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Celso Lafer critica presidente Bolsonaro por hostilização a jornalistas

Do UOL, em São Paulo

26/05/2020 00h34

O jurista e ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer responsabilizou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por hostilização cometida, com frequência, contra profissionais da imprensa em Brasília.

"Não é aceitável que o presidente não crie condições para que jornalistas, que estão exercendo sua função e obrigação, que é o de nos informar, não possam exercer sua profissão em condições válidas e de segurança", disse ele, durante o "Roda Viva", da TV Cultura.

"Portanto isso é um tema de ordem pública, obrigação do estado assegurar a ordem pública e a possibilidade de convivência. Nós, como brasileiros, temos o direito de sermos informados por uma imprensa livre. Se ela se ver cerceada, nossa liberdade, que o presidente insiste que deve ser preservada, se vê injustamente e incorretamente cerceada", completou.

O Grupo Globo anunciou hoje que vai parar de cobrir o dia a dia de Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada, em Brasília. Isto inclui a TV Globo e o site G1, que ficarão sem esta cobertura por tempo indeterminado. A alegação é de "falta de segurança", mas o texto publicado nesta noite promete que os jornalistas "encontrarão maneiras seguras de apurar e relatar o que se passa ali, sem prejuízo do público".

A Folha de S.Paulo fez anúncio parecido e também comunicou o general Heleno, bem como a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom): "A Folha decidiu suspender a cobertura jornalística na porta do Palácio da Alvorada temporariamente até que o Palácio do Planalto garanta a segurança dos profissionais de imprensa".

O jornal citou o caso dos repórteres que foram hostilizados hoje durante a cobertura na porta da residência oficial do presidente. A publicação relata que uma mulher passou pela fila dos jornalistas e gritou: "Ó o lixo, ó o lixo, ó o lixo. Escória! Lixos! Ratos! Ratazanas! Bolsonaro até 2050! Imprensa podre!".

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