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Bolsonaro vê a PF como um anexo de sua casa, diz presidente da OAB

Andréia Martins, Lucas Borges Teixeira e Rai Aquino

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL, em São Paulo

30/03/2021 11h47

O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, disse olhar com alerta as mudanças feitas ontem (29) pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em sua cúpula ministerial e o acusou de "confundir público e privado".

No UOL Entrevista, conduzido por Kennedy Alencar, colunista do UOL, Santa Cruz apontou em especial a nomeação do delegado federal Anderson Torres para o Ministério da Justiça e Segurança Pública e afirmou que Bolsonaro faz "aparelhamento" na Polícia Federal para tentar influenciar em causa própria.

Temos que ter atenção total, porque há mais do que indícios de aparelhamento de setores da Polícia Federal. Cabe à própria Polícia Federal resistir a esse processo, como aparentemente em boa hora estão fazendo as Forças Armadas. O presidente nunca escondeu que ele vê a Polícia Federal quase como uma extensão da casa dele, um anexo da sua atuação de seus familiares.
Felipe Santa Cruz, presidente da OAB

Santa Cruz lembrou ainda as acusações de influência de Bolsonaro na Polícia Federal, denunciadas pelo ex-ministro Sergio Moro, para supostamente tentar proteger o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), seu filho mais velho.

O advogado chamou as denúncias contra Flávio por lavagem de dinheiro como "gravíssimas" e com provas "aparentemente sólidas".

É direito do senador e do próprio presidente de defesa. O que não cabe é usar o prestígio dos seus cargos atuais para tentar impedir [as investigações] --e isso aparentemente está sendo feito. A própria advogada do senador amarrou que houve reuniões com Abin [Agência Brasileira de Inteligência], com secretarias estratégicas do governo para tratar da defesa. Essa confusão entre público e privado não pode existir.
Felipe Santa Cruz, presidente da OAB

O que o tranquiliza, ele disse, é que a PF "é uma instituição séria que merece muita credibilidade do povo brasileiro". "Tenho certeza de que ela não se deixará levar por esse canto da sereia, de que vai cumprir sua missão institucional", afirmou Santa Cruz.

Mudança ministerial

Ontem, Bolsonaro trocou seis ministros. André Mendonça saiu da Justiça e voltou à AGU (Advocacia-Geral da União); o general Fernando de Azevedo e Silva foi substituído pelo general Walter Braga Netto na Defesa; Ernesto Araújo deixou Relações Exteriores; e a deputada federal Flávia Arruda (PL-DF) assumiu a Secretaria de Governo da Presidência da República.

Apesar de criticar os ministros depostos, como Araújo e o general Eduardo Pazuello, que deixou a Saúde neste mês, Santa Cruz disse que "o alerta foi ligado" ontem entre as mudanças, em especial com a ida de Torres para a Justiça e a saída de José Levi para o retorno de Mendonça.