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Ex-CQC relata agressão de deputado que quebrou placa de Marielle

Do UOL, em São Paulo

17/10/2019 14h08

Ex-integrante do humorístico "CQC", da Band, Guga Noblat acusou o deputado federal Daniel Silveira de quebrar o seu celular com um tapa após desentendimento ocorrido nos corredores da Câmara, em Brasília. A agressão foi filmada e divulgada na noite de ontem pelo próprio jornalista nas redes sociais. Procurado pela reportagem do UOL, nega qualquer agressão e diz que o comunicador forjou o caso ao não publicar as íntegras dos vídeos.

Nas imagens, Silveira aparece irritado e dando um tapa no celular de Noblat, enquanto ele filmava o episódio. "Você é um babaca, rapaz. Você é um babaca", diz o deputado.

No Twitter, Noblat explicou que o desentendimento aconteceu depois de uma pergunta. Em vídeo postado minutos antes, Noblat questiona o deputado: "Qual que é o momento de maior vergonha da política nacional nos últimos anos? Opção A, um político que quebra uma placa em homenagem a uma mulher assassinada? Opção B, um político que invade uma escola para tentar lacrar, dar like, intimidando alunos secundaristas? Ou opção C, todas as anteriores".

Noblat referiu-se ao fato de Silveira ter posado ao lado de uma placa quebrada com o nome de Marielle Franco, vereadora assassinada em março do ano passado, durante a campanha eleitoral de 2018. O deputado também foi acusado por escolas de invadir os estabelecimentos para monitorar o conteúdo dado aos alunos.

O parlamentar pede que Noblat poste o vídeo e responde: "Sobre o segundo ponto...é uma ação constitucional fiscalizar qualquer órgão executivo. Não preciso invadir, porque espaço público é para o público e também para uma autoridade federal. Segundo, não quebrei a placa, a placa estava colada sobre a praça Floriano Peixoto falsa colocada por militantes. O recado é claro. Não tomarão território de forma ostensiva e vandalismo. E o terceiro, as duas acima. Vergonha não existe, tenho orgulho", afirmou.

Posteriormente, Noblat postou outro vídeo em que mostra a agressão do deputado do PSL. "Além de ser bom em quebrar placas e invadir escolas de 2º grau, deputado Daniel Silveira também sabe quebrar celulares. Quebrou a parte de trás do meu agorinha. Recebi vídeo com o tapa em um ângulo que deixa claro o tamanho do desequilíbrio desse deputado", escreveu Noblat.

"O senhor quebrou meu celular ao se descontrolar com uma pergunta. Tudo foi devidamente registrado. Podemos entrar num acordo. Não te processarei, se você assumir publicamente que foi um covarde ao invadir escolas e que isso é atitude de 'bunda-mole'", completou.

Em seguida, Noblat exibiu o vídeo em que aparece retirando o que seria o celular do chão e confrontando o deputado por conta da agressão. "É arremessei, e aí? Babaca. Vai lá no STF e me processa, otário", disse o parlamentar a Noblat.

O ex-integrante do CQC afirma na sequência que processará o deputado e estabelece condições para que a ação não seja movida.

Silveira respondeu no mesmo tuíte em que o vídeo foi publicado. "Sim, se acha que pode, processe. Direito do bostinha", afirmou na rede social.

Conhecido pelo ataque a placa que homenageava a vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada em março do ano passado no Rio, o deputado federal já se envolveu em outras polêmicas.

Na semana passada, ele se juntou ao deputado estadual Rodrigo Amorim, também do PSL, e ambos fizeram uma "vistoria" no Colégio Pedro II, campus de São Cristóvão, na zona norte do Rio de Janeiro.

Os alunos reagiram à vistoria. Os parlamentares, que entraram sendo vaiados, deixaram o colégio sob gritos de "Ô, Marielle, quero justiça, não aceitamos deputado da milícia" dos estudantes.

Veja, na íntegra, o posicionamento do deputado federal Daniel Silveira:

Quanto aos fatos ocorridos na noite de ontem (16/10) no Plenário e nos corredores da Câmara dos Deputados, informo que é leviana a conduta do jornalista Guga Noblat ao me acusar de agressão. Não houve nenhum tipo de agressão física ou moral ao jornalista, pelo contrário, o jornalista se aproximou de mim de forma agressiva e imperativa com perguntas em tom "ofensivo", em todo momento, como fica claro no primeiro vídeo, ainda no interior do "plenário", mesmo com a imperatividade verbal do jornalista, agi e respondi tranquilamente as perguntas, até a chefe da segurança da Polícia legislativa da Câmara perceber a afronta do jornalista e intervir, retirando o mesmo do Plenário.

O segundo episódio ocorreu já nos corredores da Câmara, quando ao me dirigir para meu gabinete, fui abordado novamente por este jornalista, desta vez mais agressivo e com um tom de voz desproporcional, ao ponto de enfiar o seu telefone no meu rosto, como fica claro nas imagens que estão sendo veiculadas na internet. Me sentindo ameaçado, repeli injusta agressão, afastando o celular do meu rosto. O interessante, que o jornalista em questão não publicou nas suas redes sociais a integra dos seus vídeos, apenas publicando as partes que lhe interessou, forjando uma agressão que não ocorreu. O que estou narrando pode ser confirmado tranquilamente pela Polícia Legislativa Federal da Câmara dos Deputados, que lavrou relatório do caso na DEPOL.

Lamento que o jornalismo tenha chegado ao fundo do poço, ao ponto de uma pessoa que se considera "jornalista", forjar matéria para ganhar alguns likes.

Estarei lavrando termo de ocorrência junto a DEPOL da Câmara para que o crachá deste "jornalista" possa ser retirado como também oficiar a mesa diretora que oficie o órgão ao qual este é ligado para que as devidas providências legais possam ser adotadas. Respeitamos o jornalismo, que é fundamental e imprescindível ao Estado Democrático de Direito, mas os excessos devem ser rechaçados veementemente.

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