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Evento com Lula e Dilma em PE vira ato contra a Lava Jato

Paulo Uchôa/Leia Já Imagens/Estadão Conteúdo
Dilma participou pela primeira vez da caravana de Lula pelo Nordeste Imagem: Paulo Uchôa/Leia Já Imagens/Estadão Conteúdo

Carlos Madeiro

Do UOL, em Ipojuca (PE)

25/08/2017 14h34

Com direito à primeira participação da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), um ato da caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Nordeste se transformou, nesta sexta-feira (25), em Ipojuca (na Grande Recife), em uma manifestação contra a Operação Lava Jato e a condenação dele pelo juiz Sergio Moro.

Em seu discurso, Dilma fez referência indireta à informação de reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” desta sexta-feira, que mostra que o recurso de Lula foi o mais rápido para chegar à segunda instância (42 dias) depois da sentença de Moro. Em nota, o juiz disse que os prazos do processo foram estritamente seguidos.

"Eles farão um enorme esforço que não mude essa situação [de destruição das conquistas petistas]. Um desses esforços vai ser usar sempre dois pesos, duas medidas. Eles tentarão impedir que nós ganhemos a eleição outra vez, que nós ganhemos com o presidente Lula. Mas nós temos de resistir", disse Dilma.

Caso a segunda instância mantenha a condenação de Lula, o petista pode ficar impedido de disputar a Presidência em 2018.

Minutos depois da fala de Dilma, o perfil da ex-presidente citou a reportagem da “Folha”. “Um retrato da Justiça brasileira. Enquanto meu recurso contra o impeachment aguarda há um ano uma posição do STF, o TRF da 4ª Região, em tempo recorde, deu início à tramitação do processo contra o presidente”, escreveu.

'Desemprega jato'

Dessa vez, ao contrário de outros momentos, Lula evitou falar em seu discurso sobre a investigação que sofre da Lava Jato. Coube então a líderes sindicais nacionais os ataques à operação.

O coordenador da FUP (Federação Única dos Petroleiros), José Maria Rangel, afirmou que há um "desmonte do nosso país" causado pela Operação Lava Jato.

"Sim, ela tem todo direito de investigar quem quiser, dando o legitimo direito defesa. Mas o que ela não tem o direito é de destruir o pais, como está", afirmou.

Para Rangel, por causa da Lava Jato, o país teve uma queda do PIB (Produto Interno Bruto) de 3,8%. "São mais de 3 milhões desempregados, fruto da Operação Lava Jato, que destruiu as nossas maiores construtoras e está acabando com a Petrobras, que talvez seja a única empresa que tenha hoje a capacidade de capilaridade de voltar a fazer a roda economia girar. Esse é o estrago que a Lava Jato", assegurou.

O ato desta sexta-feira foi direcionado a trabalhadores metalúrgicos e petroleiros de uma região marcada pelo crescimento da indústria naval e petroquímica.

Ipojuca é sede do Complexo Portuário de Suape e vem sofrendo com o desemprego desde o início da operação, em 2014, devido à redução de investimentos da Petrobras na refinaria Abreu e Lima e na compra de navios-sonda aos dos estaleiros montados no local. Toda cadeia produtiva foi afetada com essas reduções.

"Estive aqui na Abreu e Lima, e é um cenário de abandono. São portões enferrujados, mato para todo lado. Nem parece que há uma refinaria", afirmou Rangel.

O presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos, Paulo Cayres, também culpou a Lava Jato pelo desemprego no país. "Eu queria fazer uma denúncia dessa Operação Lava Jato, que é 'desemprega jato', e já desempregou mais 3 milhões de pessoas. Para cada preso são 30 mil postos de trabalho que se fecham. Ela não serve, não é nada do que queremos. Queremos combater a corrupção, mas não destruir nossos empregos", afirmou.

Ele ainda fez referência à celeridade de andamento do recurso do processo do ex-presidente. "Esse judiciário que tem celeridade para o processo de atacar Lula, atrasa o processo de anulação do impeachment da presidente Dilma", disse.

Já o ex-presidente Lula não usou a palavra para atacar a operação, nem comentou sobre a celeridade do recurso. Como é praxe em sua viagem pelo Nordeste, Lula atacou o governo Michel Temer, criticou as privatizações e ainda assegurou que não está em pré-campanha.

"Não estamos em campanha, até porque não tem campanha, não estamos defendendo partido. Estamos dizendo a esse governo que retirou a Dilma porque ela era responsável pela desgraça do país, que agora, além da desgraça, tem uma desgraça e meia. Certamente algumas pessoas que bateram panelas agora estão batendo cabeça porque esse governo está destruindo esse país", discursou.