe Justiça, algo vai ter de ser feito. A Polícia Civil de Campinas não tem estrutura para fazer a investigação de um crime de natureza política. Por isso, peço há dez anos a entrada da Polícia Federal no caso”, disse Garcia.

Tentativas frustradas

A audiência da última terça-feira foi a quarta com um ministro da Justiça para fazer o pedido de federalização do caso. Em 2008, o então ministro Tarso Genro (PT) chegou a determinar a instauração de inquérito policial pela superintendência da PF em São Paulo, fato não concretizado sob a alegação de que o pedido foi remetido ao Procurador Geral da República.

As novas investigações foram reabertas na Polícia Civil por determinação da Justiça em novembro de 2010. Em 2005, o Conselho Nacional do Direito da Pessoa Humana realizou relatório no qual recomendou a entrada da PF no caso.

Em maio de 2004, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu a viúva de Toninho em Brasília para a entrega de um abaixo-assinado com mais de 53 mil assinaturas que pedia a imediata intervenção da Polícia Federal nas investigações do assassinato do prefeito. No entanto, nenhuma medida foi determinada.

Na semana passada, a assessoria da Procuradoria Geral da República, em Brasília, informou ao UOL Notícias que a solicitação de federalização continuava “em análise” no gabinete do procurador Gurgel.
 

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