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Doria cutuca Bolsonaro: "É imperdoável que minimizem, não é uma gripezinha"

O governador de São Paulo, João Doria, durante coletiva para falar de medidas de combate ao coronavírus - Reprodução/YouTube
O governador de São Paulo, João Doria, durante coletiva para falar de medidas de combate ao coronavírus Imagem: Reprodução/YouTube

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

21/03/2020 13h22

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), alfinetou o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), ao determinar a quarentena para todos os serviços não essenciais no estado a partir da próxima terça-feira (24) por causa do coronavírus. "É imperdoável que minimizem dizendo que é só uma gripezinha", afirmou ao anunciar as medidas, na tarde de hoje.

Ontem, Bolsonaro disse que "depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar". A resposta do presidente aconteceu após ele ser questionado por jornalistas se faria um novo exame para detectar coronavírus. Questionado sobre a declaração, Doria falou diretamente sobre o presidente.

"Vejo com decepção e tristeza [a declaração de Bolsonaro]. Como governador de estado, gostaria de ter um presidente que liderasse o país em uma crise como esta. Fico triste, enquanto cidadão. É triste que não tenhamos uma liderança capaz de liderar a sua equipe e acalmar os brasileiros. Não falo com viés político, mas com sentimento de brasileiro. Na ausência dessa liderança, governadores e prefeitos fazem o que Bolsonaro não consegue fazer", completou.

Doria também afirmou que as "medidas de alcance macro deveriam partir do Governo Federal. No entanto, diante da falta de atitudes, os governadores têm agido para resguardar a população". O governador elogiou o trabalho "competente e republicano" dos ministros da Infraestrutura e da Saúde, Tarcísio Gomes de Freitas e Luiz Henrique Mandetta.

O secretário de Saúde de São Paulo, José Henrique Germann, ressaltou na coletiva que muito falam de gripezinha, mas o coronavírus está mais próximo de uma pneumonia, quanto aos seus sintomas.

A fala de Bolsonaro

Ontem, Bolsonaro disse que "depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar". A resposta do presidente aconteceu após ele ser questionado por jornalistas se faria um novo exame para detectar coronavírus.

"Depois da facada, não vai ser gripezinha que vai me derrubar, não. Tá OK? Se o médico ou o Ministério da Saúde recomendar um novo exame, eu farei. Caso contrário me comportarei como qualquer um de vocês aqui presente", declarou Bolsonaro, em referência aos sintomas do novo coronavírus, que provocou uma pandemia e deixou milhares de mortos.

Bolsonaro já fez dois exames para detectar o novo coronavírus, e segundo ele, ambos foram negativos. Ao menos 20 pessoas próximas ao presidente, que estiveram com ele em missão oficial nos Estados Unidos, foram infectadas pelo vírus.

São Paulo em quarentena

A determinação de Doria tem validade de 15 dias e poderá ser prorrogada. Uma das medidas anunciadas é a determinação de fechamento dos bares e restaurantes do estado neste período. "Esses estabelecimentos poderão mudar a sua forma de operação e passar a trabalhar em esquema 'delivery'. É uma medida necessária", afirmou Doria.

Serviços de saúde humana e veterinária, abastecimento e segurança, que são considerados fundamentais, não serão afetados.

O prefeito da capital, Bruno Covas (PSDB) também falou a respeito da medida. "Muita gente está achando que se trata de uma marolinha, mas é necessário isolamento social. É um ato de respeito ao próximo, de humanidade. Não é férias", afirmou.

Doria também manifestou "repúdio" a festas em qualquer comunidade e afirmou que adotará "medidas policiais" para coibir aglomerações.

"Nenhum interesse econômico pode estar acima do interesse social de saúde. Manifestações como festa, bailes funk ou bailes de qualquer tipo de música serão coibidos. Meu repúdio a quem promove esses eventos", afirmou.

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