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"Estão fazendo terror", diz Bolsonaro sobre decretação de quarentena em SP

De máscara, presidente Jair Bolsonaro (sem partido) participa de videoconferência com empresários (20.mar.2020) - Isac Nóbrega/PR
De máscara, presidente Jair Bolsonaro (sem partido) participa de videoconferência com empresários (20.mar.2020) Imagem: Isac Nóbrega/PR

Do UOL, em São Paulo

21/03/2020 21h55

O presidente Jair Bolsonaro voltou a minimizar a gravidade da pandemia de covid-19, causada pelo novo coronavírus, e criticou o governador de São Paulo, João Doria, por ter decretado quarentena no estado a partir da próxima terça-feira (24).

"Para falar a verdade, é um lunático", afirmou Bolsonaro em entrevista à CNN Brasil na noite deste sábado (21). "Está fazendo cálculo político neste caso. Lamento a posição dele, fazer política para se promover."

Na opinião do presidente, a medida é um exagero. "O excesso do remédio intoxica, é ruim", afirmou. "Estão fazendo terror com a população destes estados."

Segundo ele a quarentena pode causar depressão, o que levaria à queda da imunidade e assim, aumentar o risco de contrair o covid-19.

Na leitura do presidente, Doria e outros governadores que o criticaram por falta de comando na crise da pandemia estão interessados em desgastá-lo politicamente para as eleições de 2022. "Diga aos governadores que me criticam que as eleições de 2022 estão muito longe ainda."

Neste sábado, Doria criticou novamente Bolsonaro pela postura na crise do coronavírus e disse que gostaria de ter um presidente que liderasse.

Não terá colapso

Na entrevista, Bolsonaro também negou que haverá colapso no sistema de saúde do país. Na noite de ontem, ao lado do presidente Bolsonaro em uma live nas redes sociais, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que o sistema de saúde brasileiro entrará em colapso em abril.

"Claramente, no final de abril nosso sistema de saúde entra em colapso", afirmou Mandetta. "Colapso é quando você tem dinheiro, mas não tem onde entrar (nos hospitais)."

"Não terá colapso", afirmou Bolsonaro à CNN Brasil, sem a presença do ministro.

O presidente mostra-se confiante em relação a pesquisas preliminares que indicam que a hidroxicloriquina, substância usada no tratamento da malária, entre outras moléstias, é efetiva contra a covid-19.

O Hospital Israelita Albert Eisntein, em São Paulo, informou que começou um protocolo de pesquisa para a substância com os casos mais graves do hospital. A substância também é pesquisada nos EUA.

Apesar dos resultados preliminares promissores, Bolsonaro foi criticado ao anunciar que mandaria o laboratório do Exército produzir o remédio. Não há evidências sólidas de que a substância funcione ou seja segura.

'Vamos distribuir o remédio para todos'

O presidente disse que o laboratório Apsen, que produz o medicamento Reuquinol, se comprometeu a doar mais de 10 milhões de comprimidos. "Existe a possibilidade, sim, de que o Reuquinol seja eficaz para tratar os portadores da COVID-19", disse Bolsonaro.

O presidente lembrou que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) possui 4 milhões de comprimidos do medicamento. "Temos bastante para começar, mas é um medicamento barato. Não à toa, a Apsen está doando 10 milhões de unidades. Uma vez confirmada, vamos distribuir para todos os infectados", disse.

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