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PF investiga ataque armado a reserva ambiental em Roraima

Sede do ICMBio na Estação Ecológica de Maracá (RR) foi alvo de ataque armado - Divulgação para o UOL
Sede do ICMBio na Estação Ecológica de Maracá (RR) foi alvo de ataque armado Imagem: Divulgação para o UOL

Rafael Neves

Do UOL, em Brasília

01/06/2021 13h42Atualizada em 01/06/2021 13h42

A PF (Polícia Federal) investiga o relato de um ataque armado à sede do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) na Estação Ecológica de Maracá, uma reserva ambiental no norte do estado de Roraima. O ICMBio confirmou a invasão, ocorrida no final da tarde de ontem, e informou que a PF foi acionada e está com inquérito em andamento.

Segundo servidores ouvidos pelo UOL, sob anonimato, a ação começou por volta das 16h e durou cerca de quatro horas. O relato é de que oito homens encapuzados e fortemente armados invadiram a unidade e tomaram como reféns os três brigadistas que estavam no local.

Estes brigadistas, dos quais dois são indígenas, são funcionários terceirizados que prestam serviços para o ICMBio na reserva. No momento do ataque, não havia nenhum servidor de carreira na unidade.

Suspeita de retaliação

A suspeita dos fiscais do ICMBio é que se trata de uma retaliação a uma operação contra o garimpo ilegal dentro da unidade, há cerca de duas semanas. Na ocasião, de acordo com os servidores, foram apreendidos barcos, motores de popa e outros equipamentos.

Os brigadistas contaram que o grupo entrou no imóvel gritando "viemos buscar o que é nosso!", em alusão ao material apreendido, e também levaram parte do patrimônio do instituto, inclusive cinco quadriciclos.

Depois de obrigarem os funcionários a transportar todo o material roubado até a margem do Rio Uraricoera, que corta a reserva e é rota dos garimpeiros clandestinos, o grupo libertou os reféns no local e fugiu de barco em direção à Terra Indígena Yanomami, que é foco da extração ilegal de ouro.

"Eles [os invasores] estavam em busca dos agentes de fiscalização. Disseram que se tivessem topado com um de nós lá, não seríamos poupados", afirma um servidor que havia participado da operação contra o garimpo, mas não estava na sede no momento do ataque. Depois de serem deixados ilesos pelos criminosos no porto, os três brigadistas voltaram a pé para a sede, a cerca de 2 km de distância.

Apesar de não terem sido agredidos, os brigadistas contaram ter sido ameaçados. Em áudio enviado aos colegas, um deles afirmou ter ouvido dos invasores que iriam queimar as viaturas do ICMBio, caso encontrassem alguma delas pelo caminho, e que o grupo tem "olheiros" espalhados pela região para vigiar os funcionários e seus familiares.

"Ele [um dos criminosos] disse: 'tua mulher, tua filha', tudo isso eles sabem, ele disse que sabe de tudo. Ele não tem esse negócio de brincadeira não", diz um dos áudios aos quais o UOL teve acesso.

Os servidores afirmam que entraram ainda ontem em contato com a Polícia Federal e com a Força Nacional de Segurança Pública. O UOL procurou a PF e o Ministério da Justiça e aguarda resposta. Já o ICMBio informou que "a Polícia Federal foi acionada e já está com investigação em andamento, contando com apoio integral do ICMBio e demais órgãos governamentais".

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